24 de fevereiro, de 2026 | 18:00

Vale do Aço acumula 67 mm de chuva e entra em alerta vermelho

Arquivo DA
Em situações de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil ou o Corpo de BombeirosEm situações de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil ou o Corpo de Bombeiros
Por Matheus Valadares - Repórter Diário do Aço
O Vale do Aço recebeu, nos últimos quatro dias, um acumulado de 67 mm de chuva, conforme dados da estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), localizada no interior do Oikós, no bairro Primavera, em Timóteo. Os dados foram contados até às 16h de terça-feira (24).

Os dados mostram que as principais precipitações ocorreram no domingo (22) e no início da manhã desta terça-feira (24). Vale salientar que em outros bairros os registros podem ter ocorrido de forma diferente.

A previsão é que a chuva continue até sexta-feira (27), conforme já relatou o Diário do Aço, no entanto, o alerta saiu da cor amarela, que significa “perigo potencial”, para cor vermelha, que representa “grande perigo”, conforme a terminologia utilizada pelo Inmet.

Conforme o órgão, é possível que haja precipitação superior a 60 milímetros por hora ou acumulados acima de 100 milímetros por dia. O alerta abrange municípios do Vale do Aço, Vale do Rio Doce, Zona da Mata e Sul de Minas, além de áreas dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

Ainda de acordo com o Inmet, há risco de alagamentos, transbordamento de rios e deslizamentos de encostas, especialmente em regiões vulneráveis. Em situações de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

Aviso da Defesa Civil


Moradores do Vale do Aço receberam, na manhã de terça, um alerta da Defesa Civil encaminhado diretamente aos celulares. A mensagem apontava risco geológico moderado, com possibilidade de deslizamentos de terra: “Defesa Civil: alerta de risco geológico: Risco Moderado de deslizamentos. Atente-se a locais de encostas, quedas de muro e desabamentos”.

A Defesa Civil de Coronel Fabriciano também se manifestou por meio das mídias sociais, e informou aos munícipes que “há risco de deslizamentos, principalmente em áreas de encostas, locais com históricos de queda de muros e deslizamentos”.

População em áreas de risco passa de 78 mil pessoas no Vale do Aço



Em maio de 2024, o Diário do Aço publicou que mais de 78 mil moradores do Vale do Aço e seu Colar Metropolitano vivem em áreas suscetíveis a passar por algum episódio de deslizamento, enxurrada ou inundação associados à chuva intensa. Os dados são de um estudo feito a pedido do governo federal, que mapeou 1.942 municípios em todo Brasil, vulneráveis a esses tipos de desastres. Do total, 20 estão no Vale do Aço.

Referente à Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA), 29.636 vivem nessas condições, do total de 458.846, o que representa 6,46% da população. No ano passado, 11 pessoas morreram no Vale do Aço e centenas ficaram desabrigadas devido a deslizamentos que atingiram as cidades.

A engenheira civil especialista em Perícias e Geotecnia e inspetora do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MG), Estela Novaes, explica que, de modo geral, a chuva contínua é mais perigosa que a pancada de chuva. “A chuva prolongada faz com que haja maior infiltração no solo, que aumenta o nível do lençol freático. Com isso, o solo vai ficar mais saturado e vai perder resistência. Em solos com uma baixa permeabilidade, a água infiltra mais devagar, demora mais tempo a drenar e vai causando o aumento da pressão no maciço, que pode causar as rupturas translacionais, que podem ser superficiais ou profundas”, explicou em entrevista anterior ao Diário do Aço.

Erosões


A engenheira acrescenta que a água tem interferência na estabilidade do solo porque modifica a estrutura das tensões e o cisalhamento do maciço. “Solos com pouca permeabilidade ficam mais suscetíveis, e sofrem mais compressão.

Taludes, aterros, desaterros malfeitos, que foram mal compactados, a água aumenta a tensão e diminui a resistência. O solo vai ficando mais pesado, que dá início às erosões. São os principais fatores do deslizamento provocados pela chuva”, complementa.

Já publicado:
Mais de 78 mil pessoas vivem em áreas de risco de desastres ambientais no Vale do Aço

Solo encharcado faz aumentar alerta de risco em áreas de encostas

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