Empresas enfrentam prejuízos e gestores temem efeitos da interdição da BR-381

21/01/2022 às 13:20
(Silvia Miranda - Repórter do Diário do Aço)

Com um trecho bloqueado há uma semana, próximo ao município de Nova Era, a situação da BR-381 continua somando prejuízos em vários setores da economia do Vale do Aço. O aumento do frete com os desvios mais longos e a dificuldade no escoamento dos produtos reflete diretamente nas vendas. A preocupação só aumenta e pode atingir não só o preço dos alimentos como também a manutenção dos empregos na região.
Waldecy Castro
No atacarejo Paladar, interdição da BR reduziu em cerca de 50% o movimento dos clientes

O trecho do Km 321 foi fechado no último dia 14, quando um deslocamento de encosta atingiu e destruiu totalmente cerca de 100 metros da pista nos dois sentidos. Com isso, o acesso de Belo Horizonte ao Vale do Aço só é possível por vias alternativas. Para o transporte de carga é preciso passar pela BR-262 até Realeza e depois pela BR-116, passando por Caratinga até chegar ao Vale do Aço pela BR-458.

Prejuízos
Natália Ribeiro Andrade, que atua na diretoria do Frigorífico Paladar, explica que a empresa vem sofrendo dois tipos de prejuízo com o fechamento da estrada: primeiro em relação ao frigorífico, pois, tem dificultado o acesso à matéria-prima e também para realizar a entrega dos produtos, devido ao aumento da distância e o tempo das viagens. “Para as vendas sentido BH, Itabira e região, o trajeto aumentou cerca de 240km ida e 240km de volta, o que representa cerca de 15 a 20 mil reais de aumento de frete por dia”, reclama.

A empresa, que também possui um atacarejo e lanchonete às margens da BR-381, na comunidade de Lagoa do Pau, em Jaguaraçu, também tem sofrido com a queda nas vendas, já que o fluxo de veículos no local reduziu consideravelmente. “No atacarejo o fluxo de clientes diminuiu em cerca de 50%, pois tínhamos muitos clientes vindos da região de Nova Era, João Monlevade e viajantes Belo Horizonte e região”, contou.

Reação em cadeia
Dificuldade para escoar a produção também é o problema de outra distribuidora, em Coronel Fabriciano. A gerente de transporte da Tudo Bom Comercial, Núbia Fernandes, explica que além do aumento do frete em razão da distância, os atuais desvios disponíveis estão em precárias condições e comprometem até mesmo a manutenção dos caminhões.
“Uma rota nossa, que saiu por volta das 6h30 com destino a João Monlevade só chegou ao seu destino por volta das 13h. E essa entrega que antes seria feita com um dia, será feita com dois ou três dias. Então há um impacto nas negociações e consequentemente as vendas sofrem redução, pois eu não consigo entregar os pedidos com o mesmo prazo de antes e assim o vendedor não terá o mesmo volume de pedidos, se a mercadoria ainda nem foi entregue”, detalhou.

Problema atinge outras regiões
A gerente Núbia também alerta que os efeitos não são sentidos apenas pelo Vale do Aço, mas também por outras empresas do país. A empresa que só comercializa produtos de grandes marcas também tem sofrido com o atraso de entregas por parte de seus fornecedores, localizados em outros estados. “O que nós precisamos entender é que todo custo operacional e logístico vai refletir no preço final para o consumidor e até mesmo, dependendo do tempo que se prolongue essa situação, na geração de empregos para a nossa região”, alerta Núbia.

Apelo para uma solução
A diretoria da Tudo Bom informa que tem feito contato com prefeitos e autoridades da região, para que o empresariado seja representado na busca de uma solução rápida para o problema. O objetivo é manter estável o preço de produtos, principalmente de carnes, que há meses têm sofrido muitos aumentos. A Paladar também aguarda uma notícia positiva por parte do Ministério de Infraestrutura e Transporte que promete apresentar um desvio paliativo até a próxima semana.

Já publicado:
BR-381 é interditada nos dois sentidos em Nova Era

Interdição da BR-381 encarece o frete dos produtos no Vale do Aço
Últimas notícias
Big Image
{{ modalData.legenda }}