Investigação aponta que mais de R$ 300 mil foram desviados pelo vereador Gilmarzinho, em Ipatinga
Além do recolhimento de parte do salário de assessores, Gilmarzinho é investigado por nepotismo cruzado e ameaças contra vítimas
26/04/2019 às 17:00
Wôlmer Ezequiel
O gabinete do vereador Gilmarzinho foi alvo de um mandado de busca e apreensão, na tarde de quinta-feira
Atualizada às 18:07 26/04/2019 Um dia após a prisão do vereador Gilmar Ferreira Lopes, o Gilmarzinho (PTC), 63 anos, os integrantes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de Ipatinga explicaram, nesta sexta-feira (26), a prisão do parlamentar e de sua filha, Gilcelia de Oliveira Lopes Daniel, 36 anos, que atuava no gabinete do pai. Gilmarzinho está recolhido à Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, e sua filha está no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp), em Ipatinga.
Os integrantes do Gaeco informaram ontem à imprensa que Gilmarzinho é investigado por concussão, nepotismo cruzado com um vereador de Coronel Fabriciano, ameaças de morte e recolhimento de mais de R$ 300 mil de assessores, sendo o maior valor desviado, até então, no âmbito da Operação Dolos, que investiga mais seis vereadores pelos mesmos delitos. Além disso, há denúncias segundo as quais Gilmarzinho e sua filha pressionaram as vítimas a mentirem em depoimento.
Nepotismo cruzado
Conforme o promotor de Justiça Fábio Finotti, nesse caso do vereador Gilmarzinho foi descoberto um esquema de nepotismo (favorecimento de parentes a ocupar determinado cargo), porém, praticado de forma "cruzada" com um vereador de Coronel Fabriciano. "Conseguimos reunir provas que indicam nepotismo cruzado. Gilmar tinha um filho de um vereador de Coronel Fabriciano trabalhando em seu gabinete, enquanto sua filha trabalhava no gabinete desse vereador de Fabriciano. Além de improbidade administrativa, em tese, temos um crime de tráfico de influência, uma vez que havia essa troca recíproca de benefícios", informou.
O promotor ressaltou que, mesmo após as prisões de outros vereadores, foi observado que os repasses de parte do salário de assessores para Gilmarzinho eram feitos normalmente. "O que motivou a investigação é que mesmo com o início das operações e das prisões de parlamentares, os procedimentos ilícitos continuavam ocorrendo dentro do gabinete de Gilmarzinho".
Fura-fila
Além do nepotismo cruzado, o promotor de Justiça Francisco Ângelo relatou que o vereador Gilmarzinho tinha influências sobre assessores da administração municipal, que foram indicados pelo próprio vereador. "Foi possível perceber que existia uma ingerência muito grande nesses cargos indicados, dos quais ele tinha poder e acesso na administração municipal, de forma que era possível privilegiar certas pessoas, servindo como um mecanismo de 'fura-fila' para determinados serviços públicos, inclusive, na área da saúde".
Operadora do esquema
Segundo Francisco, a filha do vereador, Gilcelia de Oliveira Lopes Daniel, atuava no gabinete de seu pai como uma operadora dos esquemas ilícitos. "Ela fazia toda a articulação para que os valores fossem repassados. Até hoje já apuramos 12 testemunhas, que confirmaram tais práticas, e que houve um desvio de mais de R$ 300 mil dos assessores".
Ameaças
Outro crime pelo qual o vereador é investigado está relacionado a ameaças de morte, conforme Francisco Ângelo. "O vereador chegou a dizer que demorou muito para ocupar tal cargo e que se alguém falasse contra ele, essa pessoa poderia perder a sua vida".
Documentos
O delegado da Polícia Civil Gilmaro Alves informou, na entrevista, que no momento em que os policiais foram até o enderenço de Gilmarzinho para efetuar sua prisão, na tarde de quinta-feira (26), encontraram o vereador retirando documentos de dentro da sua residência. "Quando os policiais chegaram, Gilmarzinho estava com um veículo automotor próximo de sua casa, em companhia de outras pessoas, retirando vários documentos da casa. Ao ser questionado, em conversa preliminar com os policiais, ele afirmou que estava retirando os documentos para incinerá-los. Recolhemos esse material para análise e para verificar o que tinha de importância. A filha do vereador também foi presa em sua residência. Além disso, apreendemos celulares e mídias, e com autorização judicial, estamos tendo acesso às conversas, sendo que algumas já são objeto de interesse das investigações", concluiu Gilmaro.
HC de Paulo Reis negado
Na entrevista com os representantes do Gaeco, também foi informado que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou um habeas corpus do ex-vereador Paulo Reis (Pros), que está preso preventivamente desde o dia 27 de março.