Três homens estão presos e um foragido no caso do duplo assassinato de irmãs em Ipatinga

Mulher contratou grupo criminoso para dar surra em ex-namorado (amante), o serviço não foi feito, ela pediu o dinheiro de volta e acabou assassinada com a irmã

05/02/2024 às 12:30
Wellington Fred
Equipes, da PCMG e da PMMG detalharam a investigação que levou aos envolvidos no duplo assassinato de irmãs em Ipatinga

Em entrevista à imprensa, o delegado da Polícia Civil, Marcelo Franco Marino e o capitão PM Glauberson, apresentaram o resultado da operação Xeque-Mate, deflagrada no começo da manhã de segunda-feira (5), para o cumprimento de quatro mandados judiciais de prisão temporária e seis mandados de busca e apreensão visando o esclarecimento do duplo assassinato das irmãs Elisangela Ribeiro da Cruz, de 50 anos, e Camila Keila Ribeiro da Cruz, de 34 anos, descoberto na madrugada de sábado (6/1), no loteamento do bairro Chácaras Madalena, em Ipatinga. "O crime foi completamente apurado nessa investigação. Estamos hoje, ao fim da operação, com três autores presos e um foragido", acrescentou. O vídeo com as entrevistas completas está ao fim do texto.

O Diário do Aço apurou com fontes da polícia, que todo os presos são moradores do bairro Esperança. Um dos suspeitos presos, o M.A.R., de 18 anos morador da rua Vereador Samuel Gomes Lopes. O segundo, L.V.C.C., de 22 anos, é residente da mesma rua onde M.A.R. mora e, nesta mesma rua, foi preso o terceiro alvo da operação, o M.A.N., de 18 anos que estava na casa da namorada. Ele, que é residente na rua Estrelícia, tentou fugir, mas foi cercado e preso.

Além dos três suspeitos presos mediante mandados de prisão temporária de 30 dias, expedidos pelo juiz Rodrigo Braga Ramos, da Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Ipatinga, os policiais recolheram aparelhos de telefones celulares usados pelos investigados. Os equipamentos serão periciados em busca de mais provas.

Crime será tratado como latrocínio, roubo seguido de morte

Conforme o delegado, os objetos alvo das buscas enrobustecem as provas que já existem no inquérito. O crime, que foi o fato policial de maior repercussão neste começo de ano em Ipatinga, passa a ser tratado como latrocínio. “O que aconteceu, que parecia ser um duplo homicídio, tecnicamente falando foi um duplo latrocínio. Essas mulheres foram mortas para que os autores subtraíssem os bens que elas levavam. Esse é um crime contra o patrimônio em que a vida da vítima é eliminada em função da subtração patrimonial", detalhou.

A linha de investigação que associava o duplo assassinato das irmãs a um triplo homicídio no bairro Bethânia, horas antes delas serem mortas foi descartada. A investigação apontou para outro lado, detalha o delegado:

"Uma das vítimas (Camila Keila Ribeiro da Cruz) mantinha relacionamento (extraconjugal) com um motorista de aplicativo. E esse motorista queria terminar o relacionamento, conversou com a Camila e ela não ficou satisfeita com isso. Pior ainda, ela viu o seu ex-namorado (ex-amante) acompanhado de outra mulher. E esses fatos a deixaram com desejo de uma retaliação, que seria uma surra. Com isso, ela contratou quatro indivíduos do bairro Esperança, para que batessem no ex-namorado. Levou esses indivíduos até o local onde essa pessoa mora, no bairro Veneza, e eles ficaram de tocaia. Ocorre que a câmera de segurança do prédio onde o ex-namorado (amante) mora captou a imagem desses indivíduos e isso foi determinante para as investigações", acrescentou o delegado.

Marcelo Franco também afirmou que, no dia seguinte, como os contratados não conseguiram dar a surra no motorista, ex-namorado, porque ele não estava em casa, a pessoa (Camila) que contratou foi procura-los (acompanhada da irmã Elisângela), no bairro Esperança, querendo o dinheiro de volta.

“Ocorre que ela estava lidando com gente perigosa, que não devolveu o dinheiro dela, como também tomou tudo o que essa mulher e a irmã levavam: bolsas, celulares, cartões bancários, uma quantia de R$ 1.000 e ainda as mataram para evitar que o crime fosse descoberto. Antes da execução foram levadas para um cativeiro, na casa de um deles, e lá, pelo menos uma delas foi violentada sexualmente. A gente sabe disso porque a medicina-legal encontrou esperma nas roupas íntimas de uma delas (Elisângela). Essa mesma mulher que foi violentada sofreu um duro golpe, que quebrou o maxilar dela e alguns dentes", acrescentou.

Uma das possibilidades é que a tortura tenha sido praticada, mediante resistência da vítima, ou então porque os criminosos exigiram senhas bancárias e elas se negaram a repassar. "Foram colocadas no porta-malas do carro sangrando e o local da execução foi mesmo o loteamento no alto do Chácaras Madalena, onde os corpos foram encontrados. Cada uma recebeu cinco disparos de arma de fogo. Elisângela foi executada primeiro, conforme revelado nos exames de necropsia", afirmou o delegado.

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O delegado Marcelo Franco Marino atribuiu o resultado do trabalho a uma cooperação entre a Polícia Milita e a Polícia Civil. No dia em que os indivíduos foram dar a surra no homem alvo da ira da mulher, e desistiram porque o homem não estava em casa, no caminho de volta, eles foram abordados por policiais militares, que os reconheceram como indivíduos envolvidos em diversos atos criminosos no bairro Esperança.

No momento da abordagem eles foram fotografados por policiais militares que os pararam. “Então, quando confrontamos as imagens das câmeras de segurança do prédio do alvo e as fotos feitas depois, pelos policiais militares, isso facilitou a identificação de todos os envolvidos. Agora presos, alguns já confessaram parcialmente o envolvimento com o crime. As diligências complementares estão em andamento”, enfatizou o delegado.

Reincidentes e perigosos

O capitão PM Glauberson Gonçalves, comandante da 13º Companhia, acrescentou que foram fundamentais as informações colhidas junto à população, para determinar a movimentação dos suspeitos. "Todos são conhecidos da polícia. Trabalhavam para outros indivíduos, alguns deles presos, do bairro Esperança, envolvidos com o tráfico. Eram todos violentos, dados à prática de agressão. Um deles, quando menor de idade, já tinha cometido um homicídio. Deu um tiro na cabeça de uma pessoa, por um desentendimento", afirmou.

Dentre os três presos nesta segunda-feira, um dos marginais, o M.A.N., tinha escapado do cerco policial pelos fundos, invadido uma residência, sem que o morador visse, e escondido debaixo de uma cama, onde foi preso.

Wellington Fred + reprodução
Elisângela e a irmã, Camila, foram assassinadas no alto do bairro Chácaras Madalena, em Ipatinga e os acusados do crime estão presos

Quem eram as irmãs executadas a tiros na madrugada de 6/1



Camila era professora na Creche Comunitária Nova Conquista, localizada no bairro Bom Jardim em Ipatinga. Era casada e deixou um filho de 12 anos. A irmã dela, Elisangela Ribeiro, tinha sido lojista.

As duas tinham saído juntas (da casa de Elisângela), em HB20, de cor prata. Horas depois que os corpos foram localizados, o carro foi encontrado batido na rua 2 do bairro Nova Esperança, mesmo bairro onde as duas moravam.

O proprietário do carro, um médico, confirmou que o veículo era alugado e que tinha emprestado o HB20 para Camila, de quem era amigo.

Camila saiu de casa no HB20 dizendo ao marido que iria à casa da irmã, que tinha pedido ajuda. O marido da vítima informou que, por volta de 23h30 de sexta-feira (5) a mulher havia saído para ir à casa de sua irmã Elisângela, que havia pedido ajuda, pois estaria passando mal.

Câmeras de segurança mostram que as duas irmãs saíram no carro e depois disso, desapareceram e só foram encontradas horas depois, já assassinadas.


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