Greve paralisa 100% do transporte coletivo municipal em Ipatinga, Timóteo e Coronel Fabriciano

Impasse envolve um pedido de tarifa a R$ 7,80 e municípios aceitam negociar no máximo reajuste para R$4,70

25/05/2022 às 09:32
Alex Ferreira
Trabalhadores reunidos no trevo do Distrito Industrial em Ipatinga, próximo à entrada da garagem da Saritur

Sem respostas às reivindicações salariais, trabalhadores rodoviários das duas principais concessionárias do transporte público municipal cruzaram os braços na madrugada desta quarta-feira (25/5). Quem precisou de locomoção pela manhã preciou encontrar alternativa. A paralisação abrange apenas o transporte municipal. O intermunicipal, feito pela Univale, Rio Doce, entre outras, sob responsabilidade do Estado, já teve reajuste tarifário e acordo com os trabalhadores.

A greve de hoje no transporte municipal é resultado de um impasse, conforme vem divulgando o Diário do Aço. Os trabalhadores estavam em estado de greve desde o dia 2 de maio. A empresa Saritur afirmou, em nota, que estava em negociação com os trabalhadores e que a greve "foi uma surpresa".

Na prática, as empresas tentam, desde o começo do ano, negociar uma correção da tarifa do transporte pública junto aos prefeitos da região. Alegam que a tarifa do transporte público está sem reajuste desde 2019. Há uma reivindicação de tarifa a R$ 7,80, ao passo que municípios aceitam negociar no máximo R$ 4,70.

Na falta de acordo com o poder concedente, no caso, os municípios, as empresas alegam que não têm como corrigir os salários dos trabalhadores, que depois de seguidas reuniões e audiências, decidiram ontem a noite, entrar em greve, conforme noticiado pelo jornal, na noite de terça-feira (24).

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Coronel Fabriciano (Sinttrocel), Marlúcio Negro explica que a greve teve adesão de 100% dos trabalhadores nas três maiores cidades do Vale do Aço e aguarda a resposta da empresa acerca das reivindicações feitas às empresas.

Acaiaca
Procurada, a empresa Acaiaca informou que, por ora, não irá pronunciar sobre o assunto.



O que diz a Saritur?



Por meio de nota encaminhada ao jornal, Saritur, que detém a concessão do transporte coletivo municipal em Timóteo, parte de Coronel Fabriciano e em Ipatinga explicou que negocia com os trabalhadores desde fevereiro, respeitando a data base.

"Já chegamos a um acordo em todas as questões sociais, mas no econômico, não temos como evoluir. Os contratos no Vale do Aço estão completamente desequilibrados, em função do aumento de mais de 100% do combustível desde o último reajuste. Só esse item representa mais de 30% de aumento no custo, sem contar outros itens como peças, pneus e folha de pagamento. A média dos índices inflacionários no período foi de 38%. Ou seja, não temos condições de fazer qualquer proposta no momento", informou a empresa.

Ainda conforme a nota, a empresa realizou segunda-feira, a terceira reunião com representantes dos trabalhadores, representantes dos municípios, e Tribunal Regional do Trabalho. "Foi marcada mais uma para o dia 2/6, por decisão do desembargador César Pereira da Silva Machado Júnior. Temos sido transparentes desde o início, mas fomos pegos de surpresa pela greve. Estamos trabalhando para que se resolva o mais rápido possível. Contamos com a compreensão dos trabalhadores para retornarem ao trabalho, para que não haja prejuízo para a população".
Últimas notícias
Big Image
{{ modalData.legenda }}