Cenibra será penalizada por crime ambiental

Multa pode variar entre R$ 200 mil e R$ 1 milhão, adianta representante de Núcleo Ambiental

Bruna Lage


O analista ambiental Ronildo Valente, o comandante Átila Porto e o tenente Wilson Moura

Representantes da Polícia Militar de Meio Ambiente e do Núcleo de Emergências Ambientais (NEA) estiveram nas dependências da Cenibra na manhã desta quarta-feira (19), onde foi realizada fiscalização. Conforme nota divulgada pelo Ministério Público (MP) de Ipatinga e veiculada no portal do Diário do Aço na segunda-feira (18) e na versão impressa do dia 19, a empresa foi identificada como a causadora do mau cheiro no Vale do Aço, sentido por moradores no dia 11 e parte do dia 12 deste mês. O analista ambiental do Núcleo, Ronildo Valente, adiantou que uma multa deve ser aplicada à empresa, podendo variar de R$ 200 mil a R$ 1 milhão.

Conforme divulgado à imprensa, foi detectada a emissão de gases mercaptanas (GNC – Gases Não Condensáveis – mercaptanas) pela Cenibra, por um tempo maior que o usual. O capitão Átila Porto, comandante da companhia de Meio Ambiente do Vale do Aço, informou, durante entrevista, que já tinha a informação sobre a origem do mau cheiro, desde a manhã de terça-feira (18).

“Representante da Cenibra já havia nos noticiado que teria havido um problema em sua área de produção e que possivelmente seriam eles [a empresa] os causadores do odor. Ou seja, a polícia já tinha esse conhecimento bem cedo. Havíamos feito as notificações anteriormente à empresa, para que apresentasse seus relatórios e licenças ambientais e isso foi feito. Conforme divulgado anteriormente, visitamos também outras empresas da região, e igualmente pedimos documentos. No caso da Cenibra, o prazo para apresentar as condicionantes ambientais foi dia 18 na parte da manhã”, detalhou.

O capitão acrescenta que uma nota foi emitida, não só pela Cenibra, mas por outras empresas da região, se eximindo da responsabilidade pouco depois da percepção do odor. Entretanto, a Polícia de Meio Ambiente não levou em consideração tais comunicados. “Continuamos nosso trabalho, pedimos relatórios, monitoramos e mapeamos as pessoas que haviam reclamado. A norma ambiental prevê que essas empresas que lançam resíduos, tanto líquidos, gasosos ou sólidos no meio ambiente, que quando acontece um incidente, erro humano, ou mecânico, que devem comunicar aos órgãos ambientais, especialmente à polícia de Meio Ambiente e ao NEA. Quanto mais tempo demora, isso se torna um agravante”, esclarece.

Multa
Ronildo Valente relatou que o NEA foi acionado pela polícia de Meio Ambiente no dia do evento. Ele avaliou os trabalhos anteriores à sua vinda como fundamentais para facilitar a identificação do gerador. “Nós não fomos comunicados e a empresa será penalizada por isso, por ter provocado poluição e também pelo transtorno à população. A multa será calculada e pode variar entre R$ 200 mil a R$ 1 milhão. O gás mercaptana vazou por sete horas consecutivas. Ele é colocado no gás de cozinha, para identificar se está vazando. Ele não traz muitos danos à saúde. Agora a Cenibra irá buscar tecnologias para melhorar o processo”, adianta o analista.

O representante do NEA aponta que um operário esqueceu de fechar a saída da válvula, que levou à emissão do mercaptana. “Ele pode causar dor de cabeça, náusea, mas numa quantidade muito grande de emissão. Não existe um padrão de emissão no país. Vamos ter de buscar isso fora e definir uma estratégia. A empresa fará visita técnica para verificar se existe um sistema de controle mais eficiente, os equipamentos no Brasil medem acima dos valores que eles emitem. Não adianta eu emitir 0,1 e meu método começa a partir de 5. Não vai detectar nunca”, pondera.

Nota de esclarecimento
Na tarde desta quarta-feira (18), a assessoria de Comunicação da Cenibra enviou posicionamento sobre o caso. “Em relação à nota de esclarecimento publicada pela Cenibra no último dia 12, relativa aos odores percebidos no Vale do Aço na noite anterior, a empresa comunica que, naquele momento, não havia detectado nenhuma anormalidade em seu processo produtivo e, prontamente, colocou-se à disposição das autoridades competentes. A partir da constatação da condição atípica de percepção de odor pela população, iniciou-se uma rigorosa apuração, conduzida por técnicos especializados da empresa, que detectou um acionamento do sistema de segurança de queima de gases não condensáveis (GNC – mercaptanas). Este sistema existe para evitar riscos a pessoas e equipamentos. Tão logo identificada a ocorrência, a Cenibra informou o fato ao Ministério Público Estadual, à Polícia Militar Ambiental e ao Núcleo de Emergências Ambientais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente”, destaca a nota.

Já publicado:
Fedor no ar ainda é um mistério
Causa de odor no Vale do Aço é investigada

Ainda de acordo com a empresa, “os aspectos meteorológicos do dia, com predomínio de vento no sentido Governador Valadares–Ipatinga, podem ter potencializado a percepção de odores diversos pela população. Vale ressaltar que, no Vale do Aço, não existe sistema de monitoramento da qualidade do ar capaz de detectar tal condição”.

A empresa segue ressaltando que, pelas características do referido gás produzido no processo, não há risco ou perigo de danos à saúde da população, mas apenas desconforto relacionado ao odor.

“A Cenibra iniciou a contratação de um estudo com consultoria especializada, a fim de avaliar e compreender a dinâmica de dispersão dos gases em diferentes condições atmosféricas em sua região de abrangência. O estudo será um balizador para evolução do sistema de monitoramento.

A Cenibra reafirma que monitora continuamente seu processo produtivo e cumpre com transparência todas as normas e os padrões exigidos pela legislação e pelas licenças ambientais vigentes”, conclui.



Cenibra será penalizada por crime ambiental
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: falecomoeditor@diariodoaco.com.br

Comentários

Bolsonaro 20 de Fevereiro, 2020 | 21:42
CENIBRA FICA DANDO DE BOA MOÇA E NINGUÉM FALA DAS TERRAS QUE ELA DESTRÓI LEVA O FILÉ PRO JAPÃO E DEIXA O OSSO PRO BRASIL ROER.
EMPRESAS IGUAL ESSA JÁ ERA PRA TER ACABADO.
Rodolfo Alexandre 20 de Fevereiro, 2020 | 05:57
Esse povo do VA tá cheio de mimimi... Se vigiar os que mais reclamam: jogam lixo na rua, desperdiça água, tem 5 carros na garagem... Bando de hipócritas!
Pesquisador 19 de Fevereiro, 2020 | 23:06
Tudo bem ser aplicada a multa ambiental.. mas vai a pergunta que não pode calar.. e se este gás fosse contagioso a ponto de por vidas das pessoas em risco? será que seria reparado a inresponsabilidade multando tambem a Empresa... senhores dirigentes das empresas que abrangem o VALE DO AÇO.. tenham mais respeitos com nossas vidas..serve para CENIBRA.. USIMINAS.. ARCELO MITAL.. Vidas não tem dinheiro que pague caso as percamos.
Madmax 19 de Fevereiro, 2020 | 23:03
Cenibra não está nem aí, nunca pagou uma multa é nunca vai pagar.Logo agora, que ela ganhou o Oscar de melhor filme do ano, não fui eu...Se fosse um pobre cavando um poço de peixe em sua propriedade rural, já estava penalizado é tendo sua economia no banco bloqueada
Carlos 19 de Fevereiro, 2020 | 21:54
Na cidade de Cubatão,SP, o monitoramento e online. Aqui em MG só depois que tudo acontece, a fiscalização aparece. E lembrando a noite todo gato e pardo.
Joanas 19 de Fevereiro, 2020 | 20:50
Empresa que comete crime ambiental nao importa com multa elas nao pagam.a exemplo temos a vale.

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

ENVIE O SEU COMENTÁRIO