Golpe do nude faz novas vítimas

21/01/2023 às 10:45
Arquivo DA
Golpe começa quando uma mulher atraente faz contato com a vítima, normalmente homens adultos, e pede adicionar nas mídias sociais

A ação da quadrilha do estado do Rio Grande do Sul, que aplica o “Golpe do Nude” fez novas vítimas na semana que passou. O golpe consiste na abordagem a usuários das mídias sociais, dentre elas o Facebook e Instagram. Quem cai na rede dos estelionatários é ameaçado e acaba extorquido. O golpe consiste em uma mulher entrar em contato com homens, geralmente adultos e pedir para adicionar o perfil.

No segundo passo, a conversa migra para o WhatsApp. Pouco tempo depois o bate-papo pelo aplicativo “evolui” para a troca de imagens de nudez. No desenvolvimento do golpe, uma terceira pessoa entra em contato com a vítima, alega que a mulher era uma menor de idade e passa a exigir dinheiro.

Às vezes a alegação é para arcar com o custo do “tratamento psicológico” e, às vezes é um suposto delegado de Polícia Civil do Rio Grande do Sul exigindo dinheiro para não abrir um inquérito por pedofilia contra o homem. No desespero, e dada a gravidade da acusação, muitas pessoas caem no golpe.

Foi o que aconteceu dia 18/1 com G.R.T., de 43 anos, morador do bairro Canaã, em Ipatinga. Ele disse que foi procurado por uma mulher “muito bonita”, mas sem aparência de ser menor de idade. Em menos de 15 minutos de conversa no WhtasApp ela pediu que ele enviasse uma foto dele nu, pois em troca ela enviaria a dela também. E assim foi feito.

“Isso aconteceu numa quarta-feira à noite. Quando acordei para trabalhar às 7h de quinta-feira, já havia mensagens de um homem que se apresentou como delegado João Carlos Pinto de Abreu. Ele disse que os pais da menor de idade tinham descoberto a conversa e as fotos eróticas no celular da “menina” e eu precisava pagar R$ 8 mil, para que eu não fosse preso. Eu não tinha esse dinheiro e acabei transferindo R$ 2.800. Atrasei minha entrada no trabalho naquele dia, por causa disso e a caminho do serviço passei a desconfiar que era golpe”, detalhou.

Prejuízo de R$ 3.550

Outro relato é feito por E.M., morador de São Luís, no Maranhão. Ele entrou em contato com o Diário do Aço depois de ler a notícia “Homem escapa do 'golpe do nude', por pouco”, publicada pelo jornal em julho de 2022.

E.M. conta que primeiro uma garota com o nome de Laura Machado enviou a solicitação de amizade no Facebook. Depois pediu o número do WhatsApp. “Eu ainda perguntei a idade e ela e não quis falar”, explicou a vítima. O maranhense conta que depois de algumas mensagens a mulher começou a enviar fotos íntimas dela. “Caí na conversa e mandei as minhas também.

Isso no fim de semana. Na segunda feira um cara com o nome de João Carlos Pinto de Abreu me mandou mensagem dizendo que havia uma denúncia da mãe de uma adolescente que eu tinha me envolvido pelo Whatsapp e que era de menor, dizendo que queria falar comigo para resolver essa situação. Nisso, eu já fiquei apavorado. Ele me ligou falando que ia mandar me prender dizendo um monte de coisa como se ele fosse mesmo da Polícia Civil. Também alegou que ele ia me ajudar pra eu não ser preso. Pediu pagamento de fiança de R$ 1.500. Como tenho família e filhos pequenos, comecei a mandar o dinheiro. Assim que eu mandei os R$ 1.500 ele inventou outra história, de que a menina estava tendo convulsão e que tinha de ser internada numa clínica”, explicou.
Reprodução
Estelionatários usam foto de um policial do RS, em identidade funcional grosseiramente falsificada

Segundo a vítima, o suposto delegado informou que valor da internação seria R$ 2.000. A família iria pagar R$ 1.000 e deveria arcar com os outros R$ 1.000. “E assim foi feito. No outro dia esse tal delegado voltou a ligar e queria mais dinheiro, para pagar os remédios. Sempre ameaçando me prender, pedia mais e mais dinheiro. Depois de perder R$ 3.550 fui descobrir que era um golpe. Eu procurei a Delegacia da Polícia Civil aqui e registrei a ocorrência, mas já sabendo que não há chance de recuperar o dinheiro”, detalhou.

Já publicado:
”Golpe do nude” faz novas vítimas

Orientação

Além dos dois casos cujas vítimas aceitaram explicar o que ocorreu, outras duas pessoas procuraram o jornal com o mesmo relato. Na terceira ocorrência, um homem de 33 anos perdeu R$ 4.000 e outro perdeu R$ 1.500.
A orientação da polícia é que, quem cair na rede dos golpistas, bloqueie os números e perfis no Facebook e Instagram. Os estelionatários usam fotos e nomes verdadeiros de policiais do estado do Rio Grande do Sul. Naquele estado a polícia já deflagrou operações, prendeu parte da quadrilha, mas os golpes continuam a ser aplicados.

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