Projeto solidário de Ipatinga arrecada doações para venezuelanos

Divulgação


Mais de 100 pessoas já doaram alimentos e itens de higiene pessoal para os venezuelanos em Ipatinga
(Tiago Araújo - Repórter do Diário do Aço)
Com o intuito de oferecer melhores condições de vida para refugiados da Venezuela, que residem em Ipatinga, um grupo de voluntários trabalha em um projeto solidário para ajudar essas pessoas. A maioria desses venezuelanos veio para o Brasil para fugir da grave crise econômica, social e política em seu país de origem, que já dura anos. Com isso, muitos não têm um emprego e, consequentemente, não têm recursos financeiros para comprar comida.

Em entrevista ao Diário do Aço, a idealizadora do projeto solidário, Bárbara Silva Santos, de 30 anos, contou que o grupo de voluntários trabalha com o objetivo principal de conseguir emprego para os venezuelanos em Ipatinga, e enquanto eles não são contratados, o projeto busca arrecadar alimentos e itens de higiene pessoal para os imigrantes. “Esse projeto, chamado de Vinde Missões, foi criado no início deste mês. No momento, ajudamos com doações 10 famílias venezuelanas, um total de 37 venezuelanos, dentre eles, crianças, adultos e idosos, que moram nos bairros Iguaçu, Veneza e Cidade Nobre. Desde o início do projeto, mais de 100 pessoas, incluindo de outras cidades, como Belo Horizonte, já fizeram doações de alimentos e itens de higiene pessoal. Além disso, dos 37 venezuelanos, já conseguimos arrumar emprego para sete”, relatou.

Origem do projeto

Bárbara Silva informou que o projeto solidário, que conta com 10 integrantes, teve início após ela ler uma reportagem publicada pelo Diário do Aço, em junho de 2019, sobre três venezuelanos que buscavam um recomeço de vida em Ipatinga. “Um dia eu acordei e do nada veio a palavra ‘imigrante’ na minha mente. Eu fiquei com isso na cabeça e fui pesquisar na internet sobre imigrantes no Brasil, mas não imaginava que havia aqui em Ipatinga. Durante a busca, apareceu uma reportagem do Diário do Aço, que contava a história de três venezuelanos que procuravam emprego. No fim da reportagem, tinha um contato de telefone e por meio dele consegui conversar com um dos venezuelanos, chamado José Ramiro. Logo no início, ele me perguntou se era oferta de emprego, mas falei que não tinha proposta por enquanto e que queria conhecê-lo melhor. Quando cheguei a casa dele, descobri que ele não tinha nada para comer”, contou.

Outros venezuelanos

Por meio de José Ramiro, Barbará Silva conseguiu conhecer outros venezuelanos em Ipatinga, que também precisavam de qualquer tipo de ajuda. “Fizemos uma compra de alimentos para José Ramiro e em conversa com ele, descobrimos outros imigrantes na cidade, na mesma situação econômica-social que ele, sem nada para comer. Com isso, entramos em contato com esses venezuelanos, um total de 37. E o interessante é que a única coisa que eles pedem é por um emprego. Eles querem muito ser autossuficientes. A maioria tem formação superior. Há entre eles administradores, terapeutas, professores e outros profissionais. Um deles, por exemplo, fala quatro idiomas (italiano, espanhol, francês e inglês). No entanto, eles aceitam qualquer vaga de trabalho. São pessoas maravilhosas e trabalhadoras, que fugiram de um país que enfrenta uma grave crise”, detalhou.

Ajuda de professores

Conforme Barbará Silva, a maioria dos venezuelanos tem dificuldade para falar português ou para escrever as palavras do idioma local, por isso eles precisam de ajuda de professores dessa área. “Buscamos ajuda de professores da Língua Portuguesa que possam ensinar os venezuelanos a se comunicarem melhor, o que facilitaria para eles interagirem melhor com os brasileiros e também para conseguirem um emprego. Precisamos muito dessa ajuda. Recentemente, um dos imigrantes até me mandou uma mensagem, pedindo uma professora de português para ensiná-lo com o idioma. Portanto, qualquer ajuda é bem-vinda”, citou.

Habilidade

A idealizadora do projeto também destacou que os venezuelanos são muito habilidosos e esforçados, tendo muita disposição para aprender e trabalhar. “Percebo que eles são muito voltados para arte. Uma venezuelana, de 18 anos, por exemplo, entrou em um curso de corte e costura há um tempo na cidade. E agora já está costurando muito bem. Ela faz desenhos em jaquetas e calças jeans. Isso acaba sendo bom para nossa cidade, porque por meio do trabalho eles recebem dinheiro e gastam em Ipatinga, seja com cursos ou outras coisas, fazendo a economia girar na cidade. Portanto, todos nós podemos ajudá-los. Entendo que o ser humano é de total responsabilidade do próprio ser humano. Deus deu o pão, mas o erro está na partilha. Acredito que cada um pode contribuir com algo”, concluiu.

Doações

Os interessados em fazer doações de alimentos e itens de higiene pessoal podem entrar em contato pelos números de telefone (31) 97574-8168 (Amanda) e (31) 99434-8800 (Humberto). Há pontos de coleta nos bairros Vila Celeste, Cidade Nobre e Canaãzinho, em Ipatinga. O Instagram do projeto social é @vindemissoes.
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Comentários

Isaac Júnior 01 de julho, 2020 | 11:26
Mesmo que não tenhamos uma boa saúde, fazer uns pelos outros, nos pode ajudar. A bíblia diz: "A mais felicidade está em dar do que receber" Quando a pessoa vem nos agradecer, ficamos contentes e não nos concentramos tanto em nossos problemas. Fazendo com nossa a vida fique bem melhor.
Carla Gomes 30 de junho, 2020 | 11:02
Por alguns comentários aqui dá para perceber que tem gente que não leu a reportagem. Se leu, não entendeu que a ajuda é para REFUGIADOS venezuelanos que estão em Ipatinga. E NÃO para ENVIAR para a Venezuela. Como tem gente aloprada, sem um pingo de misericórdia com o outro, meu Deus do Céu. Nós, brasileiros, não éramos assim.
Cláudio Euzebio 30 de junho, 2020 | 10:58
Primeiro lugar, quero parabenizar a iniciativa deste excelente e honrosa trabalho. Só quem tem visão do que é está em outro país e refugiado, sabe de fato, o quanto é saudável e humano esta magnífica ação. Eetsrri solidário ao projeto. Assim caminha a humanidade: Alguém faz; outros apenas olham e uma grande maioria não faz nada e crítica muito. Devemos agir conforme recomendação Bíblica Jeremias 22:3
Patrícia 29 de junho, 2020 | 14:27
Tanto brasileiro passando fome....quanta hipocrisia.
Pensador 29 de junho, 2020 | 10:13
Acho que deveríamos ajudar os Brasileiros na média 5x1 sendo cinco brasileiros empregados um imigrante... ser solidário seria ajudar todos sem raça, cor e gênero.. ...brasileiros com cursos são maioria... acordar Brasil.
Kimera 28 de junho, 2020 | 13:11
me faz entender, pra que enviar ajuda pra Venezuela.


se em Ipatinga estamos precisando também?.

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