Polícia Civil autua envolvidas na morte de criança em escolinha, em Ipatinga

Proprietária e funcionária vão responder por crime de “abandono de incapaz com resultado morte”

27/06/2022 às 10:23
Arquivo Diário do Aço
Jorge Caldeira recebeu o caso e decidiu pela atuação em flagrante da proprietária e da funcionária da escolinha

Uma mulher de 34 anos, proprietária de uma escolinha infantil, e a funcionária, de 23 anos, vão responder por abandono de incapaz com resultado morte (crime previsto no artigo 133 do Código Penal) no caso do bebê de sete meses em uma escolinha infantil, na rua Turfa, no bairro Iguaçu, em Ipatinga. O caso foi descoberto no fim da tarde de sexta-feira (24), quando a criança foi encontrada sem vida.

A Polícia Militar foi acionada depois que o médico do SAMU constatou o óbito da criança, por volta das 17h de sexta-feira. Davi Pimenta já apresentava sinais de rigidez cadavérica, porém os profissionais realizaram as manobras para tentar reanimar o pequeno, sem sucesso.

O médico verificou um pouco de secreção, na roupa e nas vias aéreas e possivelmente no pulmão. A funcionária da escolinha, a jovem de 23 anos, responsável pela ala de bebês, disse que no quarto estavam cinco bebês entre cinco meses e um ano de idade.

A jovem informou que Davi comeu papinha por volta de 11h e adormeceu por volta das 14h. Ao acordá-lo, por volta das 16h, o bebê já estava sem sinais e roxo. Uma das proprietárias da escola, uma mulher de 34 anos, foi chamada por ter curso de primeiros-socorros. A mulher tentou reanimar o pequeno Davi, enquanto outras funcionárias ligavam para o SAMU e para os pais do bebê.

O corpo do menino foi encaminhado para o Instituto Médico-Legal (IML) de Ipatinga e foi constatado que a morte dele foi por asfixia ao aspirar o alimento que havia ingerido e que havia regurgitado. Toda a situação foi acompanhada pelo delegado Jorge Caldeira, que recebeu a ocorrência no plantão da 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil.

Delegado ouviu diversas pessoas para decidir pela atuação das conduzidas

Depois de ouvir cerca de 15 pessoas, entre elas o médico do SAMU, os pais, a funcionária e a proprietária da escolinha, foi decidida a autuação das duas mulheres por abandono de incapaz com resultado morte. O caso, como informou o delegado Jorge Caldeira em entrevista ao Diário do Aço no sábado à noite, será investigado pela delegacia de Homicídios de Ipatinga.

Rotina

O delegado Jorge acrescentou que as duas mulheres autuadas em flagrante alegaram que o fato aconteceu durante a rotina no setor do berçário da escolinha e que tomavam todo cuidado com as crianças. Porém para o delegado a situação é grave. Segundo o delegado, elas só verificaram que tinha algo errado ocorrido depois de horas que o bebê “estava dormindo”, não se atentando em olhar os motivos do sono prolongado da criança.

As duas mulheres foram autuadas por abandono de incapaz com resultado morte, crime cuja pena prevista no Código Penal é de quatro a 12 anos de prisão, em caso de condenação. O caso será investigado por parte da delegacia de Homicídios de Ipatinga. As duas mulheres foram encaminhadas para o presídio feminino de Timóteo e estão à disposição da Justiça.
Últimas notícias
Big Image
{{ modalData.legenda }}