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07 de abril, de 2026 | 19:56

Saritur quita pagamentos e greve dos rodoviários agendada para quarta-feira é suspensa

Alex Ferreira
Sob ameaça de paralisação de trabalhadores, empresa paga salários, férias atrasadas e vale-refeição; sindicato afirma que outras reivindicações continuam em negociaçãoSob ameaça de paralisação de trabalhadores, empresa paga salários, férias atrasadas e vale-refeição; sindicato afirma que outras reivindicações continuam em negociação

A greve dos motoristas da concessionária do transporte coletivo em Ipatinga, que estava prevista para começar nesta quarta-feira (8), foi suspensa após a empresa Saritur quitar pendências trabalhistas com os rodoviários.

A informação foi confirmada ao Diário do Aço pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Coronel Fabriciano (Sinttrocel), Marlúcio Negro da Silva.

Conforme o dirigente sindical, a empresa fez nesta terça-feira (7), quinto dia útil do mês, os pagamentos de férias em atraso, salários referentes a março e o vale-refeição. Com isso, o movimento grevista foi suspenso.

Apesar da regularização desses pagamentos, o sindicato afirma que ainda existem outras demandas da categoria que permanecem em negociação com a empresa.

Paralisação de advertência gerou transtornos

Na manhã de segunda-feira (6), conforme noticiado pelo Diário do Aço, uma paralisação de advertência de aproximadamente duas horas provocou transtornos no transporte coletivo urbano em Ipatinga.

Milhares de passageiros ficaram sem transporte e não conseguiram chegar a tempo aos locais de trabalho e compromissos pessoais.

Nos dias anteriores, os rodoviários divulgaram um alerta apontando as principais reivindicações da categoria. Entre elas estavam a regularização dos depósito do FGTS, a quitação de débitos com prestadores de serviços dos planos odontológico e de saúde, além do fim do atraso no pagamento das férias e do vale-refeição.

Em nota divulgada anteriormente, a empresa informou que “um grupo não apoiado por todos do sindicato tentou fechar a porta da garagem para impedir a saída dos ônibus”. A concessionária acrescentou que, conforme acordo firmado com o sindicato desde a pandemia, o pagamento ocorre no quinto dia útil do mês. “Portanto, não existe atraso”, concluiu a nota.

Demandas ainda sem solução

Em entrevista ao jornal, Marlúcio Negro da Silva lembrou que outras reivindicações continuam pendentes, principalmente relacionadas ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“O sindicato está tentando resolver o caso do Fundo de Garantia, já moveu ação contra a empresa em 2018, e só foi acontecer a primeira audiência em 2022. A juíza da Vara do Trabalho do Vale do Aço deu causa ganha para nós, a empresa recorreu. E esse processo se encontra parado desde 2022, na segunda instância, lá em Belo Horizonte”, detalhou.

Marlúcio acrescentou que, além da situação do FGTS, a empresa vem atrasando mensalmente o pagamento dos planos de saúde e odontológico, o que gera transtornos para os trabalhadores.

“A expectativa da diretoria do Sinttrocel é que os municípios de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo tomem também uma posição. O que nos dá a entender é que os prefeitos estão lavando as mãos. E até quando o trabalhador vai aguentar essa situação? Todo mês é uma luta para o pagamento cair na conta do trabalhador, para o vale alimentação sair. Todo dia 20 é uma luta pro adiantamento salarial, que está garantido no acordo coletivo”, afirmou.

Condições de trabalho preocupam categoria

Segundo o dirigente sindical, as condições de trabalho dos profissionais do transporte coletivo também têm se deteriorado nos últimos anos.

De acordo com Marlúcio, há casos em que motoristas acumulam funções e enfrentam jornadas prolongadas.

“Não tem horário fixo mais para eles. Há motorista trabalhando mais de 12 horas por dia. Tem trabalhador com mais de 7 dias sem folga e por aí vão os problemas. Então é uma luta permanente para reduzir o sofrimento do trabalhador”, enfatizou.

Por fim, o presidente do Sinttrocel afirmou que a categoria poderá voltar a se mobilizar caso os problemas persistam.

“Se tiver que todo mês fazer algum movimento, nós vamos fazer, até que a empresa passe realmente a respeitar o trabalhador. E o poder concedente também deve tomar uma providência de tentar ver se consegue colocar essa empresa no lugar que ela merece, porque o povo também tem sofrido muito com esse transporte público no Vale do Aço”, concluiu.
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