Com atualização às 22h Alex Ferreira
O caminhoneiro André Ferreira afirma que decisão é manter a mobilização nas estradas por mais transparência nas eleições
O bloqueio de caminhões no trecho urbano da BR-381 em Ipatinga, feito por bolsonaristas, descontentes com o resultado do segundo turno da eleição presidencial foi suspenso por volta de 21h desta terça-feira (1). Está assegurado o direito de manifestação, mas os militantes políticos não poderão impedir os caminhoneiros que quiserem passar, como vinha ocorrendo desde a noite de domingo (30). A decisão foi tomada agora a noite, com uma ação da Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar. As forças de segurança tinham sido acionadas, pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo Governo de Minas, a adotarem todas as ações para desbloquer as rodovias. O bloqueio era só para caminhões. Motoristas eram obrigados a parar. Agora, param apenas os que quiserem. Ônibus e carros de passeio estavam liberados.
No meio da tarde, as pessoas envolvidas na manifestação que ocorria,
desde domingo (30), informaram que vão manter a mobilização política. A proposta era manter o
bloqueio e só liberar carros com cargas perecíveis, cargas vivas ou hospitalares, além de carros de emergência, ônibus, vans e veículos de passeio. Menos de seis horas depois da divulgação, tiveram que voltar atrás. Com a liberação, a maioria dos caminhoneiros seguiu viagem, conforme pode ser visto nos vídeos abaixo.
Procurado pela reportagem do Diário do Aço logo após o
pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro (PL), na tarde desta terça-feira (1), um dos envolvidos na organização do movimento, o caminhoneiro André Ferreira, afirmou que a decisão era manter o protesto contra o resultado da votação no segundo turno da eleição presidencial. Eles não aceitam a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e insistem que faltou transparência.
"E a respeito da decisão do ministro Alexandre de Moraes, pelo fim do movimento, nós não vamos acatar. Chega desse autoritarismo. Todos os pontos que estão parados vão continuar fechados", afirmou em entrevista ao jornal.
Questionado sobre como houve o consenso entre a liderança do movimento pela sequência da paralisação, André disse que foi feito contato com os coordenadores nos pontos e saiu o entendimento pela sequência do protesto. Ele também explicou que não tinha recebido nenhuma comunicação oficial sobre decisão judicial para o fim da mobilização. André voltou a questionar a transparência na votação do segundo turno da eleição presidencial.
O que diz a PRFEm nota divulgada na tarde desta terça-feira, a Superintendência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) em Minas Gerais informou que as equipes policiais estão empenhadas em realizar a liberação dos pontos interditados por meio de negociação ativa com os manifestantes. “Entretanto, como última alternativa, a PRF utilizará a força necessária e proporcional, suficiente para o resguardo da ordem pública e o consequente cumprimento da determinação judicial”.
Conforme a nota, o objetivo da PRF é garantir o direito de ir e vir do cidadão e a segurança de todos que utilizam as rodovias federais, sejam pedestres, motoristas e passageiros, agindo conforme a legislação em vigor. “O órgão permanecerá empenhado até que todas as rodovias federais estejam com o fluxo de veículos livre e normalizado”, concluiu o texto.
MPMG A respeito da obstrução e contenção em estradas, rodovias e vias públicas, decorrentes de manifestações de discordância com o resultado do pleito presidencial ocorrido no último domingo, o Ministério Público do Estado de Minas Gerais informou por meio de nota que, cumprindo sua missão constitucional de defesa da ordem jurídica e do Estado Democrático de Direito, segue adotando as medidas necessárias para cumprimento da decisão prolatada em tutela cautelar pela Suprema Corte na ADFP nº 519.
A nota acrescenta que, nesta terça-feira (11/1) o MPMG realizou reunião com representantes de todas as forças de segurança do Estado, presentes a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, a Advocacia-Geral do Estado, o MPF, o Comando-Geral da PMMG, a Chefia da Polícia Civil, o Comando do Corpo de Bombeiros e a Superintendência da Polícia Rodoviária Federal em Minas Gerais, “para adequado acompanhamento da situação em nosso Estado e garantia do direito de locomoção de todos os cidadãos, bem como a livre circulação de bens e serviços, com desobstrução das vias, estradas e rodovias”, concluiu a nota.
Já publicado: Manifestação de bolsonaristas deixa postos sem combustível na região