Prefeito de Ipatinga explica investimentos para enfrentamento dos efeitos da pandemia no município e alerta sobre taxa regional de infecção
29/05/2020 às 11:00
Alex Ferreira
Prefeito explica investimentos para enfrentar a covid-19 em Ipatinga; "recursos foram disponibilizados somente essa semana e demanda atual não se resolve com hospital de campanha"
Em entrevista ao Diário do Aço na manhã dessa sexta-feira (29), o Prefeito de Ipatinga, Nardyello Rocha, explicou a situação do hospital de campanha, que é uma reivindicação intensa da população desde a quinta-feira, quando saiu a notícia dando conta que 100% dos leitos de UTI na cidade estão ocupados e pessoas com agravamento do quadro de covid-19 estão na fila aguardando vagas.
O prefeito explicou que o hospital de campanha ainda não foi montado porque não existe a necessidade para tal. Entretanto, o equipamento deverá ser disponibilizado. Já o uso prático dele é relativo. Isso porque o hospital é auxiliar para desafogar o hospital convencional e ampliar leitos de enfermaria.
Ocorre que nessa sexta-feira, por exemplo, a ocupação de todos os leitos de enfermarias, nos dois hospitais (Márcio Cunha e Municipal), é de 35%. “Então não justifica investir recurso no hospital de campanha e ele ficar ocioso, porque a demanda que existe agora é de vaga de UTI”, pontua Nardyello.
Questionado sobre a transformação de leitos de enfermaria em leitos de UTI, o prefeito explicou que não existem no mercado os respiradores para serem comprados, por valor nenhum. “Mas quem nesse momento gosta de fazer politicagem, ao verem leitos de UTI saturarem em 100%, começam a cobrar o hospital de campanha, que na prática não resolveria a demanda”, desabafou.
O prefeito também explicou o investimento de R$ 13.259.600 repassados pelo governo federal, recurso que foi disponibilizado somente essa semana.
Taxa de infecção no Vale do Aço pode levar a decreto regional de isolamento
Outra realidade destacada pelo prefeito de Ipatinga está relacionada a dados conhecidos somente na quinta-feira pelas autoridades de saúde: a taxa de infecção.
O prefeito explica que o índice padrão de infecção é de 1 para 1,02 pessoa, ou seja, cada infectado contamina outro 1,02. Em Minas Gerais esse índice é de 1 para 1,4 pessoa. Entretanto, na macrorregião do Vale do Aço o índice salta para 1,99, fato que está relacionado à circulação e aglomeração de pessoas.
O prefeito admite que o quadro atual demanda uma ação conjunta dos municípios da região, porque associado ao crescimento das contaminações subiu o número de pessoas que contraem o novo coronavírus e têm agravado o quadro de saúde, sobrecarregando as UTIs.
“Para quem não acredita na pandemia, eu digo o seguinte: Não pague para ver. Acompanhamos o tempo todo os efeitos do vírus. Ele existe, a situação muda a cada instante e chegamos a uma situação em que mesmo se a pessoa tiver dinheiro ela não consegue ser atendida, pois não existe equipamento. Portanto, saia de casa somente se tiver muita necessidade”, concluiu.
Dados atualizados no fim da tarde de sexta-feira (3/5)
Ocupação de leitos de UTI e Enfermaria em Ipatinga