10 de fevereiro, de 2026 | 22:30
Preso do Ceresp morreu por traumatismo cranioencefálico e família aguarda respostas do Estado de Minas Gerais
Alex Ferreira + reprodução
Jerônimo Gonçalves Figueiredo tinha 47 anos, era primário e estava preso por incendiar sua própria residência no Bom Jardim, em Ipatinga
Jerônimo Gonçalves Figueiredo tinha 47 anos, era primário e estava preso por incendiar sua própria residência no Bom Jardim, em Ipatinga A morte do soldador Jerônimo Gonçalves Figueiredo, de 47 anos, ocorrida domingo (8), após ser retirado do Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) de Ipatinga, levanta questionamentos e causa revolta entre familiares. Ele estava preso havia poucos dias e foi levado inconsciente para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde chegou já sem vida, conforme já divulgado pelo Diário do Aço.
A reportagem teve acesso ao atestado de óbito de Jerônimo, que aponta como causa da morte traumatismo cranioencefálico; impacto de instrumento ou meio contundente”.
Jerônimo foi preso no último dia 31 de dezembro, após atear fogo na própria casa, na rua Arruda, no bairro Bom Jardim, em Ipatinga, conforme informou o Diário do Aço na época. A Polícia Militar foi acionada depois que o casal que morava no imóvel acordou com fumaça enquanto dormia e conseguiu conter as chamas ainda em pânico.
Segundo dados apurados com fontes da Polícia Penal, por volta das 15h30, policiais penais foram acionados por detentos da cela 1 do bloco A, que informaram que Jerônimo estaria passando mal. Ao entrarem na cela, constataram que ele não respondia aos chamados e aparentava estar inconsciente.
Diante da gravidade da situação, o preso foi retirado do local e, como o Samu não pôde garantir atendimento imediato devido à alta demanda, dois policiais o conduziram com urgência até a UPA.
Na unidade de saúde, a médica plantonista atestou o óbito, sem conseguir precisar naquele momento a causa da morte. O corpo foi encaminhado ao Posto Médico Legal (PML) para exames periciais, e a família foi posteriormente comunicada.
Família relata marcas de violência
Durante o funeral realizado no Salão Velório da Funerária Nova Aliança - Grupo Zelo, a sobrinha de Jerônimo, Ludmila Gonçalves do Nascimento Reis, de 28 anos, concedeu entrevista ao Diário do Aço e relatou o drama vivido pela família.Segundo ela, o tio era réu primário, nunca havia passado pelo sistema prisional e enfrentava problemas de saúde agravados pelo alcoolismo. Ludmila contou que Jerônimo era soldador e já havia trabalhado na Usiminas, sendo lembrado com carinho por vizinhos e familiares.
A jovem afirma que a prisão ocorreu após um conflito familiar envolvendo uma tia, que teria registrado ocorrência contra Jerônimo, alegando tentativa de homicídio. A sobrinha sustenta que ele estava debilitado fisicamente no momento da prisão e que a família buscava alternativas legais, inclusive a possibilidade de prisão domiciliar.
Falta informação
O que mais revolta os parentes, segundo Ludmila, é a falta de informações oficiais sobre o que realmente aconteceu dentro do Ceresp. Ela relata que só soube do ocorrido após uma assistente social da UPA entrar em contato com o pai dela, pedindo a presença de um familiar. Ao chegar à unidade de saúde, foi informada pelo médico de que Jerônimo já havia dado entrada sem vida.
Ainda conforme Ludmila, policiais impediram que a família visse o corpo naquele momento, alegando que havia muitos hematomas. Posteriormente, no PML, os parentes constataram marcas visíveis de violência. Ele estava todo machucado, com o rosto estourado. Isso é desumano. Se ele estava sob custódia do Estado, o mínimo era ter a vida protegida”, desabafou.
A sobrinha cobra esclarecimentos e justiça. A gente não sabe se foi agressão, acidente ou o quê. Ninguém explicou nada. Só avisaram que ele morreu e pronto. Preso também tem família. Ele não merecia morrer assim”, afirmou.
O corpo de Jerônimo Gonçalves Figueiredo foi sepultado às 8h de 9/2, no Cemitério Parque Senhora da Paz, no bairro Veneza II, em Ipatinga.
O que diz a Sejusp
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública informou que todas as providências relativas ao óbito do preso Jerônimo Gonçalves Figueiredo, de 47 anos, foram tomadas pela direção do Ceresp Ipatinga. No último domingo (8/2), policiais penais foram acionados por colegas de cela de Jerônimo, sob a alegação de que ele se sentia mal. Ao chegarem ao local, encontraram-no inconsciente.Imediatamente, o preso foi conduzido a um hospital da rede pública, sendo confirmado o óbito. Jerônimo Gonçalves Figueiredo havia sido admitido no Ceresp Ipatinga no dia 31/12/2025.
A direção da unidade prisional instaurou procedimento interno para apurar as circunstâncias do ocorrido. No curso das apurações, os presos da cela serão ouvidos pelo Conselho Disciplinar do Ceresp. As investigações criminais são de responsabilidade da Polícia Civil.
Segunda morte no Ceresp em 2026
Este ano, Jerônimo é o segundo preso que morre no interior da unidade prisional. No dia 7 de janeiro passado, Leonardo Victor Citadinho da Costa, de 24 anos, foi assassinado em uma cela do Bloco C do presídio.
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Afonso
12 de fevereiro, 2026 | 01:46Ele tentou matar duas pessoas queimadas, ele queimou a casa de duas pessoas, ele não era santo, aqui se faz aqui se paga”
Luiz Borges Martins
11 de fevereiro, 2026 | 23:20Tai uma boa saída para esses homicídios dentro de celas de presídios, o Rafael deu uma boa ideia porque não ter câmeras no interior de todas as celas? Pois se
Esses infratores quisessem ter direito a privacidade não cometeram crimes que os levasse para dentro do sistema prisional.”
Jota
11 de fevereiro, 2026 | 17:18Se o nome não fosse Jerônimo e sim "orelha" (contem ironia) o MP já estaria todinho mobilizado para atuar fortemente no caso. Mas... É só um soldador sem antecedentes criminais... Melhor deixar quieto né MP?”
Bruno
11 de fevereiro, 2026 | 13:17Descanse em paz guerreiro, trabalhamos juntos na area da usina em Ipatinga e Cubatão, ta ai um cara que tinha seus problemas com alcool mais tinha um bom coração, que seja feita a justiça na terra ou a justiça de Deus, essa ninguem escapa.”
Marcelo
11 de fevereiro, 2026 | 13:10Se não tem capacidade de segurar em segurança pra que prendeu queria ver se fosse a família deste agentes qual seria a reação deles.”
Indignado
11 de fevereiro, 2026 | 11:21? para que fiquemos REVOLTADOS!
Não podemos nesse dia de hoje (11/02/2026) determinar com exatidão o grau de culpabilidade do cidadão encarcerado. Não dá para formar uma opinião concreta a respeito da morte do soldador, Sr. Jerônimo. Mas vamos fazer um exercício:
O Senhor Jerônimo é ou parece ser, réu primário. Não é bandido. Não é vagabundo. Estava preso desde 31/12/25. Foram 39 dias de prisão até sua morte no interior do CERESP de Ipatinga.
O que me causa um grande espanto e indignação é que centenas e centenas de drogados, traficantes, ladrões, assassinos, são presos e não ficam no cárcere. Assassinos do trânsito que o digam. Matam e saem. A justiça solta rapidinho. Ficam 3, 4, 10 dias presos e são colocados em liberdade. Alguns são soltos logo na audiência de custódia que ocorre normalmente no dia seguinte à prisão.
É revoltante saber que um homem, foi preso, ficou por 39 dias preso e foi morto dentro do sistema prisional.
Quem o matou? Foram os companheiros de prisão ou foram os agentes prisionais? Alguém bateu nele. Alguém o espancou. Por quê? Qual ou quais os motivos?
É preciso que esse fato seja apurado rigorosamente e que a JUSTIÇÃ (que não acreditamos, seja feita).
Que coisa triste e abominável.
Aparentemente um cidadão sem um passado ruim, foi assassinado no sistema prisional.
Colocou fogo no que é dele! Se era tentativa de autoextermínio, não sabemos.
39 dias encarcerado!!! Enquanto bandidos não ficam!”
Wanderlei
11 de fevereiro, 2026 | 10:07Enquanto isso nossa legislação e honrosos juízes mantém o ladrão do Banco Máster em prisão domiciliar ( se fosse na china, ele e sua corja já estariam no inferno).”
Billy The Kid
11 de fevereiro, 2026 | 07:04Pelo grau de covardia deveriam apurar o nome de todos que estavam na cele e participou das agressão e pegar aqui na rua”
Cidadão Pagador de Impostos
11 de fevereiro, 2026 | 06:28Ou seja, não era um criminoso contumaz, era um pobre coitado, alcóolatra e sem dinheiro para pagar um advogado. Jogado na cova dos leões, morreu massacrado. Adivinhe quem vai pagar a indenização à família, pela falha do Estado que o acautelou? Acerto se respondeu que somos todos nós, pagadores de impostos.”
Rafael
11 de fevereiro, 2026 | 06:04Essa história de cair dentro da cela e sair todo machucado é velha, família infelizmente o Jerônimo tomou um coro e foi morto,mas como não tem câmera ninguém irá ver ou saber o que houve”