Tiago Araújo
Camada rica injeta mais de R$ 3 bilhões por ano na economia do Vale do Aço
Levantamento do Observatório das Metropolizações Vale do Aço, instalado no IFMG Ipatinga, coordenado pelo geógrafo com especialização doutoral em estatística pelo IBGE, William Passos, aponta que Ipatinga tem a elite mais rica da região. Em conjunto com as elites de Timóteo, Coronel Fabriciano e Santana do Paraíso, a camada rica do Vale do Aço injeta mais de R$ 3 bilhões por ano na economia local.
A riqueza das quatro elites, medida em patrimônio líquido (bens, terras, propriedades e imóveis) e concentrada nas mãos de apenas 15,39% da população (82.418 pessoas), totalizava cerca de R$ 68 bilhões em 2020. Os números foram calculados com base nas declarações do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) entregues à Receita Federal.
Em Ipatinga, a camada mais rica da população, em 2020, era formada por 43.686 pessoas (16,46% da população residente), que auferiam renda média de R$ 7.056,12 e acumulavam patrimônio líquido médio declarado de R$ 190.938,42. A camada rica ipatinguense, no entanto, é menos rica que a de Governador Valadares, cuja renda média registrada foi de R$ 7.287,22 e cujo patrimônio líquido acumulado alcançou a média de R$ 552.893,12, quase o triplo do patrimônio líquido médio da elite ipatinguense.
No Vale do Aço, a segunda elite mais rica é a de Timóteo. Em 2020, os 15.007 mais ricos na população daquele município (16,57%) apresentavam renda média de R$ 6.606,22 e patrimônio líquido médio de R$ 149.390,17. A elite timoteense foi seguida pela elite de Coronel Fabriciano, formada por 16.047 pessoas (14,55% do total da população). Esta elite registrou renda média de R$ 6.606,22 e patrimônio líquido médio de R$ R$ 149.390,17.
Por sua vez, a elite de Santana do Paraíso, formada por 6.409 pessoas (18,12% da população residente), das quatro elites, foi a menos rica do Vale do Aço, auferindo renda média de R$ 4.747,49 e patrimônio líquido médio de R$ 63.023,87.
Enriquecimento da elite de ParaísoPor outro lado, de acordo com o coordenador estatístico e de pesquisa do Observatório das Metropolizações Vale do Aço, William Passos, os dados oficiais mostram que, das quatro elites da região, a de Santana do Paraíso é a que mais vem registrando crescimento da renda média e do patrimônio líquido médio comparativamente.
Diferentemente das pesquisas domiciliares tradicionalmente utilizadas nos estudos sobre renda, riqueza e desigualdade, como, por exemplo, os Censos Demográficos e a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do IBGE, as declarações do IRPF enviadas à Receita Federal permitem captar com maior precisão a renda dos mais ricos. Uma das vantagens do uso destas informações foi exatamente a constatação de que a desigualdade de renda e de riqueza no Brasil, no Estado de Minas Gerais e no Vale do Aço é ainda maior do que se imaginava.
Parte desta elite de Santana do Paraíso é formada por uma parcela mais abastada da população de Ipatinga que vem se mudando para bairros localizados no território paraisense. Com território vasto é também o município com maior oferta de novos empreendimentos imobiliários, alguns deles, de padrão elevado. O geógrafo explica que, do ponto de vista urbano, é como se fosse uma continuação da cidade de Ipatinga, mas do ponto de vista político e da contagem da população, esses novos residentes contam como população de Paraíso e isso é levado em consideração quando são calculados os repasses transferidos pelo Estado e pelo governo federal à prefeitura. “Consequentemente, isso é considerado também pela Receita Federal na hora de calcular a renda média e o patrimônio líquido da população”, conclui o geógrafo.
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