16 de junho, de 2026 | 06:27

União havia pedido bloqueio de ponte antes de jovem morrer em salto sem corda em São Paulo

Reprodução de vídeo
Várias pessoas filmavam, mas ninguém avisou a tempo que a corda não tinha sido conectada ao colete da jovem, lançada de uma altura de 40 metros Várias pessoas filmavam, mas ninguém avisou a tempo que a corda não tinha sido conectada ao colete da jovem, lançada de uma altura de 40 metros

A morte da estudante de educação física Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, na prática de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), reacendeu o debate sobre a fiscalização de atividades esportivas radicais em áreas públicas. A jovem morreu sábado (13) após ser lançada de uma altura de aproximadamente 40 metros sem estar conectada à corda de segurança.

A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), informou que já havia solicitado ao município de Limeira o bloqueio do acesso à Ponte do Esqueleto para impedir a prática de esportes radicais no local.

Segundo o órgão federal, a recomendação foi feita em 2024, após outro acidente com morte registrado na estrutura, envolvendo uma ciclista. Ainda conforme a SPU, o acesso chegou a ser bloqueado por alguns meses, mas a reabertura posteriormente foi discutida e defendida por empresários locais durante sessão na Câmara Municipal de Limeira.

Maria Eduarda, moradora de Jandira (SP), participava de uma atividade promovida por uma empresa privada especializada em rope jump, modalidade em que o praticante salta de locais elevados preso a cordas de segurança. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, a jovem foi lançada sem que a corda estivesse conectada ao equipamento de segurança (colete).

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou a morte no local. Uma enfermeira que também faria o salto, foi a primeira a chegar ao local da queda, mas não havia mais o que fazer. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML). Após o acidente, três homens foram presos em flagrante pela Polícia Militar por homicídio com dolo eventual. A polícia apura agora o paradeiro de uma câmera de ação que estava com a jovem.

Neglicência e desatenção

As circunstâncias chamaram atenção porque, além de três funcionários da empresa de aventuras, diversas pessoas acompanhavam e filmavam a atividade, sem que fosse percebido que a corda não havia sido presa ao colete utilizado pela participante.

O episódio não é inédito. Em outubro de 2020, o jovem Adam Esteves Gomes Dias Martins Cardoso, de 25 anos, morreu em circunstâncias semelhantes durante um salto de rope jump, quando a corda utilizada era mais longa do que o necessário e ele atingiu o solo.

Na época, o caso foi noticiado pelo Diário do Aço. A reportagem pode ser consultada em Polícia investiga acidente fatal em atividade esportiva radical no Viaduto Prainha.

Antiga ponte ferroviária

Localizada na divisa entre Limeira e Cordeirópolis, a Ponte do Esqueleto é uma estrutura da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) que nunca foi concluída e permanece desativada, tornando-se um ponto frequentado por praticantes de esportes radicais.

No dia do acidente, o município de Limeira informou que pretendia processar o governo federal por omissão. Em nota, afirmou que vinha cobrando providências desde 2025 junto aos órgãos responsáveis pela estrutura e sustentou que a responsabilidade pela fiscalização, manutenção e controle de acesso seria da União.

Por sua vez, a Secretaria de Patrimônio da União declarou que os diferentes níveis de governo precisam atuar de forma conjunta para impedir definitivamente o acesso ao local e coibir atividades consideradas irregulares.

Em entrevista à TV Brasil, o advogado Arthur Rollo, ex-secretário nacional de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça, avaliou que a responsabilidade pelo caso deve ser compartilhada entre a União, o município e a empresa organizadora da atividade.

Segundo o especialista, por se tratar de área federal, caberia à União gerir o patrimônio e controlar o acesso ao local. Já o município deveria fiscalizar empresas e profissionais que oferecem atividades de aventura sem a devida autorização ou qualificação técnica. Ele acrescentou que o episódio serve de alerta para que autoridades públicas e prestadores desses serviços reforcem medidas de segurança e evitem novas ocorrências.
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