09 de abril, de 2026 | 06:13
Minas Gerais anuncia regras mais rígidas para presos ligados a facções criminosas
Estado adapta Lei Federal Antifacção e cria modelo de custodiamento com segurança máxima, restrições de comunicação e reforço tecnológico nas unidades prisionais
Divulgação Depen-MG
Sejusp anuncia que seis penitenciárias serão adaptadas ao padrão de segurança máxima
Sejusp anuncia que seis penitenciárias serão adaptadas ao padrão de segurança máximaO Governo de Minas Gerais anunciou nesta quarta-feira (8) novas regras para o custodiamento de presos ligados a facções criminosas no sistema prisional do estado. As medidas foram apresentadas pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG) em entrevista coletiva na Cidade Administrativa, em Belo Horizonte.
A regulamentação, publicada nesta semana, adapta no estado a Lei Federal Antifacção, sancionada no fim de março, e estabelece um modelo específico de custódia para detentos associados a organizações criminosas. A iniciativa prevê regras mais rígidas de controle, com restrições à comunicação externa e ampliação do monitoramento dentro das unidades prisionais.
No dia 15 de março, o Diário do Aço divulgou a situação considerada crítica na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, para onde têm sido transferidos presos ligados a facções criminosas.
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À direita, o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, e à esquerda o diretor-geral do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), Leonardo Badaró
À direita, o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, e à esquerda o diretor-geral do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), Leonardo BadaróSeis penitenciárias serão adaptadas ao padrão de segurança máxima
De acordo com o governo estadual, seis penitenciárias já existentes serão adaptadas ao padrão de segurança máxima, modelo semelhante ao utilizado no sistema penitenciário federal.Segundo o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, a principal estratégia é reduzir a capacidade de articulação das facções criminosas a partir das unidades prisionais.
Quando você impede a comunicação externa, corta um dos principais mecanismos de atuação das facções criminosas. Isso enfraquece diretamente essas organizações”, afirmou o secretário.
Entre as mudanças anunciadas está o fim do contato físico nas visitas. A partir de agora, os encontros ocorrerão exclusivamente por meio virtual ou em parlatórios, com separação total entre presos e visitantes. Todas as interações serão monitoradas.
Também fica proibida a entrada de alimentos, itens de higiene ou qualquer outro material entregue por familiares. O governo informou que o Estado passará a fornecer integralmente esses itens aos detentos e incluirá uma quinta refeição diária nas unidades classificadas como de segurança máxima.
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Leonardo Badaró, anuncia que medida também amplia o uso de tecnologia e inteligência para o controle das unidades prisionais
Leonardo Badaró, anuncia que medida também amplia o uso de tecnologia e inteligência para o controle das unidades prisionais O atendimento jurídico permanece garantido, porém com protocolos mais rígidos, sem contato físico e com restrições à entrada de objetos, respeitando as prerrogativas legais da advocacia.
Tecnologia e inteligência reforçam controle no sistema prisional
Conforme o diretor-geral do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen-MG), Leonardo Badaró, a medida também amplia o uso de tecnologia e inteligência para o controle das unidades.Estamos elevando o nível de segurança com bloqueadores de celular, monitoramento por câmeras e atuação integrada da inteligência. A centralização desses presos impede o avanço das facções dentro das unidades”, destacou.
A previsão é que as seis penitenciárias destinadas a esse perfil de custodiado passem por adequações no prazo de até 180 dias. O modelo já começou a ser aplicado na unidade de Francisco Sá, no Norte de Minas, que funciona como projeto piloto. O governo não divulgou a localização exata das outras cinco unidades alegando questões de segurança operacional”.
O que está sendo feito
Entre as estruturas implantadas estão bloqueadores de sinal de telefonia celular, ampliação do videomonitoramento e reforço operacional das equipes de segurança.Com a iniciativa, o governo estadual pretende impedir que lideranças criminosas continuem coordenando atividades ilícitas a partir do interior das unidades prisionais e reforçar o controle sobre organizações que tentam expandir suas atuações e recrutar novos integrantes dentro do sistema prisional mineiro.
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