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Lula, na entrevista hoje cedo na rádio 97 FM Itatiaia Vale do Aço
Pré-candidato do Partido dos Trabalhadores à presidência da República, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista à Rádio Itatiaia Vale, 97,1 FM na manhã desta quarta-feira. A emissora tem feito convites aos pré-candidatos e já entrevistou Ciro Gomes, em 9 de fevereiro deste ano. Os apresentadores, Gustavo Pimentel e Jeferson Rocha, coordenador de Jornalismo da rádio, foram os entrevistadores.
Hoje foi a vez de Lula, que abriu a entrevista sendo indagado sobre seu estado de saúde e de sua mulher, Janja. Ambos se recuperam da covid-19 depois de testarem positivo há três dias.
Na sequência, Lula foi questionado sobre o que faria de diferente no enfrentamento da pandemia. Para Lula, já está clara, para todas as pessoas, a omissão do governo federal no enfrentamento dos problemas advindos da pandemia, com o negacionismo e negligência do governo atual em relação à doença, no momento em que ela tomava conta do país, de ponta a ponta.
Lula afirmou que, não fosse a estrutura do SUS e a resistência dos servidores da saúde, no atendimento à população, o Brasil teria facilmente passado a marca de um milhão de vidas perdidas na luta contra a covid-19.
Teto para o ICMSA respeito do projeto de lei 18/22 que tramita na Câmara dos Deputados com o estabelecimento de um teto de 17% na cobrança do ICMS sobre combustíveis, energia, telecomunicações e transportes, Lula afirmou que parece bonito e bom e que o governo está preocupado com o povo, mas a realidade não é essa e alguém terá que pagar uma conta gigante, em termos de compensação de perdas na arrecadação pelos estados.
“Quando a Petrobras iniciou a sequência de altas nos preços dos derivados, foi com uma canetada do Pedro Parente (que comandou a Petrobras no governo Michel Temer – 2016) e isso não passou pelo Congresso Nacional, agora para tirar também pode ser numa canetada, se o presidente tiver coragem, se não for um fanfarrão, mas o fato é que ele quer jogar a culpa nos governadores e, ao mexer no ICMS, os municípios vão perder dinheiro e capacidade de investir em Educação, Saúde e serviços que são prestados ao cidadão. Em uma medida que busca beneficiar quem tem carro. O presidente jogará o peso da culpa a toda sociedade, e a compensação prometida por ele aos estados é até dezembro. Depois disso quero saber quem vai arcar com a queda na arrecadação dos estados”, indagou Lula.
Para o presidente, há outras alternativas para conter a alta nos preços dos derivados de petróleo, entre outras, citou o direcionamento do acúmulo dos lucros da Petrobras, que poderia ser convertido em subsídio para aliviar a pressão da alta de preços.
“Desde Getúlio Vargas, todos os presidentes lutaram para o país ser autossustentável em combustíveis. No momento em que caminhava para alcançar isso, o governo decidiu subordinar o país ao mercado internacional. E o presidente fica trocando de presidente da Petrobras, quando poderia chamar o conselho e o presidente da Petrobras, o Comitê de Política Energética e tomar uma decisão para reverter esse quadro. O Brasil produz hoje apenas 80% do que precisa em combustíveis, mas pode ampliar suas refinarias, para não depender da importação de derivados”, detalhou.
Para Lula, a implementação do teto do ICMS sobre combustíveis, energia, telecomunicações e transportes não resultará em redução de preços, nas bombas e no botijão de gás, mas causará grande danos ao orçamento nos estados. “Se tivesse coragem de chamar a Petrobras, a mesma caneta que internacionalizou os preços dos derivados poderia ser a mesma usada agora para desvincular, mas o presidente não o faz, porque está com ‘rabo preso’ com dezenas de empresas importadoras de gasolina”, afirmou.
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Na entrevista aos apresentadores Jefferson Rocha e Gustavo Pimentel, Lula respondeu a várias perguntas e falou de assuntos diversos, da economia à disputa eleitoral de 2022
Vale do açoQuestionado sobre o que o Vale do Aço pode esperar, caso seja vitorioso nas urnas, Lula lembrou que a região tem uma história de sucesso no passado e precisa retomar a caminhada.
Pontualmente sobre o maior gargalo para a retomada do crescimento regional, a BR-381, principal via de escoamento da produção, Lula lembrou que em seu governo foi concluída a duplicação da rodovia entre São Paulo e Belo Horizonte e que, no governo Dilma Rousseff, foram iniciadas as obras de Belo Horizonte até o Vale do Aço. A obra foi paralisada depois do impeachment.
Os motivos da paralisação atualmente precisam ser apurados, acrescentando que, se não foram destinados recursos para a sequência dos projetos, isso foi por falta de interesse. Também lembrou que foi em seu governo que foi construído o contorno rodoviário, inaugurado pelo então vice-presidente José Alencar em 2005. O contorno rodoviário, segundo Lula, teve investimentos federais de R$ 60 milhões e foi importante para tirar o tráfego da rodovia de dentro de parte da área urbana do Vale do Aço.
PSD
Indagado pela jornalista Edilene Lopes, da Rede Itatiaia, acerca de sua relação com o PSD em Minas Gerais, Lula destacou o acordo fechado com o partido no estado e que isso inclui o apoio às candidaturas de Alexandre Silveira, para o senado, e de Alexandre Kalil, ao governo de Minas. O PT deverá indicar o vice de Kalil. “Vamos trabalhar juntos e vamos a Minas pedir votos para nossos aliados”, confirmou.
Se for eleito, toma posse?
Questionado pelo Diário do Aço sobre o que pensa a respeito do cumprimento do que for decidido pelas urnas no dia 2 de outubro, se não teme resistência, caso seja o seu nome o vencedor da disputa presidencial, Lula subiu o tom ao afirmar que o atual presidente tenta vender um blefe todo dia.
“Ele lança desconfiança na religião, nas urnas eletrônicas, na Suprema corte, na Câmara, no Senado, enfim, é um cidadão que a vida dele é permeada pelas mentiras que ele conta. Fica sentado na biblioteca do palácio, transmitindo suas mentiras, quando o povo brasileiro é de paz. O Brasil precisa voltar à normalidade. E a eleição é assim. Você ganha ou perde a eleição e precisa aceitar o resultado. Disputei e perdi várias eleições, outras, ganhei”, enfatizou o pré-candidato.
Ainda em relação ao descrédito que o atual presidente tenta lançar sobre as urnas eletrônicas, Lula afirmou que foi por essa urna que o atual presidente foi eleito, com o mesmo sistema eleitoral foi eleito deputado por seis vezes, assim como os filhos do presidente (um é vereador no Rio de Janeiro, outro deputado federal e outro senador).
“Não se justifica ficar criando instabilidade num momento desses. Se a urna fosse passível de fraude, Lula teria sido eleito alguma vez nesse país? Se a urna roubasse, teríamos ganhado alguma coisa?. O roubo que teve foi a quantidade de mentiras e fake news criadas durante as eleições de 2018. Vendem-se ódio e intriga o tempo todo”, disparou.
Sobre convivência, Lula também afirmou que o Brasil precisa viver bem com os países vizinhos na América Latina e manter as boas relações com a África, em resumo, não precisa ser contencioso em nenhuma parte do mundo, com nenhuma nação, “o que o Brasil precisa é de paz, para crescer, gerar renda e oportunidade para as pessoas que aqui vivem”, acrescentou.
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Informado pelo apresentador Jefferson Rocha que o Vale do Aço já teve prefeitos do PT em todas as cidades da Região Metropolitana e que hoje perdeu espaço para a oposição hoje formada pelos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, Lula afirmou que é preciso fazer uma avaliação crítica e entender que o PT errou no governo e a queda no cenário político é uma situação que está nos políticos e não no povo. "Nós temos que pedir desculpas ao povo por ter errado. Nós temos que tentar corrigir aquilo que nós não fizemos de correto. Isso não é vergonhoso. A palavra 'desculpa' só é feita por gente grande, com dignidade, moral e caráter. Pessoas pequenas, gente medíocre não têm coragem de utilizar a palavra 'desculpa'", afirmou o ex-presidente.
Lula citou as realizações petistas (2003 a 2016) em Minas Gerais, mas reconheceu que houve um distanciamento com o povo e um problema de comunicação ao mostrar os acertos do PT.
“Como eu sei que o PT fez muita coisa boa na cidade que ele governou, o PT precisa voltar a ser grande. E, para ser grande, a gente precisa conversar com o povo. A gente precisa voltar à porta de fábrica, voltar à porta de comércio, porta de loja. A gente tem que voltar na rua, na periferia. Para conversar com o povo. É assim que se faz um partido, se constrói uma vitória, se governa. E, quando ganhar, não se distanciar do povo. Quando ganhar, voltar para governar junto ao povo", detalhou. A íntegra da entrevista pode ser assistida, abaixo: