18 de setembro, de 2015 | 00:03

Mais um carro clonado é apreendido

Homem afirma que recebeu Fiat Línea como pagamento de dívida de empresário preso em Coronel Fabriciano


FABRICIANO – Já chega a quatro o número de veículos roubados e apreendidos no Vale do Aço em um esquema que recebia carros clonados na Região Metropolitana de Belo Horizonte e os repassava a vítimas no Vale do Aço. Acusados de envolvimento no crime, pai e filho estão presos desde o dia 11 de setembro, quando o esquema foi estourado por uma operação conjunta das Polícias Militar e Civil.  

O delegado de Polícia Civil, Jorge Caldeira, informou ao DIÁRIO DO AÇO nesta quinta-feira (17), que na sequência das investigações foi localizado mais um veículo que esteve na posse de José Ricardo Ferreira, de 61 anos. Submetido à perícia, ficou constatado que o Fiat Linea, em circulação com as placas EAE-7447, de Ribeirão das Neves, também era roubado na Região Metropolitana de Belo Horizonte e comercializado no Vale do Aço com placas clonadas.

No caso do Linea, a vítima informou para a Polícia Civil que recebeu o veículo como pagamento de uma dívida. “Essa pessoa se diz vítima também do José Ricardo por ter feito a ele empréstimos em dinheiro, sem o cumprimento da promessa de pagamento. Como forma de minimizar o prejuízo, ele aceitou o carro como parte de pagamento da dívida”, citou o delegado Jorge Caldeira.

O policial afirmou que após a publicação das notícias, sobre a apreensão de três veículos clonados na semana passada, um Land Rover, um Focus e um Cruze, o homem que estava na posse do Linea procurou a polícia para relatar que tinha adquirido o carro do empresário preso na operação.   
Wellington Fred + reprodução


prisão de pai e filho


“As investigações apontam a existência de outros veículos que passaram pela posse de José Ricardo, todos roubados e clonados, e estamos em busca desses bens”, enfatizou o delegado.

Em função da ratificação da prisão em flagrante, confirmada pelo Poder Judiciário, tanto o empresário José Ricardo Ferreira, quando o filho dele, Henrique Ferreira Braga, de 30 anos, permanecem recolhidos ao presídio de Coronel Fabriciano.

O delegado Jorge Caldeira explicou que, em depoimento, os dois suspeitos adotaram um padrão de conduta já esperado por pessoas acusadas em situações como essa.

“Eles alegam que não sabiam que os carros tinham chassi adulterado e placas clonadas. Apresentam-se como vítimas e têm uma versão impossível de se acreditar. Mesmo porque, se estivéssemos falando de somente um veículo, poderíamos considerar a possibilidade de serem vítimas, mas já são quatro veículos clonados, encontrados com a mesma pessoa, nas mesmas circunstâncias. Isso nos leva a crer que ambos tinham ciência do que faziam e com um mesmo objetivo, auferir vantagem econômica”, detalhou o delegado.

Empresário investigado por homicídio

Wellington Fred + reprodução


vilmar januário


José Ricardo Ferreira também responde a um inquérito como suspeito de envolvimento no homicídio de Vilmar Januário de Souza, de 36 anos, ocorrido em 29 de junho de 2011. No dia 11 de setembro, quando José Ricardo foi preso, o delegado Jorge Caldeira não localizou o documento na Delegacia Secional da PC, em Coronel Fabriciano.

Entretanto, em uma reunião na 1ª Delegacia de Polícia Civil, em Ipatinga, esta semana, o inquérito foi localizado, deslocado pela antiga delegada regional, Irene Franco, com apuração em estágio avançado.  As providências caberão ao atual delegado regional, João Otacílio Silva.

Vilmar Januário era morador de Inhapim e seu corpo foi localizado no Córrego da Cumprida, zona rural de Timóteo. O homem estava desaparecido desde o começo de setembro de 2011, quando saiu para se encontrar com o seu ex-patrão em Coronel Fabriciano.

A vítima foi encontrada morta com um tiro na nuca. Na época, os familiares informaram em depoimento que Vilmar seria “laranja” de um empresário, que exigia da vítima a retirada, em conta, de cerca de R$ 150 mil, quantia que seria de desvio de verba pública de uma prefeitura.

Viação Marli sem relação com o caso dos carros clonados

O DÁRIO DO AÇO esclarece que a operação policial que culminou com a apreensão de três carros clonados, no dia 11 de setembro, acabou por gerar constrangimento para uma empresa consolidada em Coronel Fabriciano, a Viação Marli, localizada na rua Itaparica, bairro Giovanini, sem que ela tenha qualquer relação com o fato.

A apreensão dos carros (em especial um Land Rover Evoque) ocorreu em frente ao portão da empresa, que tem o infortúnio de ser vizinha do endereço dos acusados e, portanto, local da operação. As imagens em que aparece a marca circularam nos veículos de comunicação e redes sociais, gerando certa confusão em relação ao assunto.

Na prática, nem a empresa nem quaisquer das pessoas que são responsáveis por ela, bem como quem lá trabalha têm, nem nunca tiveram, qualquer relação com o fato. Trata-se, portanto, de uma infeliz coincidência de estar localizada onde houve registros de fatos de uma ocorrência policial que culminou com a prisão de duas pessoas de uma mesma família.

JÁ PUBLICADO:

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