Um dos cinco irmãos do autor do ataque à Praça dos Três Poderes, em Brasília, na quarta-feira (13), que acabou se matando ao se jogar sobre uma das bombas que explodiu, afirmou nesta sexta-feira (15) que a motivação de Francisco Wanderley Luiz, o Tiu França,de 59 anos, não teve relação com dramas familiares pessoais, mas com a polarização política. Valdir Rogério Luiz disse ter notado uma radicalização de Francisco nos últimos dois anos.
Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
Corpo de Francisco Wanderly passou a noite de quinta para sexta-feira no local do atentado, por causa de explosivos em seu cinto
"O gatilho começou dois anos atrás, na polarização. As pessoas deixam se levar. Ele tinha uma causa, deixou escrito. Às vezes, existe uma motivação que acaba motivando as pessoas. A polarização é exemplo", disse.
O irmão explicou que Wanderley deixou dois filhos. O reconhecimento do corpo pelo filho foi feito nesta sexta-feira (15), em Brasília. Ele tem também uma filha, que é missionária na Tailândia e não chegará a tempo para o enterro do pai, programado para ser feito em Rio do Sul, entre domingo e segunda-feira (18).
Valdir acrescentou que o irmão afastou-se da família e participou de acampamentos em rodovias contra a eleição de Lula em 2023 e estava com comportamento irreconhecível. "A pessoa com a cabeça fraca, se não está bem centrada, acaba se deixando levar pelo ódio", afirmou em entrevista à TV Brasil.
Emocionado, o irmão contou que não mantinha contato com Francisco Wanderley, nos últimos meses. Francisco, que era chaveiro na cidade de Rio do Sul, era uma pessoa tranquila, disse. Porém, após as últimas eleições presidenciais em 2022, só falava de política, o que dificultava o convívio. Essa situação se agravou no ano passado. O irmão disse ainda que Francisco estava com comportamento irreconhecível.
Ex-esposa afirma que marido entrou numa paranoia
A ex-esposa de Francisco Wanderley Luiz revelou à Polícia Federal que o objetivo dele era assassinar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o relato de Daiane Dias, Moraes era o alvo principal, mas ele também pretendia atingir outras pessoas que estivessem próximas. A mulher afirmou que Wanderley Luiz vinha planejando o ataque desde a derrota do ex-presidente Jair Bolsonaro e fazia pesquisas na internet para concretizar o atentado.
Ela descreveu a obsessão do ex-marido por eliminar o ministro, o que a deixou em um estado de grande angústia devido às constantes discussões sobre política. Ela havia se separado de Francisco Wanderley havia quatro meses, quando ele mudou-se para Brasília.
A ex-mulher ainda mencionou que Luiz pretendia se matar conseguisse cumprir seu plano contra Alexandre de Moraes. No entendimento dela, Francisco Wanderley só teria decidido detonar sobre si o explosivo porque foi descoberto antes de executar o plano.
De fato, imagens de câmeras de segurança mostram Luiz recuando após ser abordado por um segurança em frente ao STF, arremessando explosivos em direção ao prédio e, em seguida, deitando-se com um artefato explosivo próximo à cabeça, resultando em sua morte após a detonação.
O corpo do homem estendido no local durante toda a noite, em razão de outros explosivos, que estavam amarrados nele. Três desses itens estavam no cinto de Francisco, e o quarto seria um extintor de incêndio adaptado para estourar. O pino detonador estava na mochila do homem-bomba.
Reprodução Facebook
Francisco Wanderley Luiz, o Tiu França, de 59 anos: candidato do PL a vereador, obteve 100 votos em 2020 e não se elegeu
Em um trailer alugado por Francisco Wanderley, a Polícia Federal encontrou um boné com os dizeres "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". O trailer estava pertodo local onde também estava o carro de Francisco, cujo portamalas foi explodido por outra bomba que ele mesmo acionou.
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Francisco Wanderley Luiz tinha histórico criminal que incluía diversas infrações. Em 2022, ele enfrentou processos por perturbação do sossego e por desrespeito a medidas sanitárias.
Além disso, em 2013, foi registrado um caso de violência doméstica contra ele, o que agravou sua situação perante a lei. Em 2021, ele foi denunciado por organizar uma festa em seu estabelecimento, desconsiderando as normas de distanciamento social impostas durante a pandemia.
Seu histórico inclui uma detenção de quase três meses relacionada à violência doméstica, durante a qual ele teve a condição de não deixar a região onde morava, sem autorização judicial.
Na casa alugada por Luiz, em Ceilândia, foram encontrados indícios que ligam o atentado às manifestações antidemocráticas de 8 de janeiro. Entre as evidências, havia uma inscrição no espelho com a frase: “Em estátua de merda, se usa TNT”, sugerindo um plano para destruir a estátua da Justiça no STF.
O homem tinha sido candiato a vereador pelo PL em Rio do Sul, obteve 100 votos e não foi conseguiu se eleger na eleição municipal de 2020.