Vereador Andrade e o irmão deixam o presídio

Liberdade provisória foi concedida mediante cumprimento de medidas cautelares que incluem até tornozeleira eletrônica

Arquivo DA


José Geraldo Andrade, 63 anos, foi preso preventivamente no dia 14/3 e liberado provisoriamente na noite de 25 de março

O vereador José Geraldo Andrade (Avante) e seu irmão, Célio Andrade, foram liberados da prisão preventiva na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, na noite de segunda-feira (25) e passam a responder em liberdade inquérito que apura o envolvimento deles com um esquema para desviar dinheiro público em seu gabinete, com o recolhimento de parte dos salários pagos a assessores nomeados para uso diverso.

O vereador, inclusive, confessou a existência da "caixinha" em depoimento no Ministério Público, na semana passada, conforme noticiou o Diário do Aço, e assinou um acordo por meio do qual se comprometeu ao pagamento de R$ 150 mil reais em multas e a renunciar ao cargo de vereador.

O advogado que atua na defesa dos irmãos Andrade, Ignácio Gomes de Barros Júnior confirmou ao Diário do Aço que a saída deles, do cárcere, deu-se após a defesa ingressar com um pedido de revogação da prisão preventiva junto à 1ª Vara Criminal de Ipatinga.

O pedido foi acatado pelo juiz José Maria Pataro, depois de um parecer favorável do Ministério Público, que condicionou a adoção de medidas cautelares, dentre as quais recolhimento domiciliar após as 20h, comparecimento em juízo em todos os atos do processo e não se mudar de endereço sem autorização expressa do juiz.

O MP também opinou pela fixação de uma fiança no valor de R$ 100 salários mínimos, o que foi inicialmente atendimento pelo juiz criminal na sexta-feira. "A defesa então fez um pedido na segunda-feira e indicou um veículo para que fosse dado em garantia para substituição do valor da fiança, o que foi acatado pelo magistrado. A prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares diversas da prisão e o vereador Andrade e seu irmão saíram da cadeia na noite de segunda-feira", detalhou o advogado.

No acordo assinado por Andrade também está citado que após a liberação da cadeia o vereador teria que usar uma tornozeleira eletrônica, que só não foi instalada no ato da soltura ontem a noite porque a Comarca de Ipatinga não dispõe do equipamento que, no entanto, pode vir de outra comarca.

Também está confirmado que após a homologação do ajustamento de conduta Andrade terá até dez dias para apresentar a sua renúncia na Câmara de Ipatinga. O vereador também pode antecipar-se e apresentar o pedido de renúncia. Andrade ficará inelegível a cargos públicos por cinco anos. Nos bastidores, o vereador já afirmou, entretanto, que nunca mais disputará cargos políticos.

O caso que envolve o vereador Andrade resulta de uma investigação, que já abrangia outros quatro vereadores, e é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), acerca do recolhimento de parte dos salários dos assessores de gabinetes. Em Ipatinga cada gabinete de vereador pode ter até oito assessores.

Quem é José Geraldo Andrade

José Geraldo Andrade tem 63 anos e é considerado um empresário de sucesso em Ipatinga. Estreante na política, Andrade foi eleito vereador em 2016, pelo PT do B, com 2.390 votos. O partido, posteriormente, virou o Avante.

Essa foi a primeira vez que o empresário, natural de Ferros, venceu uma disputa eleitoral. Andrade tem, como suplente, Avelino Cruz, também do Avante, que obteve 1,539 votos na eleição de 2016.

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Outros vereadores permanecem presos

Permanecem presos preventivamente na PDMC os vereadores Wanderson Gandra (PSC), Luiz Márcio (PTC) e Antônio Rogério Bento (Rogerinho) que renunciou ao cargo. Enquanto isso, Paulo Reis (Pros), marido da deputada estadual Rosângela Reis, tem um mandado de prisão preventiva expedido contra ele e está foragido desde o dia 15 de fevereiro. No dia 14 de março entregou, por meio de um assessor, uma carta de renúncia na Câmara e já não é mais vereador.

Já o assessor de gabinete dele, Ivan Menezes, está preso desde o dia 16 de fevereiro. Todos são investigados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), no âmbito da Operação Dolos, que apura irregularidades praticadas pelos parlamentares, entre elas, recolhimento de parte do salário dos assessores.

O que a investigação do Gaeco descobriu?

Conforme o Gaeco, grupo composto por promotores de Justiça e policiais civis e militares, o esquema para arrecadar a verba nos gabinetes dos vereadores em Ipatinga é uma prática antiga. Faltavam provas e testemunhas que aceitassem o desafio de formalizar uma denúncia. A partir das primeiras comprovações oficiais chegou-se à seguinte conclusão: o esquema de desvio de dinheiro público funcionava de mais de uma forma e com finalidades diversas.

Em uma delas, o assessor nomeado (cada gabinete pode ter até oito assessores) recebe o seu salário e entrega valores em espécie ao vereador ou chefe de gabinete encarregado de fazer a coleta.

Na segunda modalidade há a retenção do cartão bancário. Pessoas de confiança do vereador sacam o salário e repassam uma parcela ao funcionário, retendo o valor combinado para o gabinete. Havia também a manipulação na folha de ponto. A investigação aponta que alguns dos assessores eram "fantasmas" ou "laranjas", usados apenas para que o vereador recebesse o pagamento.

Por fim, investigadores apuraram a prática em que o vereador determinava a realização de empréstimos bancários por parte de servidores com o saque e transferência para contas de terceiros, usados como "laranjas". Cabia a esses devolver o dinheiro ao vereador.

A destinação do dinheiro arrecadado também era diversa. Para o Gaeco, além do enriquecimento ilícito, o dinheiro exigido dos assessores servia para realização de campanhas políticas dos vereadores em seus redutos eleitorais, visando à vitória deles nas próximas eleições. O dinheiro também era usado para pagar despesas de empresas dos vereadores e até despesas pessoais.

Inicialmente, 12 pessoas foram denunciadas pelo Gaeco por envolvimento com o esquema criminoso, entre vereadores, assessores, contadores, corretores de imóveis e comerciantes. Depois, com a prisão de Wanderson Gandra, mais três pessoas foram denunciadas.

Orçamento para 2019

A Lei do Orçamento Anual (LOA) prevê, para 2019, repasses da ordem de R$ 29.845.000 à Câmara de Ipatinga. Desse total, R$ 26.068.000 serão usados para pagamento dos servidores e encargos sociais no âmbito do Legislativo.

Comentários

Palhaço 27 de Março, 2019 | 09:39
Morri de rir ontem, os dois mal saíram da cadeia, e já começou a atacar o governo nas redes sociais, kkkkkkkkkkkkkk este irmão do ex vereador ai deve ter alguma magoa com o governo da cidade so pode kkkkkkkkkkkk, por que antes eu achava que era por que o irmão queria sentar na cadeira de prefeito, agora como ele não pode nem ficar na festinha ate depois das 20:00, o irmão ainda continua kkkkk

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