(Silvia Miranda - Repórter do Diário do Aço)
Com um trecho bloqueado há uma semana, próximo ao município de Nova Era, a situação da BR-381 continua somando prejuízos em vários setores da economia do Vale do Aço. O aumento do frete com os desvios mais longos e a dificuldade no escoamento dos produtos reflete diretamente nas vendas. A preocupação só aumenta e pode atingir não só o preço dos alimentos como também a manutenção dos empregos na região.
Waldecy Castro
No atacarejo Paladar, interdição da BR reduziu em cerca de 50% o movimento dos clientes
O trecho do Km 321 foi fechado no último dia 14, quando um deslocamento de encosta atingiu e destruiu totalmente cerca de 100 metros da pista nos dois sentidos. Com isso, o acesso de Belo Horizonte ao Vale do Aço só é possível por vias alternativas. Para o transporte de carga é preciso passar pela BR-262 até Realeza e depois pela BR-116, passando por Caratinga até chegar ao Vale do Aço pela BR-458.
Prejuízos Natália Ribeiro Andrade, que atua na diretoria do Frigorífico Paladar, explica que a empresa vem sofrendo dois tipos de prejuízo com o fechamento da estrada: primeiro em relação ao frigorífico, pois, tem dificultado o acesso à matéria-prima e também para realizar a entrega dos produtos, devido ao aumento da distância e o tempo das viagens. “Para as vendas sentido BH, Itabira e região, o trajeto aumentou cerca de 240km ida e 240km de volta, o que representa cerca de 15 a 20 mil reais de aumento de frete por dia”, reclama.
A empresa, que também possui um atacarejo e lanchonete às margens da BR-381, na comunidade de Lagoa do Pau, em Jaguaraçu, também tem sofrido com a queda nas vendas, já que o fluxo de veículos no local reduziu consideravelmente. “No atacarejo o fluxo de clientes diminuiu em cerca de 50%, pois tínhamos muitos clientes vindos da região de Nova Era, João Monlevade e viajantes Belo Horizonte e região”, contou.
Reação em cadeiaDificuldade para escoar a produção também é o problema de outra distribuidora, em Coronel Fabriciano. A gerente de transporte da Tudo Bom Comercial, Núbia Fernandes, explica que além do aumento do frete em razão da distância, os atuais desvios disponíveis estão em precárias condições e comprometem até mesmo a manutenção dos caminhões.
“Uma rota nossa, que saiu por volta das 6h30 com destino a João Monlevade só chegou ao seu destino por volta das 13h. E essa entrega que antes seria feita com um dia, será feita com dois ou três dias. Então há um impacto nas negociações e consequentemente as vendas sofrem redução, pois eu não consigo entregar os pedidos com o mesmo prazo de antes e assim o vendedor não terá o mesmo volume de pedidos, se a mercadoria ainda nem foi entregue”, detalhou.
Problema atinge outras regiõesA gerente Núbia também alerta que os efeitos não são sentidos apenas pelo Vale do Aço, mas também por outras empresas do país. A empresa que só comercializa produtos de grandes marcas também tem sofrido com o atraso de entregas por parte de seus fornecedores, localizados em outros estados. “O que nós precisamos entender é que todo custo operacional e logístico vai refletir no preço final para o consumidor e até mesmo, dependendo do tempo que se prolongue essa situação, na geração de empregos para a nossa região”, alerta Núbia.
Apelo para uma soluçãoA diretoria da Tudo Bom informa que tem feito contato com prefeitos e autoridades da região, para que o empresariado seja representado na busca de uma solução rápida para o problema. O objetivo é manter estável o preço de produtos, principalmente de carnes, que há meses têm sofrido muitos aumentos. A Paladar também aguarda uma notícia positiva por parte do Ministério de Infraestrutura e Transporte que promete apresentar um desvio paliativo até a próxima semana.
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