Polícia trata assassinato do padre Adriano Barros como latrocínio

Para delegado da PC, versão do autor confesso sobre caso amoroso com padre pode ser falsa e tem objetivo de se esquivar da responsabilidade integral no crime

Zona da Mata Notícias


Missa de corpo presente do padre Adriano da Silva Barros foi celebrada na manhã dessa quinta-feira

Foi sepultado nessa quinta-feira (15), em Martins Soares, sua terra natal, o corpo do padre Adriano da Silva Barros, de 36 anos, em meio a forte comoção dos fiéis e depois de missas de corpo presente, na matriz de São Simão, em Simonésia, onde ele atuava, e na paróquia de Martins Soares. A celebração das exéquias foi realizada pelo bispo diocesano de Caratinga, dom Emanuel Messias de Oliveira, e contou com a presença de padres de várias paroquias da região.

A Polícia Civil de Minas Gerais informou nessa quinta-feira que a versão do autor confesso preso pode ser falsa e trabalha com tese de latrocínio (roubo seguido de morte do padre Adriano Barros). O Delegado Regional da PC em Manhuaçu, Carlos Roberto Souza, afirmou nessa quinta-feira que o crime será tratado como latrocínio.

As autoridades acreditam que a versão do autor confesso, Giovani Oliveira dos Santos, 22 anos, é uma forma de se esquivar da responsabilidade, colocando parcela de culpa na vítima. Para o Delegado da PC, a versão de que o suspeito estava extorquindo o Padre em determinado valor, em razão de um determinado suposto relacionamento é falso.

Reprodução / Paróquia São Simão Simonésia


Padre Adriano da Silva Barros tinha 36 anos


Entenda o caso

Um morador da cidade de Manhumirim, de 22 anos, foi preso e confessou que matou a facadas e depois tentou carbonizar o padre Adriano, que estava desaparecido desde as 13h30 de terça-feira, quando foi visto pela última vez ao deixar sua irmã em Reduto.

O corpo do vigário da Paróquia São Simão, em Simonésia, foi encontrado com marcas de golpes de faca e parcialmente carbonizado, no começo da noite de quarta-feira (14), no meio do mato no Córrego Pirapetinga, zona rural de Manhumirim, na Zona da Mata mineira. Um morador das proximidades viu um incêndio, foi verificar e localizou o cadáver. O reconhecimento foi feito por irmãos do padre.

A descoberta do autor confesso do crime deu-se ainda no período em que o padre era procurado. O tenente Walker, da Polícia Militar de Manhumirim, informou que durante as buscas foram abordados, um adulto de 22 anos e um adolescente, de 16. Os policiais perceberam que o maior de idade apresentou um certo nervosismo, tinha corte em um dedo da mão esquerda, o que levantou as primeiras suspeitas, mas naquele momento não havia a informação do corpo e ambos foram liberados.

Entretanto, um policial que atuava nas buscas e participou da abordagem à dupla, lembrou-se que um dos indivíduos abordados, Giovani Oliveira dos Santos, 22 anos, foi visto em data anterior entrando no carro da vítima, relata o tenente Walker. "Em um deslocamento pela cidade o policial percebeu isso, pois é comum que observem o comportamento de determinados indivíduos (envolvidos com o crime).

Diante dessa informação, diligenciamos na residência do suspeito e esse suspeito mais um menor de idade foram conduzidos para o quartel para esclarecimentos. Em conversa com o maior de idade ele confessou a autoria do crime. Alegou que tinha um relacionamento com o padre e os dois se desentenderam por causa de um valor que eles estavam combinando, não teriam chegado a um acordo acerca do dinheiro. Ele então decidiu desferir várias facadas no padre. Matou a vítima no meio do mato (na terça-feira 13) e depois (na quarta-feira) colocou fogo no corpo, usando gasolina. Queria dificultar a identificação”, detalhou o oficial.

O menor de idade, que foi detido na companhia do adulto, alegou não ter participação, porém sabia do crime e não
relatou a ninguém. Por esse motivo, também foi apresentado na delegacia acompanhado de seu pai.

A respeito do carro que o padre usava, a polícia informou que um parente do autor confesso ficou sabendo do crime e levou o Chevrolet Onix, de cor branca, para o estado do Rio de Janeiro, como forma de se livrar da prova do crime. Por isso o carro foi visto trafegando nas proximidades de Teresópolis, na região Serrana do RJ.


Delegado Regional de Manhuaçu Carlos Roberto Souza explica investigação do caso do padre Adriano
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Comentários

Falo Nada 16 de outubro, 2020 | 07:55
A própria igreja muitas das vezes se solidariza com estes bandidos, solicitam doações de produtos de higiene para que sejam levado aos presidios; não estou generalizando mais há pessoas de bem e que necessitam muito mais.
Bom 15 de outubro, 2020 | 19:41
Os juízes do Brasil junto a delegados e advogados deveriam reivindicar uma lei especifica sobre crimes de covardias .
E ESSE tipo de crime tivesse uma punição mais severa, porque tá demais esse país zinho.
Principalmente contra mulheres e crianças.....
Márcio Diniz Barbosa 15 de outubro, 2020 | 19:13
É lamentável saber de uma atrocidade dessas! Infelizmente perdeu-se uma alma bondosa, sabe lá Deus por qual razão...

E aí vem "direito dos manos", Código Penal arcaico, saidinhas: de ano novo, páscoa, dia das mães, pais, Natal, entre outras para colocar um assassino desse de volta à sociedade.

Enquanto não vem as saídinhas vai-se a pastoral visitar o pobre coitado excluído da sociedade que desleferiu várias facadas em sua vítima e ainda voltara para atear fogo no cadáver.

Que Deus em sua infinita bondade conceda paz e console todos os familiares e amigos do Padre Adriano! A Paz de Cristo esteja com voces! Amém!

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