19 de agosto, de 2020 | 06:55
Ex-vereador Gandra é sentenciado pela prática da 'rachadinha'
Defesa irá recorrer em segunda instância para comprovar a ausência de fato típico
Wôlmer Ezequiel/Arquivo DA
Wanderson Gandra ainda poderá recorrer da sentença da Vara Criminal da Comarca de Ipatinga
Wanderson Gandra ainda poderá recorrer da sentença da Vara Criminal da Comarca de IpatingaEm decisão proferida pelo titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Ipatinga, o juiz de Direito José Maria Moraes Pataro, o ex-vereador Wanderson Gandra foi sentenciado a cumprir pena de quatro anos e dez meses de detenção em regime semiaberto, além do pagamento de multa, pela prática do delito conhecido como rachadinha”, que consiste em recolher parte dos salários pagos a servidores lotados em seu gabinete. Em resumo, a condenação do ex-parlamentar se deu por peculato e coação no curso do processo.
No início da investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), em fevereiro de 2019, sobre as irregularidades envolvendo vereadores de Ipatinga, Gandra era integrante do partido PSC. Porém, em dezembro do ano passado, ele filiou-se ao Republicanos, seu atual partido.
O ex-vereador também terá que indenizar as vítimas (ex-assessores do gabinete da Câmara Municipal de Ipatinga) em valores que somam aproximadamente R$ 81 mil, e pagar multas que somam cerca de R$ 37 mil. Além de Gandra, foram denunciados também a ex-assessora dele, Hélia Patrícia da Silva, sentenciada a cumprir um ano e 10 meses no regime aberto, pena que pode ser substituída por prestação de serviço à comunidade e um homem, que atuava como motorista (sem ser lotado no gabinete) e foi absolvido. Procurada pela reportagem, Hélia informou que irá recorrer da sentença.
Gandra foi alvo da Operação Dolos, deflagrada pelo Gaeco regional de Ipatinga. A operação resultou na prisão de sete vereadores, que tiveram mandatos cassados ou renunciaram. A carta de renúncia de Gandra foi lida em plenário no dia 12 de abril de 2019, enquanto ele estava recolhido à prisão preventiva.
Logo após a operação no mês de fevereiro, em busca de provas, os investigadores apuraram que o vereador Gandra articulou reuniões com assessores para alinhar depoimentos que seriam prestados no âmbito das investigações. Uma das reuniões com assessores e ex-assessores foi registrada em imagens pelos investigadores, realizada na residência de uma ex-assessora do parlamentar, dia 17 de fevereiro de 2019, no bairro Forquilha. Ao fim da reunião, os investigadores foram descobertos e houve momentos de tensão entre os policiais e assessores do então vereador.
Depois disso, Wanderson Gandra foi preso no dia 20 de fevereiro e recolhido à Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba. Cumpriu cinco meses e 16 dias de reclusão, decretada pela Justiça diante dos argumentos, segundo os quais, interferia no curso da investigação policial.
Gandra é o primeiro dos vereadores investigados a ter a sentença proferida pela Justiça. Seguem em tramitação os processos criminais contra os ex-vereadores Rogério Antônio Bento, o Rogerinho (sem partido), Luiz Márcio Rocha Martins (PTC), Paulo César dos Reis (Pros), Gilmar Ferreira Lopes, o Gilmarzinho (PTC), José Geraldo Andrade (Avante) e Osimar Barbosa Gomes, o Masinho (PSC). Eles são denunciados, entre outros delitos, por peculato, concussão e, em alguns casos, lavagem de dinheiro e coação de testemunhas, conforme divulgou o Ministério Público.
Eleitoral
Ainda de acordo com a sentença, após transitada em julgado, o Tribunal Regional Eleitoral deve ser comunicado, para fins do disposto no artigo 15, inciso III da Constituição Federal, que prevê: é vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos.
Defesa
O advogado de defesa de Gandra, Vinícius Xingó Tenório de Oliveira, declarou, por meio de nota, que a sentença somente comprova que a prisão provisória foi desnecessária e midiática, vez que a acusação pleiteou descabidamente uma pena mínima de 206 anos e não conseguiu sequer 3% do que foi requerido na ação penal. "O poder Judiciário confirmou a tese defensiva de que inexistem motivos para a custódia preventiva do acusado, demonstrando-se que as razões aventadas quanto à prisão foram desproporcionais. A defesa esclarece que vai recorrer em segunda instância para comprovar a ausência de fato típico", conclui a nota.
Publicado à época:
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Ipatinguense do Brasil
19 de agosto, 2020 | 18:01Gandra também responde outros processos judiciais de dívida tributária. Ou seja, ele também deve quantias de tributos aos cofres públicos”
Silva e Silva
19 de agosto, 2020 | 15:17E uma vergonha, faz um desvio deste valor a população a qual tem a obrigcao de servir e respondera em liberdade. Os presídios estão lotados de pessoas q estava com gramas de maconha.... Sentenciados a anos de prisão regime fechado .Que justiça nós temos ....”
Jose Soares Couto
19 de agosto, 2020 | 07:35Que essa condenação e outras que virão por aí, sirva de lição para os políticos de primeira viagem que ocuparão cargos no legislativo e executivo, bem como aos "profissionais da política" que se reelegerão no próximo pleito.”
Paulo
19 de agosto, 2020 | 07:14Enquanto isso o processo do Flávio Bolsonaro vai se arrastando até prescrever. Os vereadores de ipatinga foram presos perderam o mandato por muito menos. No Brasil quem tem muito dinheiro não vai preso, com uma boa banca de advogados vc se safa, se for corrupção mais fácil ainda.”
Marcelo Erkes Dias
19 de agosto, 2020 | 07:09é uma vergonha esses politicos da cidade,nao há que faça algo de fato pela cidade.”