06 de maio, de 2022 | 15:52

Jovem foi estuprada antes de ser morta à margem do ribeirão Ipanema, em Ipatinga

Investigações da Polícia Civil concluíram que os dois suspeitos já presos vão responder por feminicídio e estupro junto à Justiça

Wellington Fred/Reprodução
Delegado afirma que Emanuela Souza foi assassinada depois de muito sofrimento Delegado afirma que Emanuela Souza foi assassinada depois de muito sofrimento
Estuprada, agredida violentamente e ainda morta asfixiada por meio de esganadura, quando são usadas as mãos envoltas no pescoço da vítima. Estas são as conclusões das investigações da Polícia Civil sobre o assassinato de Emanuela Souza Lima Ribeiro, de 22 anos. Ela foi encontrada morta à margem do ribeirão Ipanema, entre o Parque Ipanema e o bairro Iguaçu, em Ipatinga, na noite de 23 de abril passado.

As informações foram divulgadas pelo delegado Marcelo Franco Marino, titular da Delegacia de Homicídios de Ipatinga, em entrevista nesta sexta-feira. O policial fez questão de frisar que a morte de Emanuela não teve qualquer ligação com o latrocínio (roubo seguido de morte) de Daiany da Silva Alves, de 30 anos, localizada em uma mata entre o campo de futebol do bairro Novo Cruzeiro e o kartódromo, no último 20 de fevereiro.

O delegado explicou que surgiram boatos nas mídias sociais a respeito da ligação entre esses dois crimes, que teriam sido cometidos por um assassino em série (serial killer) ou que as duas vítimas fossem irmãs. “Não tem qualquer ligação entre os casos”, tratou de desmentir antes de repassar as conclusões das investigações sobre o assassinato de Emanuela.

Os dois indiciados pelo crime, Wesley dos Reis Albino Silva, de 29 anos, e o Geovane Lino Damaceno, de 52 anos, encontram-se recolhidos ao Sistema Prisional do Vale do Aço mediante mandados de prisão preventiva. Eles negaram qualquer participação no crime, inclusive, Geovane ressaltou isso ao Diário do Aço logo depois de ser preso pela PM horas após a descoberta do corpo de Manu, como era conhecida a vítima.

Vício no crack levou a vítima a morar na rua

Wellington Fred
O delegado Marcelo Franco Marino afirma que foi um dos piores crimes no qual já trabalhou O delegado Marcelo Franco Marino afirma que foi um dos piores crimes no qual já trabalhou
O delegado Marcelo Franco Marino explicou que a jovem se viciou em crack e passou a morar na rua, além de se prostituir para manter o vício. Ela entregava uma parte do dinheiro da prostituição para Dadinho, apelido de Wesley, que agia como “rufião”, porém, em um certo momento, Manu deixou de repassar as quantias recebidas pelos encontros, situação que provocaram brigas.

Uma testemunha teria visto o suspeito cravar uma faca no chão dizendo que “os dias da Emanuela estão contados”. Isso, segundo o delegado, dois dias antes do crime. O segundo suspeito, Geovane que é conhecido como “Coroa”, segundo as investigações, seria envolvido com o tráfico de drogas. Ele cobrava da vítima uma suposta dívida de entorpecentes.

Assim que o crime foi revelado, os policiais militares conseguiram informações a respeito de dois suspeitos terem sido vistos em companhia da vítima. Dadinho, ao notar a chegada dos policiais, chegou a atravessar o ribeirão antes de ser preso pelas equipes durante o cerco.

Ele contou três versões aos policiais para explicar os arranhões que tinha no corpo, possivelmente, marcas de unhadas deixadas pela jovem ao se debater durante as agressões. Uma das versões dele é que teria se cortado ao fazer a barba, a segunda, que caiu de um pé de jaca e a terceira, já perante o delegado, é que teria se machucado ao carregar algumas caixas de madeira.

Diante das contradições, ele teria acusado o “Coroa” de ser o autor do homicídio. Geovane, que foi preso depois da localização de Dadinho, também tentou se explicar ao ser encontrado com os objetos pessoais da vítima (entre eles, uma Bíblia na cor rosa, óculos solares, pente de cabelos) em uma mochila que ela sempre portava. “Foi recolhido com o suspeito inclusive, o vestido preto que ela usava quando foi morta, porque o corpo foi encontrado completamente despido”, revelou o delegado, acrescentando que Coroa negou que os pertences seriam de Manu ao afirmar que estava com eles para doar a outra pessoa.

Versões dos suspeitos derrubadas nas investigações

As versões dos suspeitos foram derrubadas mediante as investigações. Uma testemunha alega ter visto a vítima e os suspeitos se encaminhando para o local, onde depois foi encontrado o corpo da Manu. Depois de um tempo, os dois homens retornaram, sozinhos, do matagal à margem do ribeirão Ipanema. “Isso foi suficiente para fazer o flagrante. A partir do flagrante, nós conseguimos outras provas, outros elementos de convicção da infração, colhemos depoimentos, produzimos provas periciais importantíssimas. Concluímos que houve ali uma verdadeira tortura, a vítima foi brutalmente violentada sexualmente e foi muito agredida antes de morrer. No fim, depois de satisfeitos, ela foi morta por esganadura. É um crime extremamente bárbaro”, enfatizou o delegado.

Ainda de acordo com o chefe das investigações, os dois suspeitos possuem extensa ficha criminal, inclusive, durante os trabalhos da Delegacia de Homicídios foi apurado também um roubo. Dadinho é suspeito de praticar o assalto em uma padaria no bairro Cidade Nobre, em 20 de abril, dias antes do homicídio. No local, em companhia de um comparsa, os assaltantes roubaram o cofre da empresa contendo cerca de R$ 3 mil.

Marcelo, ao fim da entrevista, disse que os suspeitos praticaram um dos piores crimes que ele já investigou durante sua carreira na Polícia Civil. Os dois foram indiciados por homicídio qualificado, Dadinho, por feminicídio, pois ele subjugava a vítima. Ambos vão responder também pelo estupro. “A gente tem expectativa de uma condenação, severa, e que seja justa a retribuição da conduta deles”.



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Comentários

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Eu

07 de maio, 2022 | 00:57

“E muita gente alimentando, dando dinheiro e roupas pra esses supostos mendigos, sendo muitos deles indivíduos de alta periculosidade...abram os olhos povo das igrejas q fazem caridade e ajudam a manter esses monstros nas ruas...”

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