Família de ipatinguense assassinado por engano no Mato Grosso espera por justiça

04/10/2020 às 15:17
Álbum pessoal
Ruan Pablo Costa Oliveira estava perto de fazer 18 anos, quando foi morto por engano em uma praça em Aripuanã, no Mato Grosso

Há dez meses a família de Ruan Pablo Costa Oliveira espera por justiça. O adolescente foi assassinado a tiros em uma praça na cidade de Aripuanã, no Mato Grosso, em 28 de dezembro de 2019. As investigações indicaram que o adolescente foi assassinado por engano.

O jovem, nascido em Ipatinga, tinha se mudado com pais, Lauranir da Costa e Sérgio Oliveira, para o Mato Grosso havia em torno de três meses. Depois dos fatos, o casal voltou a morar em Ipatinga, de onde lutam por justiça, conforme já noticiado pelo Diário do Aço.

A investigação da Polícia Civil do Mato Grosso aponta que dois homens em uma motocicleta Honda Bros vermelha aproximaram-se de uma praça e descarregaram uma arma de fogo em direção a dois jovens. Um deles escapou com vida do atentado, mas Ruan Pablo foi atingido e morreu. O crime foi praticado em um sábado. O adolescente tinha trabalhado com o pai, em uma oficina automotiva, até as 14h. Mais tarde, dirigiu-se a uma praça, onde foi assassinado. “Meu filho foi até a praça para usar o wi-fi e não voltou mais”, afirma a mãe, Lauranir da Costa.

A família do adolescente planeja a realização de uma manifestação pública, em Ipatinga, para pedir Justiça. “Estamos sofrendo muito, é uma dor que nunca passa e não podemos deixar esse crime cair no esquecimento. Precisamos ver os assassinos na cadeia. Indiretamente eles mataram também o meu irmão, que tinha Síndrome de Down. Eles eram unidos. Meu irmão viu Ruan no caixão, suspirou muito forte. Depois que enterrou meu filho, ele não aguentou. Foi para o hospital e depois de 18 dias internado, faleceu. A gente perdeu dois entes queridos na família", lamentou.

Caçada resultou em injustiça

Ainda conforme a investigação policial, o crime está relacionado a uma vingança. Dias antes o filho de um vereador de Aripuanã foi vítima de uma tentativa de latrocínio (roubo seguido de morte). Pessoas ligadas à vítima saíram então em uma “caçada às bruxas”, numa tentativa de fazer justiça com as próprias mãos.

Primeiro atacaram um suspeito. Restou provado que esse suspeito nada tinha a ver com o crime. Logo depois praticaram o atentado contra os dois jovens, que, conforme a investigação, também não tinham relação com o latrocínio.

O advogado ipatinguense, José Ailton de Fátima, atua como assistente da acusação no processo. Em entrevista ao Diário do Aço, o advogado explica que a investigação policial foi muito clara no sentido de mostrar que o adolescente que morreu não tinha qualquer relação com o crime de latrocínio tentado. “Na busca de fazer justiça com as próprias mãos, cometeram uma injustiça ainda maior, matando um inocente e provocando uma angústia sem fim para a família de Ipatinga”, enfatizou.

Dois investigados indiciados

Conforme o assistente da acusação, dois homens foram investigados e indiciados por homicídio qualificado e tentativa de homicídio. O processo tramita na Vara Criminal da Comarca local. Um dos indiciados, O.Y.J., irmão do vereador e tio da vítima de tentativa de latrocínio teria conduzido a motocicleta no dia do crime, e é considerado foragido. Já denunciado à Justiça, está com um mandado de prisão em aberto. O outro envolvido, apontado como executor do crime, E.G.F., foi preso, mas mesmo com as provas dos autos teve a prisão relaxada pela Justiça e responde em liberdade.

Os pais de Ruan Pablo, Lauranir da Costa e Sérgio Oliveira dizem que não ter dúvida que o filho foi assassinado injustamente e querem que a justiça seja feita. “Meu filho era cidadão ipatinguense, eu sou cidadã de Ipatinga e pedimos apoio à nossa manifestação”, clama a mãe. A data e horário da manifestação ainda serão informados pela família.
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