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07 de junho, de 2023 | 13:59

Investigação sobre atuação de grupo ligado ao Comando Vermelho já resultou em 11 prisões em Ipatinga

Divulgação PCMG
Polícia Civil desarticulou, em Ipatinga, uma parte de organização criminosa ligada ao comando vermelho do Rio de JaneiroPolícia Civil desarticulou, em Ipatinga, uma parte de organização criminosa ligada ao comando vermelho do Rio de Janeiro

A Polícia Civil de Minas Gerais apresentou na manhã desta quarta-feira (7), os resultados das investigações concluídas após uma operação policial realizada na terça-feira, denominada Operação Red House. O trabalho, conforme noticiado pelo jornal Diário do Aço resultou no cumprimento de oito mandados de prisão de cinco autores e 12 mandados de busca e apreensão, contando com a participação de 62 policiais civis.

De acordo com o relatório apresentado pelos delegados, Gilmaro Alves Ferreira, chefe do 12º Departamento, Thiago Alves Henriques (delegado regional) e pela delegada Talita Martins Soares, que presidiu o Inquérito Policial, foi possível desarticular uma parte da organização criminosa chamada BT 16, localizada no bairro Bethânia, em Ipatinga.

Conforme os delegados, essa organização está ligada ao Comando Vermelho, facção criminosa do Rio de Janeiro, e é responsável pelo fornecimento de substâncias entorpecentes na região do bairro Bethânia, além de roubos e homicídios. Os criminosos usavam um grupo de WhatsApp para trocar informações, enviar ordens e até escala de plantão para os participantes da quadrilha.

A polícia já identificou que a organização é altamente estruturada, hierarquizada e organizada, dividia o segundo maior bairro de Ipatinga, o Bethânia, com uma população de 28.000 habitantes, em quatro diferentes "frentes".

“Cada uma dessas frente era liderada por um chefe e seus subordinados, sendo responsáveis pela venda de drogas, composta por adultos em conjunto com adolescentes. Estes últimos tinham a responsabilidade de assumir a propriedade das drogas em caso de abordagem policial. As frentes, conforme a divisão da organização, eram denominadas "Graminha" (final da avenida Selim José de Sales), ADF (área da feira), MDC (Morro do Cruzeiro) e PFB (Ponto Final do Bethânia)”, indica o relatório.

Lucro da venda de drogas era dividido em três partes
Ainda segundo as investigações, os lucros obtidos com o tráfico eram divididos em três partes: a primeira parte para os vendedores, a segunda para o chefe da frente e a terceira parte era destinada ao Comando Vermelho do Rio de Janeiro, para abastecimento de drogas e armamentos, com indícios de entrega de dinheiro pessoalmente ao Comando Vermelho no Estado do Rio de Janeiro.

Os delegados pediram que a imprensa divulgasse o nome de um dos cabeças, que tem o apelido de Maranhão, devido o seu estado de origem. João Victor Gomes Rodrigues, de 27 anos, morou em Ipatinga e vivia no Rio de Janeiro. Ele está com mandado de prisão e é considerado foragido da Justiça.

Wellington Fred
Investigação sobre atuação de grupo criminoso no Vale do Aço está apenas no começo, afirma Polícia Civil Investigação sobre atuação de grupo criminoso no Vale do Aço está apenas no começo, afirma Polícia Civil

O líder da quadrilha foi identificado por esta investigação, como a pessoa responsável pela conexão entre a organização BT16 e o Comando Vermelho no Rio. Esse investigado foi preso pela Polícia Civil e Militar no Rio de Janeiro, após envolvimento em um roubo a uma joalheria em Araruama (RJ) em 20 de abril de 2021. Mesmo detido, o homem continuou no comando do tráfico no bairro Bethânia.

Além do comércio ilegal de drogas, a quadrilha também era responsável por roubos na cidade e região. Os membros da organização possuíam códigos internos, ou regras para todos os participantes, e uma delas era o de destruir aparelhos celulares durante abordagens policiais, com objetivo de encobrir as ações criminosas que eram postadas em um grupo de rede social.

O descumprimento da regra era punido com assassinatos e torturas. Entre os homicídios praticados pelo grupo, destaca-se o caso do adolescente Mateus Stoler Nantes, de 16 anos, que foi sentenciado à morte pelo grupo após entregar seu telefone e revelar a senha aos policiais durante uma abordagem no bairro Bethânia, numa ação denominada de “tribunal do crime”.

O assassinato foi gravado pelos criminosos e o vídeo circulou entre os integrantes do bando, servindo como exemplo para intimidar os membros a não descumprirem os códigos/regras estabelecidos. O líder da organização, diretamente ligado ao adolescente, ao mandar matá-lo, pediu que retirasse dele um relógio que ele presenteado à vítima.

Em diversas ocasiões, o grupo filmava suas atividades criminosas para enviar ao líder, como forma de demonstrar o cumprimento das ordens ou uma “prestação de contas”. Ao término das investigações, um total de 31 pessoas foram indiciadas, das quais 11 estão atualmente presas. A investigação se desdobrou em três inquéritos policiais.

Organização criminosa tinha um outro aglomerado como rival
O inquérito, que identificou toda a organização criminosa, tem cerca de 1,5 mil páginas. A delegada revelou que o BT16 é rival de um bando criminoso que age no Morro São Francisco, aglomerado vizinho ao Morro do Cruzeiro. “Eles roubaram cerca de R$ 100 mil em joias no Rio de Janeiro e, se desse certo, possivelmente era para se armarem e tomar o morro rival dos “alemão”, como eles chamam os rivais”, revelou a delegada.

Ela acredita que há outros integrantes da organização criminosa, pois somente na venda de drogas na “Graminha”, região da avenida Selim José de Sales, no Bethânia, onde há diversos bares, em média 20 vendedores de drogas agiam no local. “Cada um deles chegava a faturar cerca R$ 400 por dia. Inclusive, eles estavam querendo fazer uma outra divisão com o lucro, além das três existentes, para pagar advogados e manter as famílias dos presos", contou Talita, que era a titular da Delegacia de Santana do Paraíso, ao lado do investigador Kléber que representou a equipe dos policiais que investigaram todo o esquema.

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Comentários

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Cidadão

08 de junho, 2023 | 23:16

“Este lixo chamado CV só funciona bem onde impera a corrupção tanto nas polícias como tb no judiciário, poderes executivo e legislativo, aqui em Minas esse M... vão no máximo descolar uns trocados de uns nóias até a nossa competente polícia dá cabo neles! Parabéns a todos os policiais q trabalharam nessa operação.”

Cel Fabri

08 de junho, 2023 | 10:55

“A polícia tem que agir rápido em conjunto PC e PM se não daqui algum tempo não teremos mais sucego no vale do aço.”

Justiceiro

07 de junho, 2023 | 14:31

“Que essas operações terminem com o fim de todos esses vagabundos criminosos!”

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