16 de junho, de 2022 | 18:57

Avião da PF chega a Brasília com restos mortais de desaparecidos

Aeronave chegou por volta das 18h30 na capital federal e restos mortais que seriam de Bruno Pereira e Dom Phillips serão necropisados

Agência Brasil
Divulgação PF
O indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, correspondente do jornal The Guardian no Brasil estavam desaparecidos desde 5 de junho, na região do Vale do Javari, no oeste do AmazonasO indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, correspondente do jornal The Guardian no Brasil estavam desaparecidos desde 5 de junho, na região do Vale do Javari, no oeste do Amazonas
O avião da Polícia Federal (PF) que transportou os remanescentes humanos encontrados durante as buscas pelo indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips pousou, por volta das 18h30, no Aeroporto de Brasília. O material está sendo levado para o Instituto Nacional de Criminalística , onde será periciado para confirmação da identidade.

Ontem (15), a PF confirmou que foram encontrados restos mortais durante as buscas que foram realizadas com a presença do pescador Amarildo da Costa Pereira, conhecido como "Pelado”. Ele confessou a participação no desaparecimento e indicou o local onde os corpos foram enterrados. O irmão de Pelado, o também pescador Oseney da Costa de Oliveira, o Dos Santos estão presos e novas prisões podem ocorrer no decorrer da apuração do caso.

Diante da confissão, a PF foi até o local, onde foi realizada a reconstituição da cena do crime. Durante as escavações, as equipes encontraram remanescentes humanos em uma área de mata fechada.

As investigações continuam para apuração da suposta participação de mais pessoas no desaparecimento e para encontrar o barco utilizado pelos suspeitos para executar o crime.

O indigenista Bruno Araújo Pereira e o jornalista inglês Dom Phillips, correspondente do jornal The Guardian no Brasil estavam desaparecidos desde 5 de junho, na região do Vale do Javari, no oeste do Amazonas.

De acordo com a coordenação da União das Organizações Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Bruno Pereira e Dom Phillips chegaram na sexta-feira (3) no Lago do Jaburu, nas proximidades do rio Ituí, para que o jornalista visitasse o local e fizesse entrevistas com indígenas.

Segundo a Unijava, no domingo (5), os dois deveriam retornar para a cidade de Atalaia do Norte, após parada na comunidade São Rafael, para que o indigenista fizesse uma reunião com uma pessoa da comunidade apelidado de Churrasco. No mesmo dia, uma equipe de busca da Unijava saiu de Atalaia do Norte em busca de Bruno e Dom, mas não os encontrou e eles foram dados como desaparecidos.

Já publicado:
Polícia Federal encontra local onde estão restos mortais de indigenista e jornalista no Amazonas
Reprodução
Bruno Pereira e Dom Phillips estava desaparecidos desde o dia 5/6 e corpos foram encontrados após confissão de envolvidos no assassinato deles Bruno Pereira e Dom Phillips estava desaparecidos desde o dia 5/6 e corpos foram encontrados após confissão de envolvidos no assassinato deles

A possível motivação para o crime

A motivação da barbárie, de acordo com fontes da Polícia Federal teria sido a pesca ilegal de pirarucu na região. O peixe é uma das carnes mais apreciadas do país, especialmente na Região Norte.

A reserva indígena no Vale do Javari é frequentemente invadida por pescadores irregulares. Criminosos faturam cerca de R$ 100 por cada quilo de pescado vendido. Um vídeo feito por fiscais mostram que, quando ainda estava em atuação pela Funai, Bruno Pereira fez uma abordagem ao pescador "Pelado" e ele reagiu de forma pouco amistosa, afirmando que o local onde estava era área liberada para pesca.

Pesar

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luiz Fux, demonstrou pesar diante da confirmação do assassinato do indigenista e do jornalista. Fux informou que o caso será acompanhado por um grupo de trabalho do conselho.

“Em nome dos observatórios e do grupo de trabalho, o ministro Luiz Fux manifesta extrema tristeza pelos acontecimentos e afirma às famílias e aos amigos que a luta do indigenista e do jornalista para garantia dos direitos humanos e da preservação da Amazônia jamais será esquecida”, declarou.

Em nota, a Câmara de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais do Ministério Público Federal (MPF) declarou que o Estado brasileiro não pode tolerar atos de violência contra defensores dos direitos humanos.

“Cientes da gravidade da situação, da dor e angústia de familiares e amigos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, expressamos nossa solidariedade ao tempo que reafirmamos o compromisso do Ministério Público Federal de continuar acompanhando e agindo em conformidade com suas atribuições, na busca da completa elucidação dos fatos e da garantia dos direitos indígenas”, declarou o órgão.

Na quarta-feira (15), o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também manifestou pesar pelas vítimas. “É com enorme pesar que recebo a notícia de que foram encontrados os restos mortais do indigenista Bruno Araújo e do jornalista Dom Phillips. Em respeito às vitimas, à Amazônia e à liberdade de imprensa, espero que todos os criminosos envolvidos sejam punidos com o rigor da lei”, declarou.

Já, o presidente Jair Bolsonaro, limitou-se a afirmar em uma entrevista que o jornalista britânico Dom Phillips, desaparecido ao lado do indigenista Bruno Araújo Pereira na área do Vale do Javari, no Amazonas, era "malvisto na região" por fazer "muita matéria contra garimpeiro" ou com foco em conflitos ambientais.

A declaração foi dada em entrevista ao canal da apresentadora Leda Nagle no YouTube, ele também classificou a presença do jornalista no local como uma "excursão". Acrescentou que os dois resolveram entrar numa área completamente inóspita sozinhos, sem segurança e aconteceu o problema.
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