19 de abril, de 2026 | 16:38
Campistas resistem à desocupação na Lagoa Silvana e articulam reação contra interdição do Corpo de Bombeiros
Sócios contestam decisão, anunciam reunião com advogado e defendem adequações para manter estruturas; relatório aponta risco iminente de incêndio e pânico
Carlos Castro Alves para o Diário do Aço
Portões do camping do Clube Náutico Alvorada estão trancados e donos de tendas deverão remover os equipamentos
Portões do camping do Clube Náutico Alvorada estão trancados e donos de tendas deverão remover os equipamentos A interdição da área de camping do Clube Náutico Alvorada, na Lagoa Silvana, na sexta-feira (17), desencadeou reação imediata dos proprietários de tendas instaladas no local. Os sócios afirmam que não pretendem abrir mão do espaço de lazer e articulam medidas para tentar reverter a decisão do Corpo de Bombeiros Militar, que determinou a evacuação imediata da área e a desmontagem das estruturas que abrigam em seu interior, barracas de camping, móveis e eletrodomésticos, fugindo completamente do propósito do campismo convencional. O fato foi noticiado pelo Diário do Aço no fim de semana .
Os sócios dizem ter sido surpreendidos com a medida e defendem que, em vez da retirada das barracas, sejam feitas adequações para atender às exigências de segurança. Já o Corpo de Bombeiros sustenta que a interdição foi necessária diante do risco iminente identificado durante vistoria.
Campistas se organizam e anunciam medidas legais
Após o impacto da decisão anunciada sexta-feira, próximo a uma série de feriados prolongados, os proprietários de tendas marcaram uma reunião para terça-feira (21), às 9h, na rua Argentina, no bairro Cariru, em Ipatinga. O encontro contará com a presença de um advogado e tem como objetivo discutir providências contra o Clube Náutico Alvorada, com foco na reabertura da área de camping.Carlos Castro Alves para o Diário do Aço
No entendimento da vistoria dos Bombeiros, há riscos iminentes à integridade das pessoas com o aglomerado de tendas que fogem totalmente ao que estabelece o AVCB da área
No entendimento da vistoria dos Bombeiros, há riscos iminentes à integridade das pessoas com o aglomerado de tendas que fogem totalmente ao que estabelece o AVCB da área Conforme noticiado pelo Diário do Aço, a área foi interditada sob o argumento de que o acúmulo de tendas, aliado à instalação de estruturas adicionais, eletrodomésticos e móveis, colocava em risco a segurança dos frequentadores.
O advogado que representa os sócios, Marco Túlio, afirma que, em que pese o poder de polícia do Corpo de Bombeiros e a obrigação de interditar frente ao risco iminente à integridade física das pessoas, há a responsabilidade objetiva da empresa Lagoa Silvana, e tudo deve ser devidamente esclarecido à luz da lei”.
Entre os campistas, o sentimento é de mobilização. Então é ouvir uma pessoa que pode nos ajudar e termos a noção de que somos fortes e unidos mais ainda. Não podemos ser massa de manobra. Tem todo um contexto, ali tem história e direitos para ambos. Pagamos separadamente as diárias e ainda as mensalidades. Somos associados, portanto temos direitos também”, defende um frequentador.
Outro sócio argumenta que a situação pode ser resolvida tecnicamente: Adequação pode ser feita com as normas dos bombeiros e com um bom engenheiro e arquiteto. Tudo tem solução”, afirma, ressaltando que os usuários pagam taxas extras para permanecer no local.
Alex Ferreira/Arquivo DA
Como era o camping da Lagoa Silvana em 2013, antes da instalação das grandes tendas
Como era o camping da Lagoa Silvana em 2013, antes da instalação das grandes tendas Em comunicado interno, um dos campistas também criticou a condução do processo. O clube que se adeque e contrate um especialista em AVCB que saiba resolver com as barracas no lugar, sem serem desmontadas, pois além da mensalidade de sócios, eles também pagam as taxas extras que o clube cobra de todos. Tem as ruas para cortar, fazer a passagem para canos de hidrante e também locais para extintores. O clube investiu muito dinheiro nas placas solares, por que não investir no que os bombeiros solicitaram?”, questiona.
O que dizem outros sócios do clube?
Na contramão dos campistas das tendas, os outros sócios, que no passado usavam área com barracas convencionais nos fins de semana e feriados, reclamam que há muito tempo enfrentavam dificuldades para armar suas barracas nos fins de semana, visto a ocupação passiva de tendas de grande porte no local.Enviada ao Diário do Aço
Relatório do Corpo de Bombeiros detalha em mais de 5 laudas os riscos com os amontoados de tendas de lona na área de camping
Relatório do Corpo de Bombeiros detalha em mais de 5 laudas os riscos com os amontoados de tendas de lona na área de camping Essa proliferação de tendas na lagoa Silvana ocorreu principalmente depois que em 2018 foi fechada em Revés do Belém a Lagoa Bonita, do Clube Alfa, de Timóteo, que entrou em falência e fechou as portas. Hoje a Silvana é a única área de clube disponível para essa atividade. A Lagoa Bonita foi comprada por um empresário do ramo de frigorífico e fechada ao uso público. Com isso, quem gosta de praticar esse tipo de atividade só tem a Lagoa Silvana. Ocorre que a área da lagoa Bonita era gigante. As tendas não ficavam amontadas, como é o caso da Lagoa Silvana, onde a área de camping é minguada” detalha um antigo campista da Silvana, que também foi sócio e frequentador da lagoa Bonita.
Relatório aponta risco elevado e determina interdição
O relatório do Corpo de Bombeiros de Caratinga, ao qual a reportagem teve acesso, com exclusividade, detalha uma série de irregularidades consideradas graves e que motivaram a interdição da área de tendas na Lagoa Silvana:Segundo o documento, houve mudança significativa no uso do espaço em relação ao Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), com a instalação permanente de 132 barracas de lona destinadas à habitação, descaracterizando a ocupação temporária prevista. Tal alteração resulta em um aumento substancial da carga de incêndio e eleva os riscos de sinistro”, alerta o relatório.
Para alguns sócios, o camping foi descaracterizado com moradias permanentes de sócios, que além de mensalidades pagam taxas extras para ocupar esses espaçosNa fiscalização foram identificadas diversas situações de risco, sendo citados o uso de fios e extensões elétricas fora dos padrões de segurança, instalação fixa das barracas, ausência de afastamento adequado entre as estruturas e redução das áreas de circulação. Também foi constatado o uso de equipamentos domésticos no interior das tendas, o que dificulta a evacuação em caso de emergência.
O documento ainda aponta a presença de materiais combustíveis e equipamentos como fogões a gás, geladeiras, televisores, panelas elétricas, ar-condicionado, móveis de madeira e tecidos, além de botijões de gás, formando um cenário propício para incêndios e até explosões. A disposição das barracas também estaria obstruindo vias de acesso.
Faltam, de hidrantes, extintores de incêndio a sinalização básica
Outro ponto destacado é a ausência de medidas básicas de segurança contra incêndio e pânico, dentre elas hidrantes, extintores, sinalização, sistema de alarme e iluminação de emergência. Estando o ambiente em desacordo com normas técnicas”.O relatório menciona ainda o risco de pânico coletivo, especialmente diante da presença de pessoas vulneráveis. Na fiscalização foram identificados idosos e uma criança no local, além da informação que, nos fins de semana e feriados, o número de crianças aumenta consideravelmente.
Os bombeiros também registraram avarias em lonas de cobertura de uma das tendas, com indícios de princípio de incêndio. Configura-se, com isso, uma situação de risco iminente, conforme estabelecido no Decreto Estadual 47.998/2020, devido à exposição imediata e ao perigo iminente, associados à alta probabilidade de sinistro”, conclui o documento.
Ao fim da vistoria, houve reunião com a administração do clube e os ocupantes das tendas, quando foi explicada a necessidade de desocupação imediata. Ficou definido que a administração irá negociar com os campistas um cronograma para desmontagem das estruturas.
Posicionamento do clube
Em comunicado oficial aos associados, o Clube Náutico Alvorada informou que a interdição ocorreu após vistoria do Corpo de Bombeiros Militar, que apontou risco de incêndio e pânico.A direção destacou que, apesar de possuir AVCB válido, serão feitos estudos técnicos para adequação da área e implementação das medidas exigidas, com o objetivo de permitir o retorno das atividades. O clube também informou que pretende se reunir com os campistas para definir os próximos passos.
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Rx
19 de abril, 2026 | 18:38Parabéns CB MG”
Antonio Carlos
19 de abril, 2026 | 18:34Fui sócio de 1990 até meados dos anos 2000. Aquilo lá foi virando bagunça até que sai. Quando estava lá, as baias de camping do lado do muro na divisa com o estacionamento já estavam todas tomadas, de lado a lado, pelas tendas. Quer dizer então que piorou e virou um favelão de plástico azul? Isso não é camping. Desculpem a cinseridade, mas deixou de ser camping.”
Abc
19 de abril, 2026 | 18:28Parabéns ao CBMG pelo ótimo trabalho! Porque a única diferença entre isso e invasão é que ele pagam uma taxa porque de resto, o que era laser virou igual uma comunidade de ciganos. Outros sócios não podem nem usufruir do camping também porque os mesmos estão lá há anos.”
Posseiros
19 de abril, 2026 | 17:34A única diferença de invasão é a tal taxa paga, que pelo visto é irrisória para quem mora em definitivo. É claro que a diretoria é conivente com esta favela de plástico horrível que se instalou no clube, se é que pode chamar de clube.”
Avcb
19 de abril, 2026 | 17:05Parabéns ao CBMG, não se furtou de suas obrigações e não se curvou perante a pressão,nesta situação de quase posseiros, dado as características encontradas de tendas fixas e mobiliadas.Depois de sinistros como ninho do urubu do Flamengo, fica um jogo de empurra e impunidade.”