Arquivo DA
Os quatro municípios da RMVA totalizaram 92.945 habitantes com renda familiar mensal de até R$ 210 por morador
Os quatro municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço concentram a maior população total em situação de pobreza e de baixa renda do interior de Minas Gerais. O Levantamento foi realizado pelo Observatório das Metropolizações Vale do Aço do IFMG Ipatinga, com base no Cadastro Único (CadÚnico) para Programas Sociais do Governo Federal, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Ipatinga, Coronel Fabriciano, Santana do Paraíso e Timóteo também acumulam o maior percentual de pobres entre as maiores aglomerações urbanas do estado, fora da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Juntos, os municípios encerraram 2022 com 92.945 pessoas em situação de pobreza e com 184.331 pessoas em situação de baixa renda.
Critérios Em números percentuais, a região também se posiciona como a aglomeração urbana que concentra a maior proporção de pessoas em situação de pobreza no interior mineiro (21,99%), mas é superada por Governador Valadares em população de baixa renda (47,98% contra 43,61%).
Pelos critérios do CadÚnico, são consideradas pessoas em situação de extrema pobreza aquelas com renda familiar mensal de até R$ 105, considerando a soma das rendas de todos os moradores dividida pelo total de residentes no domicílio; enquanto são consideradas em situação de pobreza as pessoas que residem em domicílios com renda somada e dividida por todos os moradores da casa entre R$ 105,01 e R$ 210. Já as famílias com renda mensal total de até três salários mínimos (R$ 3.906) ou com renda de até meio salário mínimo por morador (R$ 651) são consideradas como baixa renda.
Pobres e de baixa renda Considerando as somas dos residentes, a região, com uma população de 422.684 habitantes, de acordo com a prévia do Censo Demográfico divulgada em 25 de dezembro de 2022, lidera o número de pessoas em situação de baixa renda e de pobreza entre as maiores aglomerações do interior de Minas Gerais. Juntos, os quatro municípios da Região Metropolitana totalizaram 92.945 habitantes com renda familiar mensal de até R$ 210 por morador registrada na base do CadÚnico ao fim de dezembro passado.
O número chega ser superior ao de Uberlândia, que com 725.536 habitantes na prévia de 25 de dezembro do IBGE, registrava 80.402 moradores com renda familiar mensal de até R$ 210 por pessoa. Montes Claros registrava 76.702 moradores nesta faixa, Juiz de Fora somava 75.300 pessoas em situação de pobreza, Governador Valadares aparecia com 51.797 moradores nesta situação e Uberaba somava 43.776 habitantes nesta faixa de renda.
Dentro do Vale do Aço, proporcionalmente, Ipatinga, com 50.475 pessoas (23,91%), e Santana do Paraíso, com 8.756 moradores (23,52%), eram os municípios com o maior número de moradores em situação de pobreza em dezembro de 2022; enquanto Timóteo, com 13.482 residentes ou 17,32% da população, era o município com o menor contingente populacional nesta situação.
No que diz respeito à população de baixa renda, porém, a região lidera no total absoluto, mas é superado por Governador Valadares no percentual de pessoas nesta situação. Enquanto Ipatinga, Coronel Fabriciano, Santana do Paraíso e Timóteo somaram 184.331 pessoas com renda mensal de até três salários mínimos ou com renda familiar de até meio salário mínimo por morador, o que corresponde a 43,61% da população residente, considerando a prévia do Censo Demográfico do IBGE, Valadares registrava 125.944 moradores na base do CadÚnico, o que corresponde a 47,98% de sua população residente.
Na região, a proporção de pessoas de baixa renda era maior em Coronel Fabriciano, que somava 46.206 moradores nesta condição (47,82%), seguido por Santana do Paraíso (17.705 residentes em situação de baixa renda ou 47,71% da população). Ipatinga somava 93.900 domiciliados em situação de baixa renda (44,48%), enquanto Timóteo, com a proporção mais baixa da região, somava 26.520 moradores (34,06% da população).
Combate à pobreza passa pela educação Entretanto, como lembra o coordenador estatístico e de pesquisa do Observatório das Metropolizações Vale do Aço, o geógrafo William Passos, no longo prazo, o combate à pobreza passa pela educação. Apesar do importante papel das políticas de transferência direta de renda, como o Bolsa Família, que motivaram a criação do CadÚnico dos Programas Sociais do Governo Federal, estas políticas só combatem as necessidades mais urgentes de alimentação, roupa e manutenção da moradia, isto é, tratam-se de políticas com caráter assistencial de combate à vulnerabilidade.
“Efetivamente, o combate à pobreza se faz com geração de emprego formal, algo que vem acontecendo nos quatro municípios da Região Metropolitana. Contudo, no longo prazo, a forma mais eficaz de combate à pobreza é o investimento em educação, mas não em qualquer educação. É o investimento em educação de qualidade, e nisso o governo federal certamente poderia ajudar o Vale do Aço, com a expansão do IFMG já instalado em Ipatinga, com a ampliação do Cefet, como o que temos em Timóteo – lembrando que a expansão ou ampliação pode se dar também com a criação de novas unidades em outros municípios da região –, mas, sobretudo, com a instalação no Vale do Aço de uma universidade”, alerta.
Ele acrescenta que das regiões mais importantes de Minas Gerais, o Vale do Aço é a única que não tem uma universidade pública, nem federal nem estadual, o que ele considera como “um absurdo”. Para William, uma saída alternativa poderia ser a verticalização do IFMG, oferecendo mais cursos superiores e até mesmo cursos de mestrado e doutorado.
Apesar de a Universidade Federal de Ouro Preto manter cursos superiores à distância na região, William considera insuficiente. Para ele, cursos dessa modalidade, em que pese seu importante papel social de acesso, não impactam a economia local com o que ele classifica como “economia universitária”, isto é, setor imobiliário, hospedagem, alimentação, comércio, entretenimento e lazer.
“A renda dos estudantes traz um enorme impacto à economia local, movimentando setores intensivos em contratação de mão de obra, como, por exemplo, o setor de alimentação. Com este impacto, os estudantes trazem emprego formal, massa salarial e formalização de novas empresas, o que, por sua vez, ajuda a combater a pobreza”, conclui.
Publicado anteriormente: Camada rica do Vale do Aço acumula patrimônio líquido de mais de R$ 13 bilhões