Trabalhadores da Saritur de Coronel Fabriciano temem o futuro que os aguarda

16/06/2022 às 09:00
Enviada por leitor
Sem definição sobre negociação salarial, trabalhadores estão receosos se permanecerão em seus cargos

A situação dos trabalhadores da Saritur, lotados em Coronel Fabriciano, tem gerado insegurança entre os empregados das concessionárias do transporte coletivo. Isso porque, sem um consenso entre governo municipal e empresas sobre a negociação salarial, bem como o reajuste da tarifa, existe a possibilidade de que o contrato seja rescindido e o serviço de transporte seja assumido pelo município. Com um novo gestor, os funcionários podem ter de ser realocados ou até mesmo demitidos, segundo informado por um representante da Saritur.

O Diário do Aço foi procurado por trabalhadores nesta quarta-feira (15). Eles aguardam definição de seu destino, mas temem pelo que está por vir. O relato dos trabalhadores é de um clima de incertezas. No município, além da Saritur, a empresa Acaiaca realiza o transporte de passageiros.

“Hoje, juntando Saritur e Acaiaca, chegamos a quase 100 pais e mães de família que ficariam desempregados. Nós trabalhadores estamos sendo prejudicados com a briga entre empresas e prefeitura. Apenas estamos lutando pelos nossos diretos, como a correção das perdas salariais com a inflação, pois desde do começo da pandemia estamos sofrendo e não paramos dia nenhum”, aponta uma funcionária, que prefere não se identificar.

Ela acrescenta que a Saritur não terá vaga para realocar 90 funcionários para outras cidades, como Ipatinga e Timóteo. Nas cidades vizinhas já houve acordo entre o poder concedente (municípios) e a empresa Saritur. “Então vamos ter desemprego. E caso a prefeitura assuma o transporte, queremos sim continuar a trabalhar em Fabriciano. Queremos pedir apoio à sociedade em geral, pois quem está em cada ônibus da cidade são pais e mães de família, que estão ali para levar o sustento para casa. Queremos mais valorização e queremos pedir ao prefeito que olhe por nós, pois somos cidadãos como qualquer um de Fabriciano”, destaca.

Outra funcionária assegura que trabalharia para o município, sem dúvida, porque não pode se dar ao luxo de ficar desempregada. “É melhor ter emprego. Estamos inseguros sim, porque a empresa não tem vagas para realocar os cobradores. Temos que ter respostas do prefeito. Também votamos nele e merecemos respeito. Precisamos de trabalho e reajuste de salário, sim. Com R$ 4,10 (valor da tarifa atualmente) não se compra nem leite mais, e eles amarrando mixaria. Cadê nossos direitos? Nada né, pelo visto ninguém tá nem aí”, lamenta.

Transferência ou rescisão

Na segunda-feira (13), o representante da Saritur, Rubens Lessa, que participou de uma audiência sobre a negociação salarial dos trabalhadores, informou que ainda não há uma posição quanto à assinatura do acordo.

Lessa acrescentou que, caso se concretize a rescisão do contrato de concessão, conforme vem sendo cogitado pela atual gestão de Coronel Fabriciano, será necessário negociar as condições do encerramento do contrato de trabalho ou a transferência dos empregados para outras unidades da empresa, indefinição que tem tirado o sono dos funcionários.

Já publicado:
Trabalhadores da Saritur, lotados em Fabriciano, podem ser transferidos para outras cidades

Nota oficial divulgada nesta sexta-feira (17)

Por meio de nota, enviada à redação nesta sexta-feira (17), a administração municipal de Coronel Fabriciano esclarece que em relação à audiência citada na notícia acima, "trata-se de uma negociação que envolve o Consórcio responsável pelo transporte coletivo e o sindicato que representa a categoria".

Em relação às tratativas referentes ao reajuste na tarifa do serviço, após deliberações, propostas e contrapospostas, este município em seu último ofício remetido, estabeleceu o acréscimo de 14,63% e, assim, a tarifa passaria para R$ 4,70.

Contudo, esse reajuste que o município entende ser justo e suficiente para a manutenção do atual serviço prestado, está condicionado ao fato de as empresas que integram o consórcio e onde estão admitidos os trabalhadores, apresentarem suas documentações que comprovem estarem em dia com suas obrigações patronais, como: INSS, FGTS, etc.

No entanto a proposta foi recusada pelo Consórcio Fabriciano de Transporte Coletivo. A Administração Municipal de Coronel Fabriciano esclarece, que nunca se furtou em buscar um entendimento para buscar uma melhor qualidade na prestação de serviços no transporte público para a população.
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