01 de junho, de 2021 | 19:00

Justiça decreta prisão preventiva de mecânico que estava com o carro da enfermeira Priscila Cardoso, em Teixeira de Freiras, Bahia

Clébio de Jesus passa a responder como coautor de latrocínio de enfermeira sequestrada ao sair do trabalho na unidade de saúde do bairro Cidade Nova, em Santana do Paraíso

Reprodução
Clébio Dutra foi denunciado como coautor da morte da enfermeira Priscila Cardoso, praticada por Pau Veio, e teve prisão decretada pela Justiça de Minas GeraisClébio Dutra foi denunciado como coautor da morte da enfermeira Priscila Cardoso, praticada por Pau Veio, e teve prisão decretada pela Justiça de Minas Gerais

O mecânico Clébio Dutra de Jesus, de 37 anos, foi preso nesta terça-feira (1) na cidade de Teixeira de Freitas, sul da Bahia, por força de um mandado de prisão preventiva decretada pela Justiça da Comarca de Caratinga. Ele é acusado de coautoria no latrocínio (roubo seguido de morte) da enfermeira Priscila Cardoso da Silva, de 35 anos, crime ocorrido em 15 de março passado, no Vale do Aço. Clébio foi preso em uma loja de peças de sua propriedade, localizada na avenida Presidente Getúlio Vargas, no Bairro Ouro Verde.

Além de Clébio, que também responde pela tentativa de adulteração de veículo, é processado pela morte da enfermeira, Reginaldo Ferreira de Souza, o “Pau Veio”, de 49 anos, que confessou o crime ao ser preso no estado do Espírito Santo. Pau Veio, além do latrocínio, é acusado de sequestro seguido de estupro, já que há indícios que a vítima tenha sofrido algum abuso sexual, conforme a denúncia do Ministério Público.

A prisão de Clébio nesta terça-feira ocorreu em uma operação coordenada pela Polícia Civil de Santana do Paraíso, sob a orientação do delegado Alexandro Caetano, com a Polícia Militar do Estado da Bahia. Ele estava com o mandado de prisão preventiva expedido pela 3ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri da Comarca de Caratinga.

O Diário do Aço teve acesso exclusivo ao relatório da Polícia Civil de Santana do Paraíso encaminhado para a Justiça da Comarca de Ipatinga. Porém, como a morte de Priscila ocorreu na zona rural de Caratinga, o caso foi transferido para a comarca caratinguense onde os réus serão julgados.

Álbum pessoal
Priscila Cardoso tinha 35 anosPriscila Cardoso tinha 35 anos
Localização do carro

Toda a trama envolvendo a morte de Priscila começou a ser desvendada com a apreensão do Chevrolet Ônix de cor branca, que pertencia à enfermeira, na noite de 16 de março. Ele estava em poder de Clébio, que segundo as investigações da Polícia Civil, preparava a clonagem do carro com placas de um veículo idêntico que já foi emplacado em Orizânia, da Zona da Mata mineira.

Outra etapa importante foi a identificação do autor do sequestro de Priscila, feita pelo investigador Elton Pereira, ao analisar as imagens das câmeras de segurança. Elton reconheceu o homem nas imagens por duas razões, primeiro pela passagem de Reginaldo por envolvimento com crimes no Vale do Aço. Além disso, Pau Veio chegou a morar no Cidade Nova, o mesmo bairro do policial.

Inicialmente Clébio foi preso pela polícia da Bahia por receptação do Ônix roubado da enfermeira, mas a investigações policiais indicam que Clébio já havia encomendado um veículo para poder usar as placas veiculares que já estavam em seu poder. O carro da enfermeira havia sido rastreado até uma oficina em Teixeira de Freitas e a prisão de Clébio ajudou a elucidar todo o caso.

O crime

Por volta das 16h de15 de março, uma segunda-feira, Pau Veio rendeu a enfermeira nas proximidades da Unidade Básica de Saúde no bairro Cidade Nova, em Santana do Paraíso, onde ela trabalhava. Ele levou a vítima para um local afastado, à margem da BR-458, próximo ao acesso novo para Ipaba, cidade onde Reginaldo já havia morado.

Nesta área de mata, Pau Veio tentou manter relação sexual com a vítima, além de torturá-la. O laudo do Instituto Médico Legal (IML), como o Diário do Aço já havia adiantado, indicou que Priscila teve fraturas no fêmur direito, punho direito, dedos das mãos e teve arrancado um dente incisivo superior.

Priscila foi morta com um tiro na testa, efetuado a curta distância. No dia em que o corpo foi encontrado, assim que Pau Veio foi preso no Espírito Santo e indicou onde havia matado a enfermeira, a perícia constatou que ela estava sem a camisa, sutiã deslocado para a cabeça e com o botão e o zíper da calça abertos.

Priscila morava sozinha no bairro Cidade Nobre e somente no dia seguinte os colegas de trabalho deram pela falta dela. A família dela é de Resplendor, no Vale do Rio Doce.

Imagens de câmeras ajudaram a elucidar o crime

Com o alerta do desaparecimento da enfermeira e as imagens do suspeito, gravadas no momento do ataque ao lado do posto de saúde, os policiais iniciaram as buscas e conseguiram imagens de câmeras de segurança em diversos locais, inclusive no centro de Ipatinga.

Descobriu-se que o suspeito, Reginaldo, ficou cerca de oito minutos aguardando a enfermeira sair do trabalho para rendê-la no momento que iria para o carro dela, no estacionamento da UBS. Três minutos depois, logo que rendeu a enfermeira, Pau Veio foi filmado já na direção do Ônix da vítima. Uma câmera de posto de combustível na BR-458 flagrou o carro da enfermeira passando na rodovia, por volta das 16h20, quando a vítima foi levada para o local onde seria morta.

Faltando poucos minutos para as 18h, as mesmas câmeras filmaram o Ônix retornando para Ipatinga. Pau Veio teria ficado com a enfermeira por mais de uma hora. “Tempo suficiente para perpetrar as sevícias e violência sexual, conforme indícios já compactados nos autos”, conforme os dados no relatório.

Os policiais civis conseguiram imagens de câmeras próximas da casa de Pau Veio na rua Colônia, bairro Bethânia. Ele saiu da residência por volta das 18h30 com destino à Teixeira de Freitas, na Bahia. O investigado usava as mesmas roupas ao dar entrada no hotel da cidade localizada na região Sul da Bahia, na madrugada do dia 16 de março.
Divulgação
Reginaldo Ferreira de Souza, o Reginaldo Ferreira de Souza, o "Pau Veio", confessou que sequestrou enfermeira na saída de unidade de saúde e a matou no meio de uma plantação de eucaliptos, perto de Ipaba

Rota de fuga

Depois de entregar o carro a Clébio, o sequestrador iria retornar a Minas Gerais, mas a polícia já tinha descoberto a rota. Ele não embarcou no coletivo da Gontijo, no fim da tarde de 16 de março. O próprio investigado admitiu que ao chegar à rodoviária viu vários policiais, pensou que poderia ser preso e mudou o destino para o estado do Espírito Santo. Decidiu viajar em um carro fretado. Ele foi localizado, pela polícia capixaba, no bairro Santa Mônica, na cidade de Guarapari, na noite de 19 de março. Ao ser preso, Pau Veio confessou a morte de Priscila durante o cumprimento do mandado de prisão preventiva.

Ao prestar depoimento na delegacia de Polícia Civil, depois de ser recambiado para o Vale do Aço, Pau Veio contou uma versão sobre os fatos. Ele alegou, sem qualquer prova, que teve um relacionamento de três meses com a enfermeira. Logo que Reginaldo revelou sobre o seu passado criminoso, a vítima teria resolvido acabar com a relação. Amigos, colegas de trabalho e conhecidos de Priscila contestam essa versão e dizem ser mentira.

Pau Veio alega que no dia 15 de março foi ao encontro da vítima para conversar e tentar reatar a relação, quando os dois saíram sentido a Ipaba, segundo seu depoimento. Durante a conversa, já na área de eucaliptos na margem da BR-458, teria ocorrido um disparo acidental da arma durante a suposta conversa.

A equipe do delegado Alexandro Caetano não encontrou embasamento no depoimento de Reginaldo. Ele não conseguiu fornecer sequer o nome completo da enfermeira, idade, número de telefone, sobre a tatuagem de uma guitarra que Priscila fez na perna esquerda ou que algum amigo soubesse de tal relacionamento entre os dois.

Nenhuma mensagem de aplicativo entre Reginaldo e Priscila foi encontrada, nem em redes sociais dos dois. O delegado acredita que o objetivo de Pau Veio, experiente no mundo do crime, era evitar de ser julgado na Justiça por latrocínio, cuja pena mínima é 20 anos de prisão, e tentasse ser processado por feminicídio, com pena mínima de 12 anos de cadeia.

Indiciamento dos envolvidos no crime

Diante de toda a investigação, o mecânico Clébio foi indiciado pela coautoria do latrocínio ao assumir o risco que um crime como o planejado poderia resultar em violência e até morte, e tentativa de adulteração do carro da enfermeira. Ele está recolhido na cadeia de Teixeira de Freitas e à disposição da Justiça de Minas Gerais.

Já com Reginaldo, além do roubo seguido de morte, as investigações indicaram delito sexual contra a vítima, além do sequestro da enfermeira. O delegado adiantou que possivelmente não ocorreu a conjunção carnal, apesar da tortura violenta sofrida pela vítima. Como a mudança na lei de crimes sexuais, Pau Veio responde pelo crime de estupro. Ele encontra-se recolhido ao Presídio de Manhumirim, na Zona da Mata Mineira, desde o dia 16 de abril.

Os policiais apuraram que Reginaldo Ferreira é suspeito de cometer outros roubos de veículos. Uma suspeita seria o roubo de um Toyota Etios no dia 22 de janeiro deste ano. Com uma faca, ele teria rendido uma mulher e levado o veículo dela. Um cartão da montadora em nome da proprietária do carro foi achado na casa de Reginaldo.

De acordo com a Polícia Civil, ele já foi condenado a pena de sete anos e quatro meses de prisão por uma tentativa de latrocínio na Justiça da Comarca de Ipatinga. Ele também é processado por um homicídio ocorrido em 2013 na cidade de Teixeira de Freitas, além de registros na Lei Maria da Penha, conforme o relatório final das investigações.
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