Empresa dona da Ricardo Eletro pede recuperação judicial, fecha lojas e demite em massa

Máquina de Vendas alega que está com um prejuízo estimado em R$ 4 bilhões, agravado pela pandemia

Bruna Lage


Loja da Ricardo Eletro,fechada na avenida 28 de Abril, no Centro de Ipatinga

Considerada a terceira maior holding do Brasil no setor de eletrodomésticos e dona da rede Ricardo Eletro, a Máquina de Vendas anunciou nesta sexta-feira (7) que pediu recuperação judicial devido a uma dívida que ultrapassa R$ 4 bilhões.

Cerca de 300 lojas da companhia, que engloba as marcas Lojas Salfer, CityLar, Insinuante, Ricardo Eletro e Eletroshopping foram fechadas e aproximadamente 3.500 funcionários foram demitidos. A informação foi publicada pelo jornal O Tempo, de Belo Horizonte.

A vice-presidente de Inovação da empresa, Ana Garini, informou que a Máquina de Vendas já vinha em um processo de reestruturação desde o início do ano passado, quando foi pedida uma recuperação extrajudicial, mas com a pandemia queda de 38% do faturamento, repentinamente.

A Máquina de Vendas anuncia, entretanto, que adotou um novo modelo de negócio para se recuperar. O projeto, segundo a empresa, permitirá que qualquer pessoa venda os produtos da rede.

No Vale do Aço, conforme divulgado na semana que passou pelo jornal, empregados demitidos das lojas Ricardo Eletro, aguardavam ansiosos pelo acerto rescisório.

Operação policial

Ana Garini acrescentou que a operação da Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que mirou o fundador da Ricardo Eletro, Ricardo Nunes, com relação a sonegação fiscal, não teve influência na decisão do pedido de recuperação.

"Todos sabem que desde o ano passado o Ricardo não faz mais parte do grupo, e essa operação não tem nada a ver com a empresa. Na época, nós conseguimos explicar a situação para todos os nossos fornecedores", explicou.

Em julho o mineiro de Divinópolis, Ricardo Nunes, chegou a passar uma noite na prisão do Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp), em Belo Horizonte, quando foi deflagrada a operação Direto com o Dono.

As investigações apontam que a Ricardo Eletro, e outras companhias ligadas a Nunes cobravam dos clientes, já embutido no preço dos produtos, o valor correspondente ao ICMS. No entanto, o repasse não era feito aos cofres do Estado.

A prisão temporária do fundador da Ricardo Eletro foi decretada pela Justiça mineira em 8 de julho. No dia seguinte, o pedido foi revogado.

Também são investigados, a filha do empresário, Laura Nunes, e Pedro Daniel Magalhães, superintendente da Ricardo Eletro.
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