Marcelo Camargo / Agência Brasil
Operação Lesa Pátria tem como alvo aqueles que participaram, financiaram, omitiram-se ou fomentaram os atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro
A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (14) a sexta fase da Operação Lesa Pátria, com o objetivo de identificar pessoas que participaram, financiaram, omitiram-se ou fomentaram os
|atos antidemocráticos ocorridos em 8 de janeiro, em Brasília. Laudenir Vieira Rodrigues, ex-servidor público no município de Coronel Fabriciano, é um dos presos. Além dele, um homem de Governador Valadares figura na lista.
Nas mídias sociais, as últimas postagens de Laudenir tinham cunho político, com fotos apoiando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outra ao lado da ex-primeira dama, Michele Bolsonaro. Conforme a assessoria de comunicação da PF, a instituição não divulga nomes de pessoas presas ou investigadas. Apesar disso, a reportagem do Diário do Aço teve acesso ao nome dos presos, por meio de consulta feita por um advogado, em documentos nos quais constam os nomes de três presos na operação, além de outros dois, que, até então, estavam foragidos.
No início da manhã desta terça-feira, um texto da Polícia Federal apontava que, ao todo, eram cumpridos oito mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal (STF), em Goiás, Minas Gerais, Paraná, Sergipe e São Paulo. Já à tarde, após solicitar mais dados da operação à PF, o Diário do Aço foi informado de que seis mandados de prisão haviam sido cumpridos.
CrimesOs fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido.
As investigações continuam em curso e a Operação Lesa Pátria se torna permanente, com atualizações periódicas acerca do número de mandados judiciais expedidos, pessoas capturadas e foragidas.
Conforme explicação do advogado consultado pelo Diário do Aço, na tarde desta terça-feira, os presos não haviam passado pela audiência de justificação. “Processualmente, eles passarão pela audiência de custódia, porque o Código de Processo Penal determina que no prazo de até 24 horas, sob pena de relaxamento de prisão em flagrante, eles sejam soltos, caso não passem pela audiência”, pontua.
Outros dois casosNo mês de janeiro, o médico Ézio Guilherme da Silva, de Coronel Fabriciano e a Ana Paula N. Rodrigues, de Ipatinga, foram presos em flagrante após os atos antidemocráticos em Brasília. Até então, os dois permaneciam presos, no Complexo Penitenciário da Papuda e na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia.
No dia 8 de janeiro, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, casa dos três poderes da República, foram invadidos por extremistas que promoveram violência e dano generalizado contra os imóveis, destruíram móveis e objetos das instituições.
Administração municipalProcurada, a administração municipal de Coronel Fabriciano, por meio da Secretaria de Governança Política, informou que Laudenir Vieira Rodrigues não tem mais vínculo com a gestão municipal. “Laudenir foi exonerado no dia 4/1/2023”, esclareceu o governo.
Já publicado: Governo recebe mais de 107 mil e-mails sobre atos golpistasOperação da PF cumpre mandados contra envolvidos em atos golpistas