Abertura de Comissão Processante é protocolada contra vereador Gilmarzinho

A denúncia foi assinada por assessores parlamentares lotados no gabinete de João Francisco, o Chiquinho Bom Jardim

Wôlmer Ezequiel


O vereador Gilmarzinho está preso desde o dia 25 de abril
Atualizada às 17:32
Um pedido de abertura de Comissão Processante foi protocolado na Câmara de Ipatinga, na tarde de segunda-feira (12), contra o vereador Gilmar Ferreira Lopes, o Gilmarzinho (PTC). A denúncia foi assinada por assessores parlamentares lotados no gabinete de João Francisco, o Chiquinho Bom Jardim, seu colega de partido e suplente. Eles requerem que o mandato de Gilmarzinho seja cassado, em razão de quebra de decoro.

Conforme apurado pelo Diário do Aço, os assessores aguardaram, até o momento, que uma definição fosse tomada em relação ao vereador, que está preso desde o mês de abril. Entretanto, como nenhuma denúncia foi protocolada por munícipe ou mesmo pela Mesa Diretora, eles assumiram a autoria. Agora, esperam a tomada de decisão cabível.

Segundo o procurador geral da Câmara, Adalton Cunha, um parecer já foi emitido pelo jurídico, para que a denúncia seja acatada. Na primeira reunião, seja ela ordinária ou extraordinária, o pedido será levado a plenário, para que os demais vereadores votem pelo seu recebimento ou não. Caso seja acatado, são escolhidos três parlamentares (via sorteio) para dar andamento aos trabalhos, que culminam na realização de audiências, em que o próprio vereador Gilmarzinho, testemunhas e demais envolvidos são chamados a prestar depoimento na Câmara. O mesmo trâmite ocorreu com Luiz Márcio (PSC), que foi julgado por comissão e teve o mandato cassado, após avaliação dos edis, que entenderam ter havido quebra de decoro parlamentar.

“O pedido é legítimo e são oito autores. Não há problema para o vereador Chiquinho por serem [os denunciantes] de seu gabinete. A única exigência é que o denunciante seja eleitor e todos são. Logo, está tudo dentro dos conformes. Os denunciantes copiaram partes do inquérito, das pessoas que foram ouvidas pelo Gaeco. Há relatos e no final relacionam uma lista de quatro testemunhas, que eles querem que sejam ouvidas”, destaca Adalton Cunha.

Procurado, o vereador Chiquinho disse que não sabia do pedido, feito por seus funcionários. “Partiu da equipe mesmo. Não vejo dificuldades por trabalharem comigo. Tomaram essa decisão por própria iniciativa. Alguém teria que o fazer e por isso fizeram. Agora está nas mãos da Câmara para tomar as decisões cabíveis”, disse o parlamentar, suplente de Gilmarzinho.

Prisão
O vereador Gilmar Ferreira Lopes foi preso no dia 25 de abril, depois de se apresentar à polícia. Investigado no âmbito da Operação Dolos, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), que apura desvio de dinheiro público em gabinetes de parlamentares em Ipatinga, o vereador tinha um mandado de prisão expedido pela Justiça Criminal. Já a filha do vereador, Gilcelia de Oliveira Lopes Daniel, de 36 anos, foi presa em sua residência, no bairro Bom Jardim. Ela é investigada como suspeita de gerenciar um esquema de caixinha de gabinete, formada com parte dos salários recolhida dos assessores de gabinete do pai.

Apesar de não haver confirmação, informações de bastidores dão conta de que a audiência de instrução de julgamento, em que Gilmarzinho será ouvido, deve ocorrer em breve. Caso siga o mesmo ritmo, sua liberdade provisória pode ser concedida, se os mesmos critérios adotados para seus colegas forem seguidos. Wanderson Gandra (PSC), Luiz Márcio, Paulo Reis (Pros), Rogerinho e Ivan Menezes (ex-chefe de gabinete) foram libertados de forma provisória, após audiência. Eles agora aguardam julgamento.

Entenda
São investigados dentro da operação Dolos, José Geraldo Andrade (Avante), Luiz Márcio, Osimar Barbosa (PSC), Paulo Reis, Antônio Rogério Bento, Rogerinho (sem partido), Wanderson Gandra e o vereador Gilmar Ferreira Lopes, além da filha dele, Gilcelia de Oliveira Lopes Daniel, que atuava no gabinete do pai mesmo sem ser nomeada. Está preso também Rodrigo Vieira Ramalho (gabinete de Masinho). Os vereadores, ex-vereadores e assessores são acusados dos crimes de peculato, falsidade ideológica, concussão e lavagem de dinheiro. Alguns deles ainda respondem por ameaças e tentativa de obstrução da Justiça por dificultar as investigações do Gaeco.(Repórter - Bruna Lage)

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