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Mau cheiro toma conta do ar no Vale do Aço

"Que fedor é esse que atingiu a região?" Perguntaram várias pessoas na noite de terça-feira para quarta-feira

12/02/2020 às 07:06
Reprodução

Com atualização de dados às 12h40
Moradores de diversos bairros em todas as cidades da Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA) reclamaram, no fim da noite de terça-feira (11), de um forte odor que tomou conta do ar na região, que para muitas pessoas ficou irrespirável.

Em mensagens publicadas, principalmente nas mídias sociais, pessoas relataram ardência nas narinas, dor de cabeça e náuseas.

A situação foi pior, segundo os relatos, para algumas crianças e pessoas idosas com alguma dificuldade respiratória. O funcionário de uma empresa localizada no Distrito Industrial de Santana do Paraíso, afirmou que no começo da madrugada a situação ficou insustentável e as atividades na filial de uma distribuidora tiveram que ser suspensas, por uma hora, porque funcionários passaram mal. O mau cheiro se espalhava por toda área do distrito.

Cidades vizinhas também foram atingidas

A área de abrangência do mau cheiro é maior do que se pensava inicialmente. Além de Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipatinga e Santana do Paraíso, as quadro da RMVA, leitores relatam que também sentiram-se sufocados pelo mau cheio em Ipaba, no distrito de Revés do Belém (Bom Jesus do Galho) e até Pingo D’Água. “Estamos a mais de 40 quilômetros da área urbana do Vale do Aço e também fomos atingidos. Isso precisa ser apurado com muita seriedade”, escreve uma leitora em Pingo D'Água.

Mistério

A origem do forte odor é um mistério e as pessoas pedem que os órgãos ambientais investiguem a fonte do mau cheiro. “É normal que em algumas horas do dia haja disseminação de mau cheiro, numa região marcada pela presença de indústrias, mas com tamanha intensidade e como nessa noite é uma situação anormal, apurem isso, por favor”, escreveu uma leitora do Diário do Aço.

Na manhã dessa quarta-feira foi encaminhado pedido de informações às grandes empresas e órgãos de controle ambiental, numa tentativa de apurar a fonte causadora da poluição. Veja, abaixo, as respostas.

Usiminas afirma que odor não tem relação com processo siderúrgico



Por meio de nota, enviada à imprensa regional na manhã dessa terça-feira, a Usiminas informa que recebeu questionamentos da comunidade no fim da noite de terça-feira (11), sobre o incômodo gerado por um mau cheiro em algumas cidades do Vale do Aço.

"Conforme procedimento acordado com a comunidade, imediatamente as equipes técnicas da empresa foram acionadas e realizaram a aferição no entorno da usina e não foi identificada a presença de nenhum tipo de gás. Em relação ao odor, a empresa esclarece que não é proveniente de nenhum processo siderúrgico. A Usiminas reitera seu compromisso de diálogo e transparência com a comunidade e permanece à disposição", conclui a nota.

O que diz a Aperam?

Em resposta ao questionamento acerca da origem de um forte odor que tomou conta do ar atmosférico na noite de terça-feira para quarta-feira, em cidades do Vale do Aço, a assessoria de comunicação da Aperam, em Timóteo, divulgou nota em que nega qualquer relação do mau cheiro com sua atividade industrial.

A nota diz o seguinte:

“A Aperam esclarece que, em relação ao mau cheiro percebido na noite desta terça-feira (11) pela comunidade do Vale do Aço, incluindo a região Centro Norte de Timóteo, não houve nenhuma emissão de gases e odor oriundos do seu processo padrão de produção. Portanto, a empresa ressalta que o ocorrido não tem relação com seu processo industrial em Timóteo. A Aperam se coloca à disposição da comunidade e reafirma o seu compromisso com a responsabilidade socioambiental, pautado no diálogo e transparência dos seus processos”.

Copasa

Também a Copasa informou na manhã de hoje que as unidades de tratamento de esgoto em Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo operam dentro da normalidade, sem qualquer relação com o fato apresentado.

Cenibra também descarta relação com mau cheiro no Vale do Aço

Em nota divulgada por volta de 12h dessa quarta-feira (12), a Diretoria da Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) esclarece à comunidade que o forte odor percebido na região do Vale do Aço na noite de terça-feira(11) não apresenta relação com o processo de produção de celulose. “A fábrica localizada em Belo Oriente encontrava-se em operação normal nessa data”, reforça a nota.

Conforme a nota, “a Cenibra monitora continuamente seus processos e sempre mantém um canal aberto com todas as comunidades onde atua. Por isso, reitera seu compromisso com o desenvolvimento tecnológico, preservação ambiental e investimento social, garantindo a sustentabilidade do negócio”.

A indústria de Celulose é a última das grandes empresas a se pronunciar acerca do caso, que gerou grande repercussão na noite de ontem e madrugada de hoje.

Com a negativa das grandes empresas, o caso agora depende de apuração dos órgãos estaduais, de controle ambiental, que já foram acionados dada a repercussão do caso nessa quarta-feira.
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