(Silvia Miranda - Repórter do Diário do Aço) Arquivo DA
O nome Biquinha é devido à nascente localizada no interior da APA
Um refúgio ecológico dentro do centro urbano de Coronel Fabriciano. Popularmente conhecida como Mata da Biquinha, a Área de Preservação Ambiental (APA) é uma opção de lazer, para caminhadas e prática de esportes da população. Além de funcionar como importante agente de equilíbrio ambiental, ajudando na regulação das chuvas. O local deve ganhar um parque ecológico e uma estrada de acesso à BR-381, oferecendo um alívio ao complicado trânsito fabricianense.
Com cerca de 329 hectares, a área é a única unidade de conservação dentro do perímetro urbano de Coronel Fabriciano. A região foi declarada como de proteção ambiental em 2007 e está localizada entre os bairros Belvedere, Giovannini e São Domingos. A mata possui vegetação nativa em regeneração, que abriga pequenos animais silvestres e conta com trilhas, cachoeiras e nascentes. Embora se trate de um terreno particular, o local é aberto ao público com entrada gratuita.
ConservaçãoCom foco na preservação, combate a incêndios e no fomento turístico, a Associação Amigos da Biquinha foi fundada há 18 anos. O atual presidente, Fernando Mendes Carvalho Ribeiro, conta como esse trabalho é realizado, por meio da participação da ONG em conselhos e órgãos ambientais. Para o representante o Plano de Manejo da Biquinha, foi um importante avanço para a garantias jurídicas, no processo de conservação do local, pois foi definido um zoneamento, com a divisão das áreas de proteção, conservação e uso público.
“O plano criou um norte do uso do solo, eu enxergo isso como um avanço em relação ao uso e proteção da APA. O terreno pertence a uma empresa privada, porém há muitos e muitos anos vem sendo utilizada pela sociedade, mas sabemos que isso é muito frágil, pois sendo privado pode a qualquer momento se transformar em algum empreendimento, mas com a criação do plano de manejo a preservação ganha força”, defendeu Fernando Mendes.
Silvia Miranda
Fernando Mendes vê o uso popular como força para preservação
Já o projeto da estrada traz certa preocupação para a associação, entretanto, Fernando acredita que a participação da população e dos órgãos ambientais, tanto na elaboração do plano de manejo quanto no processo de aprovação do projeto da estrada, deu garantias de compensações como a criação e instalação de equipamentos para o funcionamento de um parque ecológico municipal. “Quanto mais pessoas conhecerem e utilizarem a Biquinha, mais ela estará protegida, e com a criação do parque mais pessoas irão conhecer e utilizar a APA da Biquinha, e com isso mais força socioeconômica e ambiental a área terá. A estrada terá um impacto e isso é inegável, mas entendemos toda a questão econômica, a necessidade de tirar esse trafego de dentro da cidade, e a associação tenta ser um abalizador, estar ali no meio, trabalhando em conjunto com a administração, mas sempre focada na preservação”, garantiu.
Especulação imobiliária
Cercada por bairros nobres, com um dos metros quadrados mais caros de Coronel Fabriciano e em um momento de forte expansão, a proteção da área da Biquinha também desafia o mercado imobiliário. “Agora nós temos um georreferenciamento exato dos limites da APA e isso traz uma clareza para os órgãos fiscalizadores e até da própria população para estar vigilante o tempo todo, até que um dia a Biquinha se torne de fato uma área pública. E quanto mais pessoas conhecerem, utilizarem e gostarem da Biquinha, mais protegida ela estará, essa é a força da Biquinha”, defendeu Fernando Mendes.
Estrada de ligação do Distrito Industrial à BR-381
Um projeto que impactará diretamente a APA será a abertura de uma estrada, ligando o Distrito Industrial à BR-381, passando pela Mata da Biquinha. O secretário de Planejamento da prefeitura de Coronel Fabriciano, Douglas Prado, explica que o projeto faz parte de um planejamento estratégico e foi possível com a atualização do Plano Diretor do município. “Então nós levamos essa proposição à comunidade ambiental, à associação Amigos da Biquinha, levamos ao conhecimento do Codema (Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente), também para o conselho da APA da Biquinha e tivemos sucesso na aprovação desta, dessa empreitada”, esclareceu.
Com o projeto, a administração municipal pretende desafogar o trânsito da avenida Magalhães Pinto e também da rua Copacabana no bairro Giovannini, que atualmente recebem fluxo intenso de carretas e caminhões. “É um problema de mobilidade urbana no qual Coronel Fabriciano sofre por não ter um acesso direto à BR-381, os motoristas precisam ir até o Horto em Ipatinga ou para o Cachoeira do Vale em Timóteo. E a estrada terá esse acesso, gerando economia e uma série de tratativas que irá beneficiar toda a população de Fabriciano”, comentou.
ProjetoA área da Biquinha pertence à empresa Arcelor Mittal e, segundo o governo municipal, o trecho onde será construída a estrada já foi oficialmente doado ao município. Em contrapartida haverá compensações e o projeto oferecerá a condição de sustentabilidade ambiental, como passagens inferiores e superiores para animais e a instalação de telas para o cercamento. Ainda conforme a administração fabricianense, toda a questão de licenciamento também já foi providenciada e a fase agora é de captação de recursos para execução da obra.
O traçado é de cerca de quatro quilômetros e deve custar em torno de R$ 12 milhões. “É uma obra de custo elevado, com um valor agregado importante, a administração já tem parte desse recurso e estamos agora fazendo a captação do complemento. Esperamos que mais próximo ao final do ano possamos dar início às obras”, completou Douglas Prado.