Ônibus rodam sem cobradores em Ipatinga e usuários reclamam

16/10/2021 às 15:55
Silvia Miranda
Trabalho do trocador é importante para dar celeridade às viagens e auxiliar o motorista, afirma sindicato

Várias linhas de ônibus municipais de Ipatinga vêm circulando sem o cobrador. Embora a prática seja condenada por leis municipais em Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo, criadas para garantir a função nos ônibus, o que vem ocorrendo não condiz com a legislação. Novamente, usuários fazem mais reclamações de atrasos e até ausências de linhas, problemas provocados pelo acúmulo de funções para os motoristas.

Desde as primeiras denúncias, no dia 12 de setembro, sobre a circulação de transporte coletivo sem o cobrador, a prática se tornou mais rotineira, passando a se repetir não só aos fins de semana, como também em horários de pico nos dias úteis, quando muitos trabalhadores dependem do coletivo para voltar para casa.

Viagens atrasadas

Muitas reclamações têm chegado à redação do Diário do Aço com relação ao atraso de algumas linhas, devido à circulação de carros sem o trabalho do trocador. Na última delas, os usuários denunciaram que isso vem acarretando atrasos em todas as linhas.

Em relação à linha 801-Centro/São Francisco, que cumpre o horário das 18h40 de segunda a sexta-feira, os passageiros dizem que reclamaram com a empresa e a resposta foi que “o motorista está circulando sem cobrador em outras linhas e que isso provocou o atraso do 801, e que a empresa não tem outro motorista para fazer essa linha do 801”. Os usuários reclamam que essa linha é essencial, pois leva o público para o morro São Francisco, local para onde nenhuma outra linha vai. Sem esse carro, os usuários que pagam R$ 4,20 pela passagem são obrigados a pegar outros ônibus, desembarcar longe de casa e andar até meia hora para chegar em suas residências.

Contra a lei

Nas três cidades do Vale do Aço onde a Saritur opera, existem as seguintes leis municipais: em Ipatinga, Lei 2.275 de 7/3/2007; em Fabriciano, Lei 2.975 de 30/11/2001; e em Timóteo, a Lei 2.923 de 7/1/2009. Todas essas leis garantem a presença dos cobradores nos ônibus.

Nas câmaras municipais de Timóteo e Coronel Fabriciano, os vereadores ainda aguardam o trâmite burocrático para confirmar as datas das audiências públicas, no intuito de discutir o assunto junto à empresa responsável e com o Executivo. Em Ipatinga, também está prevista a realização de audiência pública para debater o mesmo tema, mas não há data confirmada.

O Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Coronel Fabriciano (Sinttrocel) informou ainda que aguarda retorno e confirmação de uma reunião com a empresa Saritur, para tentar uma solução que não prejudique os trabalhadores e nem a qualidade do serviço prestado. Várias assembleias foram realizadas no início deste mês com a participação dos trabalhadores, para a definição de decisões a serem tomadas.

Já publicado:
Viagens de ônibus em Ipatinga atrasam por causa da ausência de cobradores

Resposta

Até o fechamento desta edição, o Diário do Aço tentou contato com a empresa Saritur, porém não obteve retorno.

No fim da tarde, a assessoria de Comunicação do governo de Ipatinga informou, por meio de nota, que “mantém o diálogo com a concessionária de transporte coletivo, e que diante de denúncias relatadas sobre a ausência dos trocadores nos ônibus, a fiscalização foi intensificada pelos fiscais de posturas da prefeitura, a fim de supervisionar e apurar qualquer irregularidade na prestação do serviço. Destaca-se, no entanto, que nenhum veículo abordado, até o momento, apresentou desacordo ao que rege a legislação vigente”.
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