17 de agosto, de 2023 | 07:00

Ocorrências na ala LGBTQIA+ do Presídio de Coronel Fabriciano são frequentes

Reportagem do Diário do Aço recebeu fotografias de materiais recolhidos dentro das celas e de um princípio de motim

Enviado por leitor
Corda artesanal apreendida por policiais penais durante uma revista de rotina nas celas do Presídio de Coronel FabricianoCorda artesanal apreendida por policiais penais durante uma revista de rotina nas celas do Presídio de Coronel Fabriciano

Desde que foi inaugurada, em junho deste ano, a ala LGBTQIA+ do Presídio de Coronel Fabriciano está marcada por princípios de motim e apreensões de objetos ilícitos encontrados dentro das celas. As informações, acompanhadas inclusive por fotografias, foram repassadas ao jornal Diário do Aço por uma fonte que pediu para não ser identificada.

O relato dá conta de que os custodiados autodeclarados LGBTQIA+, com certa frequência, realizam atos de tumulto na unidade prisional. “A população LGBTQIA+, constantemente, vem fazendo motim no Presídio”, afirmou o denunciante. O episódio mais recente, de acordo com quem fez o relato, foi registrado na terça-feira (15), quando presos de uma determinada cela atearam fogo em pedaços de colchão.

Encontrar objetos proibidos dentro das acomodações dos detentos também é comum. Ainda conforme a denúncia, na semana que passou, foi encontrada em uma das celas uma corda artesanal feita com retalhos de pano, de aproximadamente 10 metros de comprimento (conhecida como "teresa"), que seria usada em uma tentativa de fuga.
Enviada por leitor
Um objeto cortante, semelhante a uma faca, foi localizado também dentro de uma cela Um objeto cortante, semelhante a uma faca, foi localizado também dentro de uma cela

Um objeto cortante, semelhante a uma faca, também foi localizado embaixo da cama, preso com um esparadrapo, durante revista em uma cela. Foi relatado, ainda, que há vários policias penais afastados na unidade.

Policiais penais
O presidente da Associação Mineira dos Policiais Penais e Servidores Prisionais (Amasp-MG) e do Sindicato da Polícia Penal de Minas Gerais (Sindppenal-MG), Alexsander Luiz da Paixão Ferreira, conhecido como Luiz Gelada, destacou que Minas Gerais foi o primeiro estado do Brasil a ter uma unidade prisional dedicada exclusivamente a receber presos LGBTQIA+, localizada em São Joaquim de Bicas, e salientou que ações como essa são fundamentais para garantir dignidade para este público específico.

Explicou e lamentou que ocorrências envolvendo a população LGBTQIA+ sejam frequentes dentro das unidades. “Infelizmente é um público que arruma muito problema, mas é muito problema mesmo. Tem muitos problemas, dentre eles a depressão, dificuldades de relacionamento e o não cumprimento de regras”, pontuou.

Impactos
Sobre os afastamentos de colegas da segurança penitenciária, o representante afirmou que a profissão em si, do policial penal, gera muito afastamento e que inícios de motim dificultam, ainda mais, o trabalho dos policiais. “Acaba atrapalhando, até mesmo nos atendimentos da unidade, tem vezes que nem atendimento de advogado se faz em função dessa intranquilidade”.
Enviada por leitor
Denunciante enviou fotografias de um início de motim, registrado nesta semana, na ala LGBTQIA+ Denunciante enviou fotografias de um início de motim, registrado nesta semana, na ala LGBTQIA+

Sobre os episódios na unidade em Coronel Fabriciano, Luiz Gelada foi informado que desde a transferência de presos da Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba, para o presídio de Fabriciano, alguns presos estariam descontentes com a mudança. “Não estão aceitando que foram transferidos”, disse. Ao todo, conforme apurado pelo representante dos policiais penais, há mais de 50 presos LGBTQIA+ no Presídio de Fabriciano.

Sejusp-MG nega ocorrências
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG) foi procurada pela reportagem do Diário do Aço. Por meio de nota, a pasta confirmou o registro de uma ocorrência, na semana que passou, quando foi localizada uma corda, mas negou outros fatos mencionados na notícia repassada pelas fontes.

“Informamos que na quinta-feira (10), durante uma revista de rotina nas celas do Presídio de Coronel Fabriciano, policiais penais apreenderam um pedaço de corda artesanal feita com pedaços de forro de colchão (vulgo teresa). As medidas administrativas cabíveis foram tomadas pela direção da unidade prisional. Quanto às demais denúncias, são improcedentes. Não há registro de motim ou qualquer outro episódio relacionado à segurança da unidade”, disse. A secretaria completou dizendo que: “o Presídio de Coronel Fabriciano segue sua rotina”.

Ala LGBTQIA+
O Presídio de Coronel Fabriciano conta, desde junho deste ano, com ala e um projeto de vivência específicos para custodiados autodeclarados LGBTQIA+ da região do Vale do Aço. Anteriormente, a unidade que recebia custodiados LGBTQIA+ no Vale do Aço era a Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, localizada em Ipaba. Porém, com maior demanda de custódia para este público, percebeu-se a necessidade da mudança, implantada no presídio em Fabriciano.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Existe Tecnica Pra Esses Tipos

09 de setembro, 2023 | 18:06

“Ela envolve cacetete e dedos cruzados na cabeça. Muito aplicada no nordeste e norte. Sem mais.”

Justo

22 de agosto, 2023 | 10:26

“Não sei pra que essa divisão é só colocar homens na cela de homens e mulheres nas celas de mulher, pronto problema resolvido.”

Tinho Mortadela

17 de agosto, 2023 | 20:00

“Acho que está mais do que na hora de a gente repensar. Essa turma do mimimi tem que lembrar que eles também devem cumprir com seus deveres e não só ficar reivindicando direito. Um povo chato e problemático esse povo aí.”

Policial Penal Pdmc

17 de agosto, 2023 | 14:06

“Aqui, na Dênio, seguramos essa bucha por muitos e muitos anos. Colocávamos os meninos do contrato para pagar aquele bloco B, setor de seguro e no qual ficavam os LGBT+ (entre outros IPLs), e eles aguentavam o tranco. Agora, um punhado de Guarda que virou Polícia e vem pedir arrego porque tem uma pequena ala com LGBT+ em Fabri e ainda mencionam que os detentos deveriam ficar no Ipaba porque aqui tem o GIR. GIR não é pra cuidar de LGBT+ GIR é Grupo de Intervenção Rápida! Cadê os caveirões de Fabri que ficavam fazendo greve e pedindo regulamentação da carreira de Polícia Penal? Não estão conseguindo aguentar meia-dúzia de LGBT...”

Polícial Penal Desvalorizado

17 de agosto, 2023 | 10:12

“Além do stress da profissão, além desse público LGBTQIA mais ,ser um público que dá muito problema,o governador zema trata a segurança pública do estado de minas gerais com desprezo,a violência vai crescer em minas gerais a cada dia mais ,a polícia militar sendo tratada igual lixo pelo governador,a população vai sofrer muito.”

Betão

17 de agosto, 2023 | 08:50

“Normal”

Juventinp Nunes Pereira

17 de agosto, 2023 | 08:45

“A Sejusp esta mentindo. Ocorrencias sao todos os dias. A unidade nao tem estrutura e nem funcionarios para lhe da com esse povo. Nao tivemos nenhum treinamento
Somos obrigado lhe da com esse povo que nao aceita nenhuma regra. Alo juiz da VEC os presos estao misturado em todas as celas das unidade
Porque aqui nao hs espaco para este povo
Vamos transferir para um lugar q realmente aceita esse povo”

Benedito

17 de agosto, 2023 | 08:06

“O que fizeram foi uma transferência de problema. Retiraram esse público da PDMC, onde existe um grupo tático com maior número de efetivo que uma equipe de plantão do PRCF, sem condições de oferecer segurança, nem a eles, nem aos policiais. Estrutura física inadequada e outras várias irregularidades que o poder público não vê.”

Envie seu Comentário