Acusados da morte de Caio Domingues viram réus na Justiça
03/05/2023 às 11:30
Wellington Fred
Os advogados, Renato Schwartz, Marina Suda e Ignácio Barros, com os pais de Caio, Rewter e Arlete
Acompanhados dos pais de Caio Campos Domingues, de 38 anos, morto em uma emboscada, os advogados Ignácio Barros, Renato schwartz e Marina Suda, receberam a imprensa na manhã desta quarta-feira (3), para explicar o andamento do processo que envolve duas pessoas acusadas do crime. Na entrevista, o advogado Ignácio Barros explicou que o devido processo legal está em andamento, a Justiça acatou a denúncia do Ministério Público contra os dois denunciados e atualmente está aberto o prazo para a manifestação da defesa dos dois acusados: a ex-esposa da vítima, Luith Silva Pires Martins, de 39 anos, acusada de ser a mandante do crime, e João Victor Bruno Coura de Oliveira, de 20 anos, que confessou em depoimento às polícias Civil e Militar, ser o executor do crime, sob promessa de pagamento de R$ 10 mil.
Caio foi assassinado com três tiros em uma emboscada no dia 4 de abril, a poucos metros da chácara onde morava com a família, a esposa e dois filhos menores de idade em uma área rural no distrito de Lavrinha, em Jaguaraçu. Os pais, Rewter Marques Domingues, de 60 anos e Arlete Aparecida Campos Domingues, de 55 anos, também se manifestaram na entrevista. Assista ao vídeo que está no rodapé da notícia.
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Caio foi assassinado com três tiros em uma emboscada no dia 4 de abril
Detidos pouco menos de 12 horas depois do crime, os dois acusados chegaram a ficar recolhidos ao cárcere, mas tiveram a prisão preventiva relaxada pela Justiça Criminal da Comarca de Timóteo, conforme noticiado pelo Diário do Aço. Os dois tiveram a prisão preventiva relaxada, mas o Ministério Público recorreu e acabaram presos novamente, dia 27 de junho.
O outro lado
Procurada pela imprensa na tarde desta quarta-feira, uma advogada que atua na defesa da denunciada informou que não iria se pronunciar naquele momento e aguardaria a decisão da família sobre um possível posicionamento acerca do caso.
Preso, morador de Cava Grande confessou o crime e entregou arma usada no assassinato de caio
Denunciados viram Réus na Justiça
Enquanto isso, o processo está em andamento e a Justiça acatou a denúncia contra os dois investigados. Isso significa que ambos se tornaram réus. O relatório da polícia mostra que inexiste registro de qualquer agressão de Caio contra a esposa. Ela, inicialmente, alegou para a Polícia Militar ao ser presa, que tinha encomendado a morte do marido, por ser agredida por ele. Depois, passou a negar qualquer envolvimento com o crime. Ao ser ouvida em depoimento, optou por ficar em silêncio, conforme lhe assegura a lei.
Já, o executor, João Victor Bruno Coura de Oliveira confessou que participou de uma emboscada, combinada com a mulher, para matar Caio Domingues, de forma que o crime parecesse um latrocínio (roubo seguido da morte da vítima). No depoimento à Polícia Civil ele negou que tivesse um relacionamento pessoal com a mulher, contradizendo o que já havia afirmado antes de ser ouvido na delegacia. Disse que agiu somente mesmo pela promessa de pagamento de R$ 10 mil.
João Victor afirmou que realmente conhecia a mulher havia dois meses. E ela prometeu que lhe arranjaria R$ 10 mil caso matasse o marido dela. João afirmava que tinha dívida com traficantes e que há duas semanas participou do planejamento do crime, com a mulher. Os documentos do empréstimo foram encontrados em outro veículo que o casal usava. Sobre a motivação da mandante, a defesa aponta o resultado da investigação da Polícia Civil: "Teve motivação financeira. A mandante tinha diversos processos de cobrança, isso é público no Tribunal de Justiça. São dívidas que chegam a até R$ 300 mil. A polícia apurou que o Caio não concordava em pagar as dívidas que ela contraiu e por isso ela teria programado essa emboscada", detalhou Ignácio Barros.
Luith e Caio eram casados havia 12 anos. Em relação aos dois filhos do casal, os advogados explicaram que foi aberto um processo para a guarda do menino e da menina, mas esse processo - por envolver menores de idade - tramita sob segredo de Justiça e nada pode ser revelado.
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Organograma de uma emboscada, segundo relatório da Polícia Civil
Provas em vídeos mostram passo a passo de planejamento do crime
Pesa contra os dois denunciados, vídeos de câmeras de segurança, segundo os quais, no dia do crime a mulher e o assassino confesso passaram juntos a maior parte do dia, no planejamento da emboscada a Caio Domingues.
Eles foram filmados em uma loja, em Timóteo, comprando as roupas que o assassino usaria no dia do crime. Segundo aponta a investigação, ao pagar pela roupa que o assassino usava, a mulher usou a chave de PIX de uma conta usada pelo próprio filho.
Os dois também estiveram em Ipatinga onde compraram munição para o revólver usado na execução. Também foram vistos em um posto de abastecimento em Cava Grande, onde encheram um pneu da caminhonete Fiat Toro que a mulher dirigia. O pneu furou e precisou de reparo em uma borracharia.
Ao passar o dia juntos ficou acertado como seriam descartadas, as roupas e a arma que o assassino usou. Quando foi preso, na madrugada do dia 5 de abril, João Victor levou os policiais militares ao local onde tinha dispensado o revólver, calibre 38.
Em relação aos dois filhos do casal, os advogados explicaram que foi aberto um processo para a guarda do menino e da menina, mas esse processo tramita sob segredo de Justiça e nada pode ser revelado.