08 de maio, de 2019 | 08:00
Comissão processante toma depoimentos hoje em Ipatinga
Testemunhas do vereador Luiz Márcio serão ouvidas nessa quarta-feira, na Câmara Municipal
Bruna Lage
Na tarde de terça-feira, integrantes da comissão prepararam as perguntas para as testemunhas
Na tarde de terça-feira, integrantes da comissão prepararam as perguntas para as testemunhasO plenário da Câmara de Ipatinga terá um momento atípico nesta quarta-feira (8). A partir das 9h, serão ouvidas as testemunhas do vereador Luiz Márcio Martins (PTC), que se tornou réu de uma ação movida pelo Ministério Público do Estado, após ser investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) no âmbito da Operação Dolos. O parlamentar cumpre medida restritiva de liberdade (prisão preventiva) desde o dia 14 de fevereiro.
Na tarde de terça-feira (7), a presidente da comissão processante, vereadora Lene Teixeira (PT), explicou que as perguntas estavam sendo formuladas para serem apresentadas às testemunhas do vereador. A responsabilidade de trazer essas testemunhas é do denunciado e a Câmara está preparada para ficar durante a manhã e todo o dia e adentrar a noite se necessário for, para ouvir as testemunhas de defesa. Já providenciamos alimentação, espaço, tudo para assegurar o direito do vereador, que é defesa”, disse.
As oitivas serão abertas ao público e, como explicado pela vereadora, permitirão ao advogado e testemunhas provar que não houve quebra de decoro parlamentar por parte de Luiz Márcio.
Lene pontua que houve um atraso nos trabalhos, em razão de o vereador não ter apresentado, no primeiro prazo de 10 dias, a sua defesa prévia. Diante da nomeação de um advogado, foi reaberto prazo para que ele apresentasse testemunhas e defesa.
Vereador
No dia 14 de maio, próxima terça-feira, o vereador já está intimado para comparecer à Câmara. O procurador da Câmara de Vereadores de Ipatinga, Adalton Lúcio Cunha, pontua que, caso haja renúncia por parte do parlamentar, perde-se o objeto e essa parte. Neste caso, o processo é encaminhado para a comissão para que possa escrever o relatório final, e enviado ao plenário.
Mantendo-se o cenário atual, terminadas as oitivas das testemunhas e a do vereador, é aberto prazo para apresentação do relatório final. Feito isso, ele vai a plenário para ser apreciado. Havendo 13 votos favoráveis ao relator, o vereador estará cassado”, concluiu Adalton.
Outros investigados
Além de Luiz Márcio são investigados no âmbito da Operação Dolos, do Gaeco, Paulo Reis (Pros), José Geraldo Andrade (Avante) e Antônio Rogério Bento (sem partido), Wanderson Gandra (PSC), Osimar Barbosa, o Masinho (PSC) e o vereador Gilmar Ferreira Lopes, o Gilmarzinho (PTC), além da filha dele, Gilcelia de Oliveira Lopes Daniel, que atuava no gabinete do pai mesmo sem ser nomeada. Desses, Andrade foi o único liberado da cadeia após pagamento de fiança e assinatura de um ajustamento de conduta com o Ministério Público para o pagamento de multas.
De todos os investigados, apenas Luiz Márcio, Masinho e Gilmarzinho ainda não apresentaram pedido de renúncia. E ainda como vereadores, eles estão sujeitos a serem processados pela própria Câmara.
Além dos dois vereadores e ex-vereadores estão presos, os assessores Ivan Menezes (gabinete de Paulo Reis) e Rodrigo Vieira Ramalho (gabinete de Masinho), acusados pelo MP de serem operadores de um esquema de recolhimento de parte dos salários dos assessores de gabinete na Câmara, uso de assessores fantasmas, entre outros delitos.
Os vereadores, ex-vereadores e assessores são acusados dos crimes de peculato, falsidade ideológica, concussão e lavagem de dinheiro. Alguns deles ainda respondem por ameaças e tentativa de obstrução da Justiça para dificultar as investigações do Gaeco. (Repórter Bruna Lage)
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