28 de março, de 2022 | 16:38

Milton Ribeiro deixa o Ministério da Educação

Agência Brasil
Alvo de inquérito da PF e do STF, Ribeiro teria favorecido pastores na distribuição de verbas ao MECAlvo de inquérito da PF e do STF, Ribeiro teria favorecido pastores na distribuição de verbas ao MEC

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu exoneração do cargo. Ele está envolvido em um escândalo, após vazamento de áudios, a respeito do favorecimento de municípios indicados por pastores evangélicos, ligados à igreja Assembleia de Deus. Como a pressão de aliados do presidente Jair Bolsonaro, pela saída de Ribeiro cresceu nos últimos dias, sua permanência no cargo ficou insustentável.

Conforme notícia publicada pela CNN Brasil, na tarde desta segunda-feira, Ribeiro teria enviado uma carta ao presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmando que deixaria o Ministério. "Não me despedirei, direi até breve", escreveu o ministro. A carta na íntegra foi relevada pela jornalista Natuza Nery, do portal G1.

No texto, Ribeiro afirma que a vida dele sofreu mudanças radicais nos últimos dias, em função da revelação de um possível esquema de tráfico de influência no Ministério da Educação. "Tenho plena convicção que jamais realizei um único ato de gestão na minha pasta que não fosse pautado pela correção, pela probidade e pelo compromisso com o erário. As suspeitas de que uma pessoa, próxima a mim, poderia estar cometendo atos irregulares devem ser investigadas com profundidade", declarou.

"Decidi solicitar ao Presidente Bolsonaro a minha exoneração do cargo, com a finalidade de que não paire nenhuma incerteza sobre a minha conduta e a do Governo Federal, que vem transformando este país por meio do compromisso firme da luta contra a corrupção", diz Ribeiro na carta.
Nos últimos dias, a pressão de aliados de Bolsonaro para que Milton Ribeiro deixasse o cargo cresceu. O objetivo era aplacar a crise no MEC, gerada após áudios de Ribeiro serem vazados.

Nas gravações, Milton Ribeiro afirma que o MEC tem favorecido pastores evangélicos com repasse de verbas do ministério, a pedido de Jair Bolsonaro. Os municípios que recebem os recursos são os indicados por líderes religiosos, como Gilmar Santos e Arilton Moura. Os dois atuavam numa espécie de gabinete paralelo no MEC.


Aliados de Bolsonaro avaliavam que o escândalo poderia prejudicar a reeleição do presidente. Segundo o Datafolha, Jair Bolsonaro tem 26% das intenções de voto, enquanto Lula tem 43%.

Apesar da crise, na quinta-feira (24) Bolsonaro havia dito que estava disposto a colocar “a cara no fogo” por Milton Ribeiro. Também na quinta-feira, o Senado aprovou a convocação de Milton Ribeiro. A audiência está programada para ser realizada na próxima quinta-feira (31).

Já publicado:
-Ministro Milton Ribeiro terá que explicar sobre lobby de pastores em verbas no MEC
-Presidente diz que ''bota a cara no fogo'' por ministro da Educação
O ministro Milton Ribeiro, ao lado do pastor Gilmar SantosO ministro Milton Ribeiro, ao lado do pastor Gilmar Santos

Bíblias com a cara de Ribeiro

Em um evento organizado pelo Ministério da Educação (MEC), em 2 de julho de 2021, em Salinópolis (PA), foram distribuídas bíblias que levavam fotos do ministro da pasta, Milton Ribeiro, e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, presentes no evento.

A bíblia distribuída destaca o “patrocínio” do prefeito de Salinópolis, Carlos Alberto de Sena Filho (PL), o Kaká Sena, cuja foto também aparece na impressão. Ele encomendou uma tiragem de mil bíblias por R$ 70 cada, de acordo com presentes, segundo o jornal Estadão. A Igreja Ministério Cristo para Todos, um ramo da Assembleia de Deus comandada pelo pastor Gilmar, foi responsável pela edição.

Durante o evento, Gilmar se sentou ao lado de Milton Ribeiro e do presidente do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), Marcelo Ponte.

Depois do evento, o ministro aprovou a construção de uma escola no município e firmou um termo de compromisso de R$ 5,8 milhões. No fim de dezembro, foram empenhados R$ 200 mil desse valor.

CGU encontra indício de irregularidades cometidas por terceiros no MEC

Essa é a carta Ribeiro a Bolsonaro

"Desde o dia 21 de março minha vida sofreu uma grande transformação. A partir de notícias veiculadas na mídia foram levantadas suspeitas acerca da conduta de pessoas que possuíam proximidade com o Ministro da Educação.

Tenho plena convicção que jamais realizei um único ato de gestão na minha pasta que não fosse pautado pela correção, pela probidade e pelo compromisso com o erário. As suspeitas de que uma pessoa, próxima a mim, poderia estar cometendo atos irregulares devem ser investigadas com profundidade.

Eu mesmo, quando tive conhecimento de denúncia acerca desta pessoa, em agosto de 2021, encaminhei expediente a CGU para que a Controladoria pudesse apurar a situação narrada em duas denúncias recebidas em meu gabinete. Mais recentemente, em _, solicitei a CGU que audite as liberações de recursos de obras do FNDE, para que não haja duvida sobre a lisura dos processos conduzidos bem como da ausência de poder decisório do ministro neste tipo de atividade.

Tenho três pilares que me guiam: Minha honra, minha família e meu país. Além disso tenho todo respeito e gratidão ao Presidente Bolsonaro, que me deu a oportunidade de ser Ministro da Educação do Brasil.

Assim sendo, e levando-se em consideração os aspectos já citados, decidi solicitar ao Presidente Bolsonaro a minha exoneração do cargo, com a finalidade de que não paire nenhuma incerteza sobre a minha conduta e a do Governo Federal, que vem transformando este país por meio do compromisso firme da luta contra a corrupção.

Não quero deixar uma objeção sequer quanto ao meu comportamento, que sempre se baseou em pilares inquebrantáveis de honra, família e pátria. Meu afastamento do cargo de Ministro, a partir da minha exoneração, visa também deixar claro que quero, mais que ninguém, uma investigação completa e longe de qualquer dúvida acerca de tentativas deste Ministro de Estado de interferir nas investigações.

Tomo esta iniciativa com o coração partido, de um inocente que quer mostrar a todo o custo a verdade das coisas, porém que sabe que a verdade requer tempo. Sei de minha responsabilidade política, que muito se difere da jurídica. Meu afastamento é única e exclusivamente decorrente de minha responsabilidade política, que exige de mim um senso de país maior que quaisquer sentimentos pessoais.

Assim sendo, não me despedirei, direi um até breve, pois depois de demonstrada minha inocência estarei de volta, para ajudar meu país e o Presidente Bolsonaro na sua difícil mas vitoriosa caminhada.

Brasil acima de tudo!!! Deus acima de todos!!!"

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Comentários

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Viewer

29 de março, 2022 | 08:09

“Ridículo é ver oportunistas de plantão generalizando e atacando todos os cristãos ignorando o óbvio que alguns indivíduos sem compromisso nenhum com o evangelho se aproveitaram da situação para lucrarem para si próprios.

É de uma extrema covardia atacar inocentes por causa de alguns que supostamente usam o nome das igrejas em beneficio próprio.

E mais canalhice ainda é usar essa situação para atacar o Presidente Bolsonaro que não tem nada relacionado com isso.”

Paulo

28 de março, 2022 | 20:05

“Com essa os evangélicos poderiam cobrar de seus pastores o não envolvimento com política e principalmente assumirem cargos políticos.. Este governo só trouxe prejuízos para o evangelho genuíno.”

Carlos Roberto Martins de Souza

28 de março, 2022 | 18:13

“Bolsonaro, pastores, Malafaia, evangélicos? é a verdade nua e crua: "A união faz a farsa?"”

Tião Aranha

28 de março, 2022 | 18:11

“O que mais entristece é saber que 65 por cento da população brasileira é formada por jovens e estes não interessam pelo debate político e isso destrói o quotidiano de cidadania, a ponto de ter que ver foto de pastor na capa de uma Bíblia.”

Silva

28 de março, 2022 | 17:49

“saiu para encobrir o verdadeiro culpado pela corrupcao do MEC o senhor Jair Messias Bolsonaro”

Gildázio Garcia Vítor

28 de março, 2022 | 17:42

“"Escola sem partido", substituída por "Escola com igreja", com este Ministro-pastor, tão incompetente quanto os anteriores.”

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