Representante de caminhoneiros chama de esmola os R$ 400 do bolsa diesel

Proposta do governo federal pode custar R$ 4 bilhões aos cofres públicos e Bolsonaro ainda não informou de onde sairá o dinheiro

22/10/2021 às 11:11
O governo do presidente Jair Bolsonaro, que enfrenta o desafio de acertar um acordo para modificar a regra do teto de gastos (que condiciona a variação das despesas públicas à inflação), também terá que encontrar uma saída para a criação de um benefício para caminhoneiros, chamado “bolsa diesel”, no valor de R$ 400.

"Números serão apresentados nos próximos dias, vamos atender aos caminhoneiros autônomos. Em torno de 750 mil caminhoneiros receberão ajuda para compensar aumento do diesel", afirmou o presidente nesta quinta-feira (21).

O auxílio seria pago de dezembro de 2021 a dezembro de 2022. O real de beneficiários (caminhoneiros autônomos) será definido no cadastro da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

O governo também explicou que a ajuda aos caminhoneiros autônomos não tem relação com o Auxílio Brasil, que pagar R$ 400 até dezembro de 2022. Na área econômica técnicos foram pegos de surpresa com o anúncio, que eleva despesas do governo para R$ 40 bilhões. Insatisfeitos com o anúncio, quatro secretários do Ministério da Economia pediram exoneração do cargo.

Esmola

O presidente da Frente Parlamentar Mista dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, deputado federal Nereu Crispim (PSL-RS), afirmou que os caminhoneiros não querem nenhum tipo de "auxílio esmola". Crispim acrescentou que os profissionais querem resolver os problemas da pauta que é ampla e passa pela política de preços para combustíveis da Petrobras.

Bolsonaro afirma que Guedes fica

Em entrevista à CNN Brasil, o presidente afirmou que gostaria que o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, permanecessem na equipe econômica e também defendeu a manutenção de Guedes.

“Paulo Guedes continua no governo e o governo segue na política de reformas. Defendemos as reformas que estão andando no Congresso Nacional, esse é o objetivo”, disse.

No total, a equipe de Paulo Guedes perdeu quatro nomes, o secretário do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencour, depois a secretária especial adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas, e o secretário adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araújo. Todos alegaram que saíram dos cargos por discordarem de medidas que furam o teto de gastos do governo e alegaram “questão de princípio” ou “razões pessoais”.

Política de preços regida pelo PPI

Por que os preços dos combustíveis sobem sem parar? A atual política de preços da Petrobrás foi colocada em vigor durante o governo de Michel Temer, que estabeleceu a chamada a política de paridade internacional (PPI), repassando os aumentos dos preços do petróleo no mercado internacional e também do dólar, modelo que foi mantido pelo governo de Jair Bolsonaro.

Só a moeda subiu quase 30% em 2020 e acumula alta de 5% neste ano. Ainda há a disparada no preço do barril do petróleo, que nesta sexta-feira (22/10) era negociado a US$ 85,15,por volta de 11h. A título de comparação, em dezembro de 2020 o barril custava US$ 47,4.

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Entenda o que é o PPI implantado no governo Michel Temer na Petrobras



Deste outubro de 2016, quando o governo Michel Temer (MDB) implementou na Petrobras o Preço de Paridade de Importação (PPI), o custo dos combustíveis não para de subir. Os economistas apontam que o PPI favorece dois setores da economia, especificamente, os importadores de derivados (Shell e Mubadala), que cresceram no país a partir de 2016 e aqueles que querem comprar as refinarias.

Além disso, assegura rentabilidade para quem comprou ação da Petrobras, à custa de quem paga os preços altos nas bombas. A composição de preços no PPI é explicado da seguinte forma pela diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Cibele Vieira:

“Em vez de formar o próprio preço considerando os custos para fazer cada derivado, [com o PPI] a Petrobrás pega o valor internacional e acrescenta o custo de importação para ficar no mesmo preço que os importadores têm para vender aqui no mercado brasileiro. No lugar de fazer o preço o mais baixo possível para concorrer no mercado contra os importadores, a Petrobrás aumenta o dela para ficar igual ao dos concorrentes. Na prática, há uma dolarização do combustível para que ceda espaço ao mercado internacional”, detalhou.
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