08 de junho, de 2026 | 13:33
Pedido de vista adia novamente votação das contas de Douglas Willkys em Timóteo
Matheus Valadares
A votação das contas do ex-prefeito de Timóteo Douglas Willkys, referentes aos exercícios de 2019 e 2020, foi novamente adiada nesta segunda
Por Matheus Valadares Atualizado às 17h12
A votação das contas do ex-prefeito de Timóteo Douglas Willkys, referentes aos exercícios de 2019 e 2020, foi novamente adiada nesta segundaA votação das contas do ex-prefeito de Timóteo Douglas Willkys, referentes aos exercícios de 2019 e 2020, foi novamente adiada nesta segunda-feira (8). A apreciação estava prevista para ocorrer durante reunião extraordinária da Câmara Municipal, mas um pedido de vista feito pelo presidente da Casa, Adriano Alvarenga (PRD), suspendeu a deliberação por cinco dias úteis.
A sessão estava marcada para 10h30 e teve início por volta das 11h05, com a presença de todos os 15 vereadores. O novo adiamento ocorre após quase seis meses de debates, muitas articulações de bastidores e uma votação anterior anulada. As contas de 2019 receberam parecer favorável do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG, porém com ressalvas. Já as contas de 2020 foram aprovadas sem ressalvas pelo órgão técnico. Apesar disso, a Comissão de Orçamento e Finanças da Câmara, composta por três vereadores, elaborou relatório contrário ao entendimento do Tribunal e recomendou a rejeição das contas dos dois exercícios.
Recado ao atual prefeito
A minha consciência permanece tranquila. A cada vez que a gente tem a oportunidade de trazer mais argumentos, seja através da nossa defesa ou seja através dos próprios vereadores que estão entendendo o melhor assunto, para mim vai ficando cada vez mais claro e fico feliz que a população também consiga enxergar isso, que nós não cometemos nenhum erro”, afirmou ao Diário do Aço o ex-prefeito.
O Tribunal de Contas já se posicionou que não houve nenhum prejuízo ao Erário, não houve nenhuma conduta equivocada da nossa parte e o nosso objetivo é de fato fazer o que foi falado aqui hoje, que a verdade realmente seja estabelecida e que quem tem aqui hoje o papel de votar, vote com a consciência tranquila sabendo de fato o que está acontecendo e qual a decisão que está sendo tomada com as contas que estão sendo votadas, não na tentativa da atual gestão de antecipar o processo eleitoral de 2028, com medo de que a gente se encontre lá na frente. Recado para o senhor prefeito, eleição é na urna”, declarou Douglas Willkys.
Vereadores se posicionaram
Mas antes do pedido de vista, alguns vereadores manifestaram sobre o tema e já anteciparam os seus respectivos votos. O professor Diogo (PT) defendeu a aprovação das contas do ex-prefeito e afirmou que não houve improbidade administrativa. O parlamentar também contestou a informação de que haveria parecer com ressalvas do TCE.
Na sequência, Brinnel Tozatti (PL) se manifestou pela reprovação das contas. Também se posicionaram pela rejeição os vereadores Marcus Fernandes (PMB) e Lair Bueno (Solidariedade), presidente da Comissão de Orçamento e Finanças. Marcus afirmou, ainda, que seu voto tinha caráter político e disse não ver problema nisso.
Já a parlamentar Renara Cristina (Novo) falou em favor do ex-prefeito. Nós recebemos o relatório do TCE para a Câmara aprovar as contas do Douglas. Não houve danos ao Erário, nem enriquecimento ilícito. O TCE não apontou ato doloso de improbidade administrativa. Estão querendo tirá-lo da disputa de 2028”, afirmou a vereadora.
Interferência da Prefeitura
Antes da votação, o presidente da Câmara, Adriano Alvarenga, citou uma notícia de fato” apresentada ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), segundo a qual o prefeito Vitor Prado (Republicanos) teria exercido pressão indevida” sobre vereadores para que as contas de Douglas fossem rejeitadas, com o objetivo de torná-lo inelegível nas eleições de 2028.
Eu ouvi atentamente quando disseram que o ex-prefeito Douglas Willkys mandou mensagem, e para mim também mandou, mas ele disse o seguinte: que você possa ter luz na sua avaliação e que ela possa ser de fato justa. Diferente da mensagem que veio do chefe do Executivo. Nós temos a secretaria de Governo do atual prefeito trabalhando ininterruptamente para poder visitar os vereadores, e eu provo”, discursou Alvarenga.
Ao pedir vista da apreciação das contas de Douglas, Adriano sugeriu que seus pares estudem, mais uma vez, o processo e afirmou que a possível tentativa de interferência do Executivo deve ser investigada.
Sugiro que todos os vereadores revisitem o processo. Este meu pedido de vista é para obtermos mais informações e reavaliar nossas posições com o princípio da verdade e sem questões políticas. Não vou votar politicamente, vou votar tecnicamente. O TCE defato aprovou as duas contas, não houve nada que trouxesse danos ao erário, está claro no parecer do Tribunal. E a questão da denúncia de interferência do Executivo no julgamento do Legislativo precisa ser investigada”, pontuou.
Defesa fala em julgamento político”
Durante a sessão, o advogado Hamilton Roque, procurador de Douglas Willkys, fez sustentação oral no plenário por 30 minutos, sendo 15 minutos para tratar das contas de 2019 e outros 15 minutos para as contas de 2020. Ele defendeu a aprovação das contas e criticou a condução do processo.
A defesa ocupa com muita serenidade a tribuna para pleitear a aprovação das contas do ex-prefeito”, afirmou. Em outro momento, Hamilton disse que o processo colocava em discussão se o julgamento seria conduzido como um processo de verdade ou de mentira”.
O que se afigura é se esse processo vai ser transformado em um processo de verdade ou de mentira. Eu conheço cada folha desse processo e conheço o relatório que foi emitido pela Comissão de Finanças”, declarou.
O advogado também afirmou que não foi assegurado ao ex-prefeito o sagrado direito da ampla defesa”. Segundo ele, os pareceres do Tribunal de Contas foram favoráveis à aprovação das contas. É um julgamento estritamente político. Não posso deixar de demonstrar que, além disso, os pareceres do Tribunal de Contas, ambos os pareceres, foram no sentido da aprovação das contas. O ineditismo, com todo respeito, de se rejeitar essas contas, vai reforçar o que estou dizendo e vai pregar uma mancha na Câmara desta cidade”, afirmou.
Sem prova técnica” e distribuição de cargos
Hamilton também sustentou que a comissão não apresentou prova técnica de que houve operação indevida das contas.
A tese de um movimento para prejudicar Douglas politicamente foi reforçada pelo próprio ex-prefeito em entrevista após a sessão e comentou sobre as denúncias de possíveis interferências do atual Poder Executivo.
O que me estranhou muito nessa nova tentativa de votação foi a ampliação do que alguns vereadores chamaram de uma tentativa ilegítima de interferência do Poder Executivo, mais uma vez, de uma forma diferente da anterior. Na tentativa de votação anterior, esse plenário estava cheio de funcionários da Prefeitura, gente no horário de serviço, com cartazes, tentando influenciar os vereadores no seu posicionamento, que, como já falei aqui, tinha que ser extremamente técnico. Nessa nova tentativa de votação, o Executivo Municipal mudou a estratégia e passou a ir diretamente aos vereadores. Para alguns a gente viu uma movimentação muito estranha de nomeações, de cargos sendo concedidos, de benesses na prefeitura sendo realizadas, e isso chamou muita atenção. O que a gente está vendo aqui é a tentativa do Poder Executivo de cansar os vereadores pelo medo”, concluiu Douglas.
Já publicado:
Presidente da Câmara de Timóteo anula processo e votação das contas de Douglas Willkys será remarcada
Novo julgamento das contas de Douglas Willkys ainda não tem data definida
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

















