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O espaço multiuso integra o conjunto de equipamentos previstos para o Parque Ecológico APA da Biquinha
Silvia Miranda - Repórter Diário do Aço A Área de Preservação Ambiental (APA) da Biquinha em Coronel Fabriciano deve ganhar a construção de um parque ecológico. O local, que atualmente pertence a uma empresa privada (Arcelor Mittal), acaba de ser liberado de forma oficial para a exploração pública municipal. A assinatura do termo de comodato de bem imóvel, foi assinado segunda-feira (5) entre a Administração Municipal de Coronel Fabriciano e a Arcelor Mittal Brasil S.A., em uma solenidade na prefeitura.
Conforme divulgado em suas mídias sociais, a administração municipal afirma já ter recursos suficientes e pretende abrir uma licitação para a concessão do gerenciamento do Parque Ecológico APA da Biquinha. Com isso, foi levantada a preocupação de representantes da sociedade civil, quanto a uma possível cobrança para entrar no local, que hoje já é muito utilizado de forma gratuita para caminhadas e práticas de esportes por muitos munícipes e pessoas das cidades da região.
Mesmo sendo um terreno particular, a área de preservação sempre foi aberta ao público com entrada liberada para utilização das trilhas e cachoeiras. Falta, entretanto, uma infraestrutura de atendimento.
Agora, a administração municipal promete mudar isso e apresenta projetos para a construção de uma estrada para ligar Coronel Fabriciano à BR-381, como forma de aliviar o trânsito urbano, principalmente de caminhões que acessam o atual distrito industrial. A estrada iria tangenciar uma das laterais do parque e a promessa é que não irá interferir nas trilhas e lugares frequentados pelas pessoas. Em contrapartida haveria a criação do um parque ecológico, oferecendo uma estrutura para visitação, como banheiros, locais de convivência e pontos de apoio.
Preservação A APA da Biquinha está localizada entre os bairros Belvedere, Giovannini e São Domingos com cerca de 330 hectares, é a única unidade de conservação dentro do perímetro urbano de Coronel Fabriciano. A região foi declarada como de proteção ambiental em 2007. A mata possui vegetação nativa em regeneração, que abriga pequenos animais silvestres e conta com trilhas, cachoeiras e nascentes.
Já publicado:-Coronel Fabriciano ganhará Parque Ambiental na área Mata da Biquinha-APA da Biquinha e a importante luta por sua preservaçãoO Parque Arquivo Pessoal
Fernando Albeny explica que projeto tem muitos pontos positivos, mas também de preocupação
O presidente do Conselho Gestor da APA da Biquinha, Fernando Martins Albeny, explica que o projeto do parque traz estrutura aos caminhantes e visitantes da nascente da Biquinha. Serão construídos equipamentos urbanos mínimos e básicos, como banheiros e quiosques para lanches. “Além de apresentar estrutura para divulgação e conscientização de proteção ao meio ambiente. Passa, também a abrigar o viveiro municipal e apresenta estrutura de aparelhamento pela Polícia Militar Ambiental. E haverá um portal com controle de entrada dos frequentadores”, detalha.
Para Fernando Albeny os benefícios são diretos e muito palpáveis, com estruturação, qualificação e segurança do acesso para todos dentro do parque, mas também há pontos de preocupação.
“As preocupações também surgem com a implantação do parque, em razão da interferência humana em uma área de proteção ambiental. A área de ocupação da infraestrutura sugerida para o parque ocupa menos de 1% da área total do parque, estando limitada a aproximadamente dois hectares. O projeto prevê estruturas espaçadas para tentar diminuir os impactos internos”, explica.
Cobrança Uma das preocupações de vários representantes da sociedade é com uma possível cobrança para entrar no parque da Biquinha. Na última semana foi realizada uma audiência pública, para apresentação do projeto do parque ambiental. E um dos pontos questionados pelos participantes é quanto à exigência de pagamento para entrar na Apa. “Muito temos discutido sobre pontos como a cobrança de entrada para manutenção do parque, ainda que em um valor bem simbólico, com cadastramento de pessoas caminhantes e que teriam que ter acesso gratuito em razão de sua condição social”, argumenta Fernando Albeny.
Silvia Miranda
Para o advogado Moisés Arimatéia não deve haver cobrança de nenhuma forma
Para o advogado e professor universitário, Moisés Arimatéia Matos, que desde o início acompanha as discussões para a preservação da área, a cobrança não deve existir, mesmo que em valor simbólico, pois pode inibir o acesso de famílias mais carentes. “Há parques sem custos de entrada como o Oikós, em Timóteo, e eu defendo que nenhum cidadão tenha que pagar para entrar no Parque Ecológico APA da Biquinha. Deve haver uma discussão mais ampla sobre isso, envolvendo vereadores e toda a população para debater esse assunto”, reforça.
Manutenção Arquivo Pessoal
Adriano Francisco representante do ecoturismo também defende questões e segurança e manutenção do parque
Para Adriano Francisco de Oliveira, do Esporte no Vale Adventure, é necessário se preocupar também com questões de conservação, segurança e manutenção do equipamento, sendo necessário equipe de brigadistas, socorristas, sinalização eficiente das trilhas, entre outros. “Como representante do ecoturismo eu utilizo muito aquela área e há uma preocupação muito grande de como será a conservação após a construção do parque, para não gerar pontos de desgaste e vandalismo. Quem vai cuidar do local após a criação do parque e inauguração dos equipamentos? A divulgação será um atrativo a mais de pessoas para o local. Se alguém se perder lá dentro, nas variadas trilhas, haverá equipe de resgate? Então há muitos pontos que ainda precisam ser esclarecidos”, conclui.