05 de julho, de 2026 | 08:00
Ambientalistas cobram preparação das cidades do Vale do Aço para possível intensificação do El Niño
Por Matheus ValadaresA possibilidade de um novo ciclo de eventos climáticos extremos no Vale do Aço motivou representantes da I Conferência Livre do Meio Ambiente do Vale do Aço a encaminharem uma carta aberta às prefeituras da Região Metropolitana e a diversas instituições públicas cobrando medidas preventivas e maior transparência na preparação dos municípios.
O documento foi elaborado na conferência realizada em junho, em Coronel Fabriciano, e expressa preocupação com os alertas emitidos por organismos meteorológicos e pela comunidade científica sobre os possíveis impactos do fenômeno El Niño 2026/2027.
Arquivo DA
Catástrofe que atingiu Ipatinga em janeiro de 2025 tirou a vida de 10 pessoas e deixou centenas de pessoas desabrigadas
Catástrofe que atingiu Ipatinga em janeiro de 2025 tirou a vida de 10 pessoas e deixou centenas de pessoas desabrigadas Entre os signatários da carta estão o membro do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Codema) de Ipatinga, Vander Almeida, e o professor e ex-vereador Robinson Ayres Pimenta. Os dois estiveram na redação do Diário do Aço para apresentar as preocupações debatidas durante o encontro.
Segundo Vander, o debate regional surgiu a partir das discussões anteriores, na Conferência Municipal de Meio Ambiente de Ipatinga, que teve como foco as mudanças climáticas e seus reflexos para a população.
A conferência foi para discutir as mudanças climáticas, o aumento da temperatura, tendo em vista o que aconteceu em Ipatinga em janeiro de 2025, em que houve 10 mortes no município e 11 na região. Essa conferência deu origem à primeira conferência regional de meio ambiente”.
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Matheus Valadares
Robinson Ayres e Vander Almeida defendem que medidas sejam tomadas para mitigar os efeitos de fenômenos naturais
Robinson Ayres e Vander Almeida defendem que medidas sejam tomadas para mitigar os efeitos de fenômenos naturaisE a preocupação não é por acaso. Em maio de 2024, um estudo divulgado pelo governo federal apontou que 78 mil pessoas vivem em áreas de risco no Vale do Aço, conforme, noticiado pelo Diário do Aço.
Já em fevereiro de 2025, depois da catástrofe que atingiu a cidade, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontou que Ipatinga é quarta cidade mineira com mais áreas de riscos de deslizamentos. Leia a notícia aqui.
Alerta após tragédia
Para Robinson Ayres, a preocupação com os possíveis efeitos do El Niño ganhou força após os desastres registrados no início de 2025. A conferência regional ficou muito em volta do Super El Niño. A perspectiva de o El Niño chegar aqui mais forte é muito grande. A nossa preocupação foi mais acentuada com o que ocorreu no ano passado, com 11 mortes”, observou.
O professor também chamou atenção para o histórico de eventos climáticos severos na região e avaliou que os episódios recentes indicam a necessidade de reavaliar as políticas de prevenção.
Nós tivemos em 1979 enchentes consideráveis, já tivemos outras mortes por desastres ambientais, mas essas mortes por fenômenos naturais foram minimizadas, e até mesmo zeradas, pelas intervenções feitas na administração do Chico Ferramenta. As últimas mortes registradas foram em 1993, com seis mortes. Trinta e um anos depois tivemos problemas dessa natureza, o que sinaliza para que, ou neste período todo houve assentamentos de pessoas em áreas de risco, ou aquilo que a gente tinha de iniciativas que preveniram e garantiram segurança nas cidades já não estão mais eficientes”, analisou.
Cobrança por planejamento
Na carta aberta, os participantes da conferência defendem que os municípios adotem medidas preventivas enquanto ainda há tempo para reduzir os impactos de possíveis eventos extremos.
Entre as propostas apresentadas estão a elaboração e divulgação de planos de contingência, definição de rotas de fuga, preparação de abrigos, fortalecimento das Defesas Civis, limpeza de bueiros, desassoreamento de rios, contenção de encostas e ações voltadas à retirada de famílias de áreas de risco.
A intenção foi chamar as administrações, enquanto é tempo, para tomarem as iniciativas, não para prevenir, pois o tempo para prevenção é mínimo, mas pelo menos mitigar os impactos e proteger a população”, destacou Robinson. Outro ponto defendido pelos participantes é a promoção de audiências públicas para informar a população sobre riscos e ações em andamento.
Meio ambiente e áreas de risco
Além das medidas emergenciais, os representantes da conferência defendem a adoção de políticas permanentes de planejamento urbano e preservação ambiental. Vander Almeida afirmou que uma das diretrizes aprovadas durante a Conferência Municipal de Meio Ambiente de Ipatinga foi a criação de uma secretaria exclusiva para a área ambiental.
Matheus Valadares
Em maio de 2024, um estudo divulgado pelo governo federal apontou que 78 mil pessoas vivem em áreas de risco no Vale do Aço
Em maio de 2024, um estudo divulgado pelo governo federal apontou que 78 mil pessoas vivem em áreas de risco no Vale do AçoA nossa preocupação é que até hoje nós não temos conhecimento de quais ações e execuções de deliberações feitas na conferência foram efetivadas pela administração. Uma das diretrizes para Ipatinga foi a criação de uma secretaria municipal exclusiva para o Meio Ambiente”, afirmou.
Segundo ele, a medida seria importante diante das características do município, que concentra atividade siderúrgica, mineração e grande circulação de veículos.
Outras propostas defendidas pelos participantes incluem a ampliação de programas habitacionais para retirada de moradores de áreas de risco, execução de obras de contenção de encostas e fortalecimento da arborização urbana.
Vander também destacou a importância da preservação de áreas verdes e comemorou a retirada da Gleba 4, no bairro Horto, de processo de leilão, por se tratar de uma área de regeneração da Mata Atlântica.
Timóteo inicia plano de redução de riscos
Enquanto entidades ambientais cobram preparação dos municípios, Timóteo anunciou que iniciou a elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV).
O plano tem como objetivo mapear áreas suscetíveis a movimentos de massa e inundações, propor obras de mitigação e desenvolver ações preventivas junto às comunidades.
O trabalho prevê a identificação das áreas mais vulneráveis da cidade e a elaboração de medidas estruturais e não estruturais voltadas à redução de riscos. Levantamento preliminar aponta 14 setores classificados como de risco muito alto, onde vivem cerca de 2,8 mil pessoas.
Segundo a administração, o PMRR será desenvolvido ao longo de 12 meses e integra o programa Periferia Sem Risco, do Ministério das Cidades, com foco na prevenção e preparação para desastres.
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