Justiça manda a júri dois acusados de duplo homicídio de mulheres no Ipanemão

De um total de quatro denunciados, dois foram impronunciados por falta de provas do envolvimento no crime

13/08/2020 às 11:43
Reprodução
Aspásia Hilary e Aline Rodrigues foram assassinadas em 31 de janeiro deste ano

Dois jovens vão enfrentar o Tribunal do Júri pelo assassinato de Aspásia Hilary Moreira Ferreira e Aline Rodrigues de Souza, ambas de 20 anos, crime ocorrido no dia 31 de janeiro passado no Córrego Ipanemão, na zona rural de Ipatinga. Outros dois suspeitos foram impronunciados pela Justiça, por falta de provas. Já Ítalo Augusto Andrade Silva, de 19 anos, e o João Pedro Faustino de Almeida, de 21 anos, vão a julgamento.

Os corpos das vítimas foram encontrados por praticantes de trilha de moto no Ipanemão, em um local de difícil acesso, na margem da estrada principal da localidade. As jovens, que estavam sem identificação, apresentavam marcas de tiros nas costas e nas cabeças. Elas foram identificadas apenas no IML de Ipatinga. O caso publicado pelo Diário do Aço foi um dos relatos de maior repercussão no começo do ano].

A localização dos suspeitos começou com informações que chegaram aos policiais, segundo as quais, as jovens foram vistas saindo com quatro indivíduos do bairro Esperança. Os policiais conseguiram imagens de câmeras de segurança com o carro onde estariam os envolvidos seguindo pela estrada de acesso ao Ipanemão e depois quatro suspeitos correndo com os rostos encobertos com camisas.

Com a busca dos policiais chegou-se até R.C.C., de 23 anos, e depois a J.T.F., de 26 anos. Os outros dois suspeitos, Ítalo Augusto e João Pedro estão foragidos e com prisão preventiva decretada pela Justiça. R. e J. foram recolhidos ao Sistema Prisional e colocados à disposição da Justiça.

O que apurou a investigação?

De acordo com a denúncia do Ministério Público, à qual o Diário do Aço teve acesso, os envolvidos teriam envolvimento com o tráfico de drogas e suspeitavam que as vítimas repassavam informações para facções rivais. Ítalo e João Pedro teriam ainda relações amorosas com as jovens.

Todos os quatro foram denunciados por homicídio com três qualificadoras, motivo torpe, meio cruel e recurso que dificulte a defesa do ofendido. Os quatro envolvidos ao longo do processo, negaram qualquer envolvimento na morte das duas vítimas.

No entanto, as imagens das câmeras de segurança que filmaram quatro pessoas correndo logo depois do crime e as roupas de dois deles complicaram a situação dos denunciados Ítalo e João Pedro. Os advogados de defesa dos jovens suspeitos pediram a impronúncia ou absolvição de todos por não haver indícios suficientes de autoria.

O Juiz de Direito João Paulo Júnior em sentença de pronúncia proferida na terça-feira (11) resolveu impronunciar os denunciados R.C. e J.T. por ausência de indícios de autoria no crime, como defendeu o advogado Thiago Xavier. O magistrado determinou que os dois presos preventivamente fossem colocados em liberdade. Já Ítalo e João Pedro, que não foram localizados até hoje, vão a Júri Popular para serem julgados pelo duplo homicídio das jovens.

As vítimas

Aline Rodrigues deixou dois meninos e Aspásia Hilary duas meninas. Aline Rodrigues teve uma vida marcada por fatos dramáticos. Ela foi criada pela avó, pois quando tinha dois anos de vida a mãe, Roseli Gonçalves de Souza, foi assassinada pelo marido, pai de Aline, no ano de 2002, na cidade de Braúnas. Pelo crime foi sentenciado e cumpriu pena. Anos depois, Divino do Carmo Rodrigues também foi assassinado.
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