12 de março, de 2026 | 15:36

Plano de Uso da Estrada do Salão Dourado no Parque Estadual do Rio Doce é debatido

Divulgação
Recuperação da ponte queimada permanece embargada por descumprimento de termos contratuais em relação aos materiais empregados Recuperação da ponte queimada permanece embargada por descumprimento de termos contratuais em relação aos materiais empregados

O município de Marliéria, representado pelo prefeito Hamilton Lima e pelo coordenador de Assuntos Jurídicos Fabrício Araújo, participou de uma oficina promovida pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) no Centro de Treinamentos do Parque Estadual do Rio Doce (PERD).

O encontro, na quarta-feira (22), teve como objetivo estabelecer diretrizes para a elaboração do Plano de Uso da Estrada do Salão Dourado, via que liga o município de Pingo-d’Água ao distrito de Cava Grande, em Marliéria, atravessando o parque de leste a oeste e cruzando o Rio Doce pela conhecida Ponte Queimada.

Além dos representantes de Marliéria e Pingo-d’Água, participaram do evento membros da sociedade civil organizada, associações locais e representantes do Ministério Público de Minas Gerais. O Ministério Público foi representado pela promotora de Justiça, Bruna Bodoni, titular da 4ª Promotoria de Justiça de Timóteo, e pela promotora Mariana Melo, coordenadora das Promotorias de Meio Ambiente da Bacia do Rio Doce.
Encontro reuniu representantes de municípios, MP, e sociedade civil para discutir regras de uso da via que atravessa o PERD e inclui a Ponte Queimada.Encontro reuniu representantes de municípios, MP, e sociedade civil para discutir regras de uso da via que atravessa o PERD e inclui a Ponte Queimada.

A oficina foi conduzida por servidores do IEF e do Instituto Ekos, que apresentaram um panorama da realidade da Estrada do Salão Dourado, incluindo o histórico de uso da via, características ambientais da região e exemplos de regulamentação em outras unidades de conservação que possuem estradas em seu interior.

De acordo com a normativa do IEF, a estrada está situada em uma Zona de Uso Moderado do parque, o que exige que o ambiente seja mantido o mais próximo possível de suas condições naturais. O uso da via deve conciliar atividades de conservação, proteção ambiental, pesquisa, monitoramento da biodiversidade e visitação controlada, sendo vedado o tráfego irrestrito de veículos ou sua utilização como atalho rodoviário.

Durante a reunião também foi definida a instalação de guaritas ou portarias com funcionamento 24 horas, que irão controlar o acesso à estrada. O trânsito regular deverá ocorrer apenas dentro do horário de funcionamento do parque, com medidas de segurança voltadas à proteção da fauna, da flora e dos visitantes, além de adaptar o uso da via para atividades de turismo ecológico.

O documento final com os detalhes do Plano de Uso da Estrada do Salão Dourado, que também incluirá a regulamentação da Ponte Queimada, será elaborado pelo IEF com base nas diretrizes discutidas durante o encontro.

Na ocasião, a promotora Mariana Melo, ressaltou a importância de conscientizar a população local sobre a nova realidade de uso da estrada, destacando que a via não poderá ser utilizada como no passado, quando funcionava como uma estrada pública de ligação entre comunidades. A determinação é que a estrada passe a operar exclusivamente como uma estrutura do parque, atendendo aos princípios de conservação ambiental, educação ambiental e turismo controlado.

Situação atual da Ponte Queimada



Com a obra inacabada, o acesso à ponte permanece bloqueadoCom a obra inacabada, o acesso à ponte permanece bloqueado
A obra de recuperação da Ponte Queimada permanece embargada pelo Município de Marliéria, em razão de descumprimento contratual por parte da empresa vencedora da licitação. A obra de arte está interditada desde agosto de 2023, dada a deterioração dos dormentes que forram o tabuleiro, agravada por um incêndio criminoso, conforme noticiado pelo Diário do Aço.

De acordo com o município, a empreiteira foi formalmente notificada diversas vezes sobre inconformidades nos materiais utilizados na obra, mas as notificações não foram respondidas ou atendidas, o que levou ao embargo e à paralisação total dos trabalhos.

A obra atualmente embarga começou em setembro de 2025, como resultado de uma emenda parlamentar, que destinou R$ 1.066.774,03 dos cofres públicos federais, para a recuperação completa da ponte.

Um processo administrativo está em andamento na Corregedoria-Geral do Município e pode resultar na rescisão do contrato, além da aplicação de sanções previstas na legislação de licitações.

Atualmente, a ponte apresenta uma situação irregular: um terço do tabuleiro foi substituído com material considerado inadequado, outro terço encontra-se sem tabuleiro e a parte restante ainda tem a estrutura antiga. O acesso ao local permanece bloqueado devido ao embargo.

O uso da estrada e da Ponte Queimada também é tema de uma Ação Civil Pública, proposta pelo Ministério Público contra o IEF e o Município de Marliéria. Na ação, o MP solicita que a Justiça estabeleça prazo para que o IEF regulamente o uso da estrada e implemente sistemas de controle de acesso, conforme previsto no Plano de Manejo do Parque Estadual do Rio Doce.

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