23 de agosto, de 2023 | 08:30

Sindppen-MG recebe denúncia de assédio moral na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho

Policiais penais querem investigação sobre possibilidade de suicídio de colega estar relacionado a práticas na unidade prisional em Ipaba

Leonardo Cruz
Secretaria de Segurança confirmou ter ciência de possíveis desvios de conduta de servidores da Penitenciária de Ipaba Secretaria de Segurança confirmou ter ciência de possíveis desvios de conduta de servidores da Penitenciária de Ipaba

O autoextermínio de um policial penal que trabalhava na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, trouxe à tona questões sobre o assédio moral e perseguição dentro da unidade. Diante da perda do companheiro de profissão, alguns colegas do policial procuraram o Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais (Sindppen-MG) relatando que o suicídio do profissional poderia ter relação com situações internas na unidade.

A morte do policial penal completou um mês no último domingo, dia 20 de agosto. Foi bem próxima a essa data que a reportagem do jornal Diário do Aço foi procurada, por uma fonte que pediu para não ter sua identidade revelada, informando que “casos alarmantes de assédio moral têm vindo à tona na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho”.

Segundo o relato recebido pela reportagem, uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Minas Gerais teria revelado evidências indicando uma possível correlação entre o assédio moral sofrido por servidores da penitenciária e o autoextermínio do policial penal no mês de julho. “Os detalhes são estarrecedores e levantam sérias questões sobre as práticas internas e o ambiente de trabalho na instituição”, declarou o denunciante.

Sindppen-MG foi acionado
Perante a possibilidade de o autoextermínio do colega ter relação com perseguições internas na unidade, policiais penais procuraram o sindicato que representa a categoria para pedir ajuda. O diretor estadual do Sindppen-MG, Leonardo Cruz, descreveu o que indicavam os relatos. “As denúncias eram sobre trocas de equipe e horário sem consentimento, brincadeiras de mau gosto em grupos de WhatsApp e até mesmo durante o trabalho”, especificou. Destaque para mudança de turno de trabalho. “Segundo as denúncias, o colega não queria trabalhar em um horário que havia sido colocado”.

Apuração
De acordo com Leonardo, assim que o sindicato recebeu a denúncia de que a morte do colega poderia ter alguma ligação com possível assédio moral sofrido no ambiente de trabalho, iniciaram as apurações. Nesta terça-feira (22), inclusive, o diretor visitou a unidade. “Fomos recebidos pelos diretores da unidade que negaram haver ou ter havido qualquer tipo de perseguição a qualquer servidor, muito menos a esse em questão do autoextermínio”.

Em sua visita à unidade prisional, Leonardo também conversou com policiais penais. “O sindicato colheu as informações e agora irá remeter tudo ao Depen (Departamento Penitenciário) e a Sejusp, para que os fatos sejam elucidados”, garantiu o diretor.

Questionado se o Sindppen-MG recebeu denúncias que indicassem a ocorrência de outros casos de assédio moral cometidos na Penitenciária de Ipaba, o diretor disse que não. “Não chegou. Pode ser que chegue a partir da reportagem”.

O que diz a Sejusp?
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que tem ciência de denúncia relativa a possíveis desvios de conduta de servidores da Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, incluindo caso de assédio moral e garantiu que todas as denúncias são apuradas com rigor. “Caso se confirmem, as medidas administrativas cabíveis no âmbito do processo legal são tomadas, guardando sempre o direito à ampla defesa e ao contraditório”.

Polícia Civil
A Polícia Civil de Minas Gerais respondeu à reportagem que instaurou um inquérito policial para investigar o caso de autoextermínio, que foi concluído sem indiciamento no dia 11 de agosto e, posteriormente, remetido à Justiça. Por fim, a PCMG explicou que as denúncias sobre possível assédio moral não foram destinadas à instituição.

Pedido de socorro
Na mensagem enviada ao Diário do Aço, o denunciante fez um apelo. “É essencial que esses casos sejam tratados com a devida seriedade e transparência para garantir a segurança dos servidores, dos detentos e da comunidade em geral”, disse. Por fim, pediu uma apuração rigorosa sobre o assunto. “Exortamos as autoridades competentes a conduzirem uma investigação completa e imparcial sobre as alegações de assédio moral na Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho”, conclui.

Veja mais:
Ocorrências na ala LGBTQIA+ do Presídio de Coronel Fabriciano são frequentes
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Policial

23 de agosto, 2023 | 17:52

“Engraçado né,será mesmo que o sindicato tá representando a classe, porque não tomou providências antes do fato acontecer, e outra coisa,isso tá parecendo aquelas pesquisas de boca de urna,ouvi uns e não ouves os outros...sera mesmo que isso aconteceu ou é apenas uma turma que está aproveitando a dor de uma família pra tirar proveito na situação.....”

Rafaela

23 de agosto, 2023 | 16:26

“Com salário de quase R$5000,00 mensais, não falto e nem tiro férias, deveria fazer outros tipos de teste para essa carreira.”

Penal

23 de agosto, 2023 | 16:24

“isso e mais comum que se imagina, em ipaba ta cheio de poderosos perseguidores, esses mesmos perseguidores quando morre o colega posta o luto e faz homenagem, muita hipocrezia, onde tem o funcionalizmo publico, tem perseguição, prefeitura, camara, penitenciaria, infelismente, não existe mais liberdade e amor ao proximo, se você fala alguma coisa, troca de turno, troca o setor, de horário, a perseguição e tamanha que, alguns colegas se desesperam e prefere a morte que pizar no trabalho, a dor psicologica é maior que uma surra fisica, triste estudar, conquistar o sonho da estabilidade, vem um mané com sua superioridade e destroi tudo ...”

Polícial Penal Defasagem Salarial 35%

23 de agosto, 2023 | 15:09

“Tudo começa pelo governador zema,trata a segurança pública igual muleque,o salário tá defasado,o polícial trabalha sem motivação,sem nenhuma esperança de levar o pão dignamente pra sua casa, Fabriciano tá pior ainda ,tem um público novo lá colorido que tá acabando com o psicólogo do polícia.motim todos os dias ,fogo no pavilhão,os diretores tem que lembrar que o governador tá devendo o servidores recomposição salarial, então tem que trabalhar no mesmo ritmo que o governo trata o servidor.”

Muito Mimimi

23 de agosto, 2023 | 14:10

“Se troca de equipe e horário for motivo suficiente para tanto, não vai sobrar ninguém nas instituições do Estado.”

Caveirão

23 de agosto, 2023 | 13:07

“Contrato x Concurso. O tempo que está perdendo aqui reclamando poderia estar aproveitando e estudando pra passar no concurso.”

Jt

23 de agosto, 2023 | 11:48

“Santos, com certeza vc não passou pelo q ele passou né
Se ele tava reclamando do horário é pq tinha alguma coisa nesse horário q num tava bom pra ele , e pelo q li na reportagem estavam fazendo isso com frequência é só avisavam um dia antes da modificação”

Bom

23 de agosto, 2023 | 09:39

“O ESTADO FAZ UMA LAVAGEM CEREBRAL NESSA TURMA, QUE DÁ MEDO.
SEMPRE TEM UM CASO BÁRBARO ENVOLVENDO ALGUÉM DO "SISTEMA ".
ASSASSINATOS E SUICÍDIO ESTÃO ACONTECENDO MUITO NESSA ÁREA.
FORA OS QUE MORREM NOS TESTES PRA ENTRAR NO "SISTEMA ".”

Santos

23 de agosto, 2023 | 09:12

“O funcionário tem de saber que a Empresa não pode mante-lo só no horário de seu interesse, é claro que não pode haver abusos,mas escolher horário.....”

Agente Penitenciário

23 de agosto, 2023 | 08:57

“Esse povo reclama demais, me refiro aos guardas efetivos. Quem mais sofre assédio nesse lugar são os contratados e aguentamos o tranco calados, na opressão! Quando convém somos jogados no plantão e quando convém (com comunicação apenas no dia anterior a efetiva modificação) nos mandam para diaristas. Não há respeito pela pessoa e profissional contratado, ao menos por parte de quem detém o poder. Alguns colegas, me refiro aos guardas de baixo escalão, ainda fundamentam isso alegando que "fazer tal coisa é a cara do contratado, eles estão aí para pagar essa cara". Felizmente a grande maioria não pensa assim, mas tb não estão no poder, né?”

Envie seu Comentário