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Audiência pública foi tumultuada em vários momentos onde a empresa foi questionada
O Ministério Público do Trabalho propõe mediar uma negociação para buscar uma solução viável para o futuro dos cobradores no Vale do Aço. A proposta foi feita pelo procurador do MPT, Túlio Mota Alvarenga, durante audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Coronel Fabriciano na tarde desta quarta-feira (27), quando foi discutida a possível retirada da função do transporte público municipal em Coronel Fabriciano, Ipatinga e Timóteo.
A audiência foi uma solicitação do vereador Marcelo Motorista (PCdoB), para discutir a retirada do cobrador, em caráter experimental nos municípios de Ipatinga e Timóteo há quase dois meses. Embora o fato não tenha ocorrido em Fabriciano, o objetivo é antecipar a solução do problema que deve chegar à cidade, onde o transporte municipal também é operado pela Saritur.
Túlio Mota Alvarenga abordou que a questão é complexa e se trata da dispensa coletiva, que pode trazer consequências jurídicas e além de afetar a qualidade do transporte público. “Há meios de discutir essas questões antes que uma lei seja desrespeitada. O Ministério Público do Trabalho tem essa função conciliatória. Antes de demitirem, procure o Ministério Público e vamos buscar uma solução para que isso não precise ir para a esfera jurídica”, defendeu.
Ainda conforme o procurador do trabalho, existem precedentes no MPT admitindo o acúmulo da função do motorista, porém nesses casos não existia uma lei municipal para garantir a função do cobrador. “Mas eu também me preocupo com a questão do meio ambiente do trabalho, da ergonomia”.
QuestionamentosA audiência foi tumultuada em vários momentos, pois alguns vereadores contestaram as justificativas econômicas da empresa Saritur, que alega a situação financeira ruim, principalmente o prejuízo de R$ 10 milhões durante a pandemia. Por meio da sua procuradora Janine Ramalho, a Saritur afirma não ter planos de demitir os atuais cobradores e sim oportunizar a promoção dos mesmos. “O Vale do Aço é a única região que ainda trabalha com cobrador. Atualmente 80% dos usuários pagam a passagem com o cartão e há uma dificuldade na contratação de mão de obra, a função é vista atualmente como transitória, pois o cobrador ganha a metade do salário de motorista e naturalmente eles se qualificam para futuramente serem promovidos a motoristas”, argumentou.
Janine Ramalho também disse que, principalmente em Fabriciano, o transporte público está beirando ao colapso, e a passagem deveria custar em torno de R$ 8,32 para pagar todos os custos, inclusive de percentual de passagens gratuitas. Hoje a tarifa é R$ 4,10.
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Sem comunicação Um cobrador da empresa Saritur, que prefere não ser identificado, conta que até o momento a empresa não fez qualquer comunicação formal aos funcionários e que está acompanhando as notícias pela imprensa regional. O profissional teme pela demissão e espera que algo seja feito pelo poder público. Outras considerações foram feitas durante a audiência sobre a importância da função, para o apoio ao motorista, até mesmo em momentos de manobras.