Ação contra o ex-vereador Rogerinho é ajuizada

Somente em um dos casos foram desviados R$ 42.953,61 com o uso de assessor fantasma, aponta investigação do Gaeco

Wôlmer Ezequiel


Desde o dia 20 de fevereiro Rogerinho está recolhido à penitenciária em Ipaba

O Titular da 7ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público de Ipatinga, o promotor Fábio Finotti, ajuizou uma Ação Civil Pública contra o ex-vereador Rogério Antônio Bento, o Rogerinho (sem partido), que está preso desde o dia 20 de fevereiro que renunciou no dia 22 de março. A ação contra Rogerinho foi ajuizada na quarta-feira (3) e acusa também dois assessores parlamentares de Rogerinho, E.O.M.C e R.L.S.S, de participarem do esquema de desvio de dinheiro público com o recolhimento de parte dos salários dos assessores nomeados para os gabinetes. Somente em um dos casos foram desviados R$ 42.953,61.

Na ação, o promotor relata que em 2016, quando Rogerinho ainda ocupava o cargo de chefe de gabinete na Câmara de Ipatinga, ele "falsificava atestados médicos, utilizando-se de formulário da rede municipal e de carimbos de profissionais da saúde que atuavam no município".

Conforme a ação, durante uma interceptação telefônica, feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) constatou-se que “o então candidato a vereador, Rogério, possuía grande influência nas redes de saúde, onde conseguia e fornecia receitas, medicamentos dentre outros objetos para eleitores. Na mesma esteira, consegue fornecer consultas para os usuários diversos 'passando na frente' da listagem de espera do SUS, inclusive, com oferecimento de recompensa para se conseguir votos, ou seja, tinha acesso à rede de saúde objetivando a captação de votos”.

Com a Operação Dolos, deflagrada pelo Gaeco, em 15 de fevereiro, na qual mandados de busca e apreensão foram cumpridos em gabinetes da Câmara de Ipatinga, foi possível identificar "alguns beneficiários dos atestados médicos falsos, que o demandado Rogério Antônio fornecia a eleitores deles".

Continuação do esquema

Segundo a ação, as investigações do Gaeco confirmaram que após Rogerinho se tornar vereador, os atos ilícitos passaram a ser ainda mais gravosos, contemplando, inclusive, a contratação simulada do demandado R.L., que passou a figurar como 'funcionário fantasma’. O esquema funcionava da seguinte forma: R.L. foi nomeado para ocupar o cargo Assessor Parlamentar de Relações com as Comissões, do então vereador Rogério Antônio, em cinco de janeiro de 2017. Mesmo com a nomeação, o assessor não trabalhava, de fato, na Câmara de Ipatinga, conforme o promotor Fábio Finotti. "Ele continuava trabalhando como corretor de imóveis, profissão que ele já exercia, e, portanto, era conhecido na cidade. Assim, da remuneração do cargo, que era de R$ 4.537,22, R.L ficava, mensalmente, com somente R$ 500, devolvendo o restante ao vereador Rogério Antônio".

A ação também cita conversas telefônicas de Rogerinho que confirmam o esquema de recolhimento de salário, envolvendo o assessor fantasma, R.L, que depois foi exonerado por Rogerinho, por acreditar que a situação era “arriscada”. Em outras conversas telefônicas gravadas, o Gaeco identificou um diálogo entre Rogerinho e sua chefe de gabinete, E.O.M.C, que demonstra conhecimento e participação do esquema ilegal.

Pedidos

Entre os pedidos feitos pelo promotor de Justiça, estão uma medida liminar tornando indisponíveis os bens e direitos de Rogerinho no montante de R$ 42.953,61, correspondente ao valor total pago pela Câmara de Ipatinga ao assessor fantasma R.L. Além disso, Rogerinho, E.O.M.C e R.L.S.S foram notificados, para, no prazo de 15 dias, apresentarem uma manifestação escrita.

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