Vereador Andrade é o primeiro a confessar esquema na Câmara de Ipatinga, afirma Gaeco

Conforme os investigadores, Andrade confessou recolhimento de parte dos salários de assessores para uso em fins particulares, inclusive, patrocínio de equipes de futebol

Wôlmer Ezequiel


Integrantes do Gaeco explicaram a prisão do vereador Andrade e de seu irmão, Célio Andrade
Atualizado às 16h54
Os integrantes do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) explicaram nessa terça-feira (19), a prisão do vereador José Geraldo Andrade (Avante) e de seu irmão, Célio Andrade. Atualmente, eles estão recolhidos à Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho (PDMC), em Ipaba, assim como os outros vereadores presos. A expectativa é que denúncia contra Andrade e seu irmão deverá ser oferecida à Justiça ainda nessa semana.

Vereador e irmão foram presos preventivamente na semana passada, como forma de preservar o desenvolvimento das investigações. Eles são investigados por recolher parte do salário de assessores parlamentares para diversos fins. A mesma prática levou ao pedido de prisão de outros vereadores de Ipatinga, como Wanderson Gandra (PSC), Luiz Márcio (PTC), Rogério Antônio Bento, o Rogerinho (atualmente sem partido) e o ex-vereador Paulo Reis (Pros), que ainda está foragido, e do assessor parlamentar Ivan Menezes.

Os vereadores presos não estão nas mesmas celas comuns, ocupadas por outros criminosos. Eles estão recolhidos no Centro de Observação Criminológica (COC) da PDMC, onde ocorre a triagem dos detentos. Como já se passaram mais de 30 dias das primeiras prisões, suplentes começaram a ser chamados para ocupar as vagas na composição do plenário, conforme o Diário do Aço noticiou nessa terça-feira.

Confessos

O promotor de Justiça, Francisco Ângelo Assis, confirmou que Andrade foi o primeiro vereador a confessar o esquema montado em seu gabinete para recolher parte do salário de assessor. Além de Andrade, seu irmão confessou a prática criminosa. "O vereador também disse ter conhecimento que esses fatos são antigos, que sempre ocorreram na Câmara. E com isso, resolveu aderir a essa conduta. Ele entende o caráter criminosa dessa prática de recolher parte do salário dos assessores, mas achou que isso era pertinente. Andrade também disse que não tinha benefício pessoal direto com a arrecadação de dinheiro, mas, por outro lado, ele admite que distribuía os valores para doações com interesse político e para patrocínio de times de futebol (amador) e de suas próprias empresas", detalhou.

Em relação ao irmão de Andrade, que não é assessor parlamentar, Francisco Ângelo afirmou que ele teve participação na tentativa de prejudicar as provas dos crimes que ocorreram no gabinete do parlamentar. "No primeiro momento, Célio interferiu na produção de provas, no sentido de assumir a responsabilidade para proteger o seu irmão vereador. Mas com o tempo, resolveu voltar atrás e contou a verdade. Estamos apurando ainda, mas o que temos é que Célio seria um comparsa. A função dele seria dar apoio parlamentar e fazer as injunções junto com o chefe de gabinete para arrecadar os valores. Então ele interferia tanto na chegada da demanda quanto na destinação do recurso", contou.

Chefe de gabinete

O delegado da Polícia Civil, Gilmaro Alves, ressaltou que as investigações em relação ao vereador Andrade também apontam o envolvimento do chefe de gabinete, Paulo Sérgio de Oliveira, nas práticas ilegais. "É uma pessoa que chegou, inicialmente, a procurar o Gaeco para que pudesse ser ouvido. Nessas oitivas, foi um dos primeiros a desvelar essa situação que ocorria no gabinete, ou seja, repasse de valores salariais. Por causa da colaboração, não foi necessária a prisão preventiva dele", citou.

Áudios

Entre as provas, Gilmaro Alves informou a existência de áudios que demonstram diálogos no gabinete do parlamentar, entre uma assessora e Andrade, nos quais ficaram evidenciados os repasses de parte do pagamento da assessora. "O valor repassado pela assessora é em torno de R$ 1,5 mil mensais para a caixa que existia no gabinete do vereador. No cumprimento de busca e apreensão, foi apreendido um caderno no gabinete do Andrade contendo os destinos dos valores que eram recolhidos de assessores", afirmou o delgado.

Delação premiada

O promotor de Justiça, Matheus Beghini, acrescentou que mesmo com o vereador Andrade e seu irmão confessando a existência do crime na Câmara de Ipatinga, por enquanto não haverá acordos de delação premiada. "É um instrumento muito utilizado pelo Gaeco, mas nesse caso, por ora, ainda não se vislumbrou a necessidade da delação premiada", esclareceu.

A defesa do vereador José Geraldo Andrade informou, em nota enviada ao Diário do Aço, que o parlamentar "sempre demonstrou, e continua a demonstrar, enorme apreço pela Justiça, e buscou auxiliar nas investigações da melhor maneira possível". A defesa é feita pelos advogados Ignácio Luiz Gomes de Barros Júnior e Bernardo Coelho.

Outros vereadores

Em relação à investigação da atuação ilegal de outros parlamentares, o promotor Matheus Beghini destacou que além da confissão, Andrade contou ao Gaeco que o recolhimento de parte do salário de assessores é feito por outros vereadores. "Isso está sendo objeto de apuração pelo Ministério Público e Gaeco. A questão é crônica. Já é de algum tempo que esse sistema foi montado. Então as vítimas que tiveram parte do seu salário desviado para os vereadores, podem comparecer ao Gaeco, assim como várias já nos procuraram após a primeira entrevista coletiva acerca desse assunto", salientou.

Promotores buscam acordo para ressarcir servidores

Conforme o promotor de Justiça, Bruno Schiavo, há diversos tipos de punição para os vereadores que desviaram dinheiro dos assessores, entre eles, o ressarcimento de valores. "É possível entrar em um acordo no âmbito do patrimônio público em relação a todos os prejuízos causados. Isso já tem sido feito com o vereador Andrade. As tratativas estão bem adiantadas e, em breve, esperamos concluir um acordo que prevê a devolução daquele dinheiro que foi subtraído dos assessores, bem como a fixação de multas e danos à própria Câmara".

Assessores que tiveram pagamentos retidos são tratados como vítimas

Bruno Schiavo relatou que na maioria dos casos, os assessores são tratados como vítimas de um crime de concussão na Câmara de Ipatinga. O promotor também informou que ainda não é possível mensurar o valor total desviado dos gabinetes. "Se eles não repassassem parte do seu dinheiro, os assessores não permanecer nos cargos. Então são considerados vítimas. Já alguns entraram no esquema e participaram do recolhimento de dinheiro, mas foram denunciados. Então nós estamos pedindo a devolução dos valores que foram surrupiadas das vítimas", concluiu.


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Comentários

Joao 21 de Março, 2019 | 00:13
Fabriciano esta clamando gaeco... Por favor, antes que chegue a eleição
Minha Opinião 20 de Março, 2019 | 08:15
Um homem riquíssimo fazer uma bobagem dessas!!!Se quiser conhecer uma pessoa,dê poder à ela!!!
Marco Túlio Miranda 20 de Março, 2019 | 07:50
Será que o pessoal do GAECO não pode passar pela prefeitura e camara de Cel Fabriciano? Só pra dá uma conferidinha.
Pedrin Perito 19 de Março, 2019 | 19:15
Era meu futuro candidato a prefeito.Sujou!
Jucilene 19 de Março, 2019 | 16:31
Bom trabalho!
Como faz pra denunciar tem um telefone, site?
Boneca 19 de Março, 2019 | 16:29
Eu li FINS PARTICULARES???? Pelo amor de Deus, ate voltei pra comentar novamente ue. O velho tem dinheiro e ainda queria mais?
Boneca 19 de Março, 2019 | 16:26
Não entra na minha cabeça como que um senhor com o financeiro perfeito, faz umas cagadas dessas? E o pior, ainda coloca a família, apesar que este irmão dele e maior doidão. Realmente a ganancia destrói e mata. Pior e que ficava falando mal dos que tinham sido presos antes dele, kkkk.

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